O gel "anti-Costa" e a moeda da sorte: os novos trunfos de Rui Rio

21 jan, 21:15

Na arruada de Coimbra, onde nas últimas legislativas roubou, com maioria absoluta, a Câmara ao Partido Socialista, Rui Rio não tocou nem cantou, mas admitiu que adormece com a música do hino das legislativas na cabeça

Há uma espécie de banda a marcar o ritmo das arruadas de Rui Rio, coisa normal. Esta sexta-feira, dois bombos e uma gaita de foles marcaram o ritmo no centro de Coimbra. O líder do PSD não tocou nenhum instrumento, mas foi embalado na corrente sonora. A mobilização era grande e fazia-se ouvir: “Vitória! Vitória! Vitória”, havia entusiasmo na rua, gente maravilhada - como os adeptos de um clube o sabem ser -, apesar da maioria não conseguir chegar ao candidato. Houve, no entanto, quem tenha conseguido um abraço.

Rui Rio em campanha (PSD/João Pedro Domingos)
Rui Rio em campanha (PSD/João Pedro Domingos)

“Toda a sorte do mundo para você!” “O interior está consigo!”. Elogios não faltaram nesta arruada que, muitas vezes, parecia uma corrida de obstáculos com atropelos e tropeções. Na rua Ferreira Borges, distantes da confusão, mas presentes na marcha, havia gente à janela. “Olhe para cima”, gritavam para Rio. Não erguiam bandeiras, mas telemóveis.

Rui Rio em campanha em Coimbra (PSD/João Pedro Domingos)
Rui Rio em campanha (PSD/João Pedro Domingos)

A comitiva de Rio criava uma espécie de barreira de uma ponta à outra da rua. Esteve sempre ladeado por Mónica Quintela, cabeça de lista, e Salvador Malheiro, presidente da Câmara de Ovar. Participaram ainda os autarcas de Pampilhosa, Mira e Penacova, mas faltou o de Coimbra, José Manuel Silva.

A meio da rua, Rio entrou na loja “Tricot Brancal”. A proprietária estava à porta com um monte de lã azul nas mãos e, apesar de não combinar com a cor da caravana, desafiou-o a aprender tricô. Rio até nem achou má ideia: “Se calhar, para quando estiver lá sentado na Assembleia da República”.

Mais uma moedinha, mais uma voltinha. Foi na Imprensa Nacional Casa da Moeda que Rio decidiu comprar uma moeda de um euro comemorativa dos 20 anos da União Económica e Monetária. Diz que não é um homem supersticioso, mas esta tem um significado: “Esta não é para gastar, é para guardar, foi a última moeda que eu comprei antes de ganhar as eleições em 2022”, disse.

Rui Rio em campanha em Coimbra (PSD/João Pedro Domingos)
Rui Rio em campanha (PSD/João Pedro Domingos)

A verdade é que a sondagem TVI/CNN Portugal desta sexta-feira revela que a distância entre António Costa e Rui Rio está cada vez menor. Estão separados por apenas 1.1 ponto percentual e o número de indecisos continua a descer. Para ajudar aos bons resultados, a militante Graça trouxe um gel desinfetante “anti-vírus e anti-Costa”. A confiança na comitiva do PSD é cada vez maior. Aliás, Rio disse que é um “profissional das eleições” porque já fez três desde agosto: autárquicas, internas e estas legislativas.

Em Coimbra, nas legislativas de 2019, o PS elegeu cinco deputados, o PSD três e o Bloco de Esquerda um. Rio disse que agora é hora de virar o jogo, pelo menos “é esse o objetivo”. Acredita que a possibilidade do PSD vencer “é mais elevada” do que o PS, mas admite que está a ser uma luta “equilibrada”. “É tão natural ganhar o PSD como ganhar o PS, fico surpreso se o PS ganhar”, acrescentou.

Falta uma semana para acabar a campanha e, apesar de adormecer com a música das legislativas, escrita por Emanuel, na cabeça, ainda não aprendeu a letra.  

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