Há uma estatística em que Portugal está acima da média europeia: a cripto

21 dez 2022, 12:27
Supermercado (Getty Images)

Banco Central Europeu (BCE) estima que a infiltração das criptomoedas no dia a dia da população europeia se deva aos efeitos provocados pela pandemia

Dados do BCE apontam que 5% da população portuguesa está na posse de criptoativos, um valor acima da média europeia de 4%, sendo que os valores mais elevados foram observados na Eslovénia e no Luxemburgo (ambos nos 8%). As conclusões dizem respeito a um estudo sobre o tipo de pagamento dos consumidores da Zona Euro e no qual o BCE destaca que os países com a maior proporção de uso de criptomoedas, seja para investimentos ou pagamentos, são Itália (30%), Eslovénia (28%), Grécia, Bélgica, Portugal, Áustria, Chipre (todos com 26%) e Espanha (25%).

Em termos gerais, a proporção de pessoas a utilizar criptomoedas para fins de investimento foi duas a três vezes mais elevada contra a proporção de pessoas a usar este meio como forma de pagamento. O BCE estima que a infiltração das criptomoedas no dia a dia da população europeia se deva aos efeitos provocados pela pandemia, que causaram uma aceleração dos meios de pagamento digitais. O banco central estima também que uma maior clareza na regulação de criptoativos também pode estar a influenciar as atitudes dos consumidores face ao uso e pagamento com criptomoedas.

Na Eslovénia, a faixa etária com a maior percentagem de pessoas na posse de criptomoedas é a faixa dos 25 aos 39 anos. No que diz respeito à Zona Euro, o BCE estima que a adoção das criptomoedas ainda se dá de forma “marginal” e impulsionada, principalmente, pela especulação.

Portugal na cauda numa outra estatística

Os dados do BCE avançam ainda que o pagamento em numerário continua a ser o método mais utilizado nos postos de venda da Zona Euro, embora esta proporção esteja a diminuir. O estudo concluiu que esta é a forma de pagamento mais utilizada, sobretudo para transações de baixo valor em lojas, bem como em transações entre particulares.

Em Portugal, as compras a numerário continuam a representar a maioria das transações (64%), superando mesmo a média da Zona Euro (59%), mas também caíram 17 pontos percentuais face aos valores de 2019. A queda do dinheiro físico sentiu-se na maioria dos países da Zona Euro, sendo que o banco central destaca os países do sul da Europa, nomeadamente, Grécia, Espanha, Chipre e Portugal. Já na Eslovénia e na Estónia, a percentagem de pagamentos em numerário permaneceu inalterada.

Percentagem de pagamentos na Zona Euro por método e Estado-Membro

Fonte: Banco Central Europeu

Uma maioria das pessoas inquiridas pelo estudo (60%) considera importante ter dinheiro em numerário enquanto forma de pagamento, além de destacarem a importância do dinheiro físico enquanto forma de se manterem conscientes dos seus gastos, forma de proteger a sua privacidade e ainda permitir a liquidação imediata de transações.

O BCE conclui que a pandemia veio acelerar a tendência de crescimento dos pagamentos eletrónicos. A percentagem de compras online em relação às transações diárias da Zona Euro aumentou para 17% em 2022, face aos 6% registados em 2019. A proporção de pagamentos em cartão também cresceu, sendo que os pagamentos “contactless” representam agora a maioria das transações.

Portugal segue também esta tendência e o BCE salienta que os cartões são hoje considerados mais rápidos e fáceis de usar, reduzindo, desta forma, a necessidade de transportar grandes quantias em dinheiro Apesar da tendência para a digitalização, Portugal ainda se encontra na cauda da Europa no que diz respeito à percentagem de pessoas com acesso ao pagamento por cartão, tendo sido o Estado-membro com a percentagem mais baixa de pessoas a registar acesso a esta forma de pagamento.

Percentagem de pessoas com acesso a pagamentos via conta e cartão na Zona Euro

Fonte: Banco Central Europeu

O peso das transações em numerário e cartão também não está igualmente distribuído entre as faixas etárias, sendo que os grupos etários mais velhos (com mais de 55 anos) tendem a utilizar mais o numerário do que as gerações mais jovens. Já a faixa entre os 25 e os 39 anos foi onde se verificou o menor uso do pagamento em dinheiro físico. Esta distribuição é inversamente proporcional face à população que usa o cartão como método de pagamento.

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