DSA europeu contra o novo Chief Twit que vai deixar Trump reentrar: este título está tão confuso como o Twitter

28 out, 17:12

Está feito o negócio: o Twitter é de Elon Musk. Está desfeita a gestão executiva da empresa: há despedimentos.

Afirmando que “o pássaro está livre”, numa alusão ao logótipo do Twitter, o dono da Tesla dispensou de forma imediata os três executivos que geriam a empresa. O diretor-executivo, Parag Agrawal, bem como os responsáveis pelas áreas financeira e de segurança, Ned Segal e Vijava Gadde, devem receber cerca de 100 milhões de dólares de indemnização.

Como outros altos funcionários, Ned Segal assinalou a saída, falando na conclusão de um período de cinco anos mas deixando uma mensagem de "esperança" para o futuro.

Uma saída que não passou despercebida a Biz Stone, um dos cofundadores da rede social, que destacou o "enorme talento" dos três executivos agora dispensados.

Para o cargo de Parag Agrawal já um nome apontado: o próprio Elon Musk. Segundo a Bloomberg, o empresário quer assumir o cargo de diretor-executivo, o que acumularia com as lideranças da Tesla e da SpaceX. Para já vai assumir a posição de forma interina, mas o plano será ficar em definitivo.

Isto enquanto os colaboradores do Twitter ainda não sabem o seu futuro. Elon Musk deve falar para a empresa ainda esta sexta-feira, mas terá como fantasma uma afirmação em que admitiu dispensar 75% dos 7.500 trabalhadores, que, numa carta aberta à direção e ao empresário, pediram "uma comunicação transparente, pronta e cuidadosa".

Em reação automática à confirmação do negócio, os mercados financeiros abriram em forte desvalorização. Uma das causas foi o anúncio, quase imediato e que já tinha sido referido por Elon Musk, agora autoproclamado "Chief Twit", de que o Twitter vai ser retirado da bolsa de Nova Iorque, tornando a empresa totalmente privada.

E isso pode ser só o início de um pesadelo, nomeadamente para os bancos, que podem enfrentar graves perdas. Um grupo liderado pela Morgan Stanley, e que também inclui o Bank of America ou o Barclays, comprometeu-se com 13 mil milhões de dólares para o financiamento do negócio em abril, quando os juros das dívidas ainda se encontravam estáveis.

Agora, e perante a incerteza nos mercados, esse mesmo grupo vai encontrar dificuldades para conseguir esse financiamento ao mesmo tempo que mantém as contas equilibradas.

No entanto, e até à formalização da retirada dos mercados, a situação pode sofrer um revés. Em 2018 Elon Musk também anunciou que iria tornar a Tesla privada, para depois voltar atrás e agradecer a todos os investidores que apoiaram a continuação da organização na bolsa.

Mais forte foi a reação da União Europeia. O comissário para o Mercado Interno da União Europeia decidiu responder a uma publicação de Elon Musk, dizendo que "na Europa o pássaro vai voar pelas nossas regras", numa publicação em que deixou a sigla DSA, que remete para o Ato dos Serviços Digitais, que regula as redes sociais nos 27 países.

Thierry Breton deixou ainda outra nota, numa publicação em que aparece a conversar com o próprio Elon Musk e na qual diz que foi o novo dono do Twitter que garantiu que as regras seriam cumpridas.

Também o antigo primeiro-ministro da Bélgica Guy Verhofstadt, que atualmente exerce funções como deputado no Parlamento Europeu, chamou a atenção para a necessidade de "regular e responsabilizar" a rede social.

O regresso dos expulsos?

Quem ficou contente com a chegada de Elon Musk ao Twitter foi Donald Trump. O ex-presidente dos Estados Unidos, que foi expulso daquela rede social depois da derrota nas presidenciais e da invasão ao Capitólio, em 2020, afirmou estar feliz pela notícia, dizendo ainda que o Twitter estava de novo em “mãos sãs”.

À imagem de Donald Trump, figuras como o conspiracionista Alex Jones, o antigo estratega da Casa Branca Steve Bannon ou Kanye West também devem ver a mudança com agrado. Todos foram suspensos ou expulsos daquela rede social, a maioria por comentários e publicações sucessivamente nocivas, como recentemente aconteceu ao rapper norte-americano.

Desde o início de todo o processo que Elon Musk diz querer um Twitter verdadeiramente livre, pelo que a sua chegada em definitivo abre a porta a um regresso destas figuras polémicas.

"Não penso que tenha sido correto banir Donald Trump, penso que foi um erro", afirmou Elon Musk em maio, garantindo que iria "reverter" a situação.

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