Se eu mandasse...criava uma aplicação do género da Uber para evitar o desperdício alimentar

18 jan, 10:00
chef kiko

Numa rubrica da CNN Portugal, que será publicada ao longo dos 15 dias que antecedem as legislativas, várias personalidades explicam o que fariam se fossem eleitas para governar

Francisco Martins (Chef Kiko),  Chef de Cozinha

Há uma coisa que me incomoda bastante, enquanto chefe de cozinha e enquanto ser humano, que é o desperdício alimentar.

Nós não temos muito a noção, mas um terço do que é produzido no mundo acaba no lixo, ou seja, nós estamos constantemente a produzir comida, estamos constantemente a comprar comida, mas desperdiçamos um terço daquilo que nós compramos e colhemos.

É uma quantidade absolutamente assustadora, por isso a minha ideia seria trabalharmos de uma forma mais séria para percebermos como é que podemos desperdiçar menos comida, porque temos  de ser cada vez mais eficientes naquilo que produzimos. A eficiência também se traduz em desperdiçar o mínimo possível e garantir que o maior número de pessoas consegue comer aquilo que é produzido. Ou seja,  dentro de 20 ou 30 anos já seremos nove mil milhões de pessoas, e não vamos conseguir produzir mais comida tão facilmente e o que teremos de fazer é desperdiçar menos.

Uma das coisas que eu faria era debruçar de uma forma série neste tema do desperdício alimentar, criar uma equipa que estudasse onde é que se desperdiça mais alimentos.

Começava por criar uma cozinha mais central dedicada a receber os desperdícios alimentares de cada família. Quase como se fosse uma aplicação, do género de uma ‘Uber’, em que as pessoas que estivessem com excesso de pão, com excesso de leite, com excesso de alface, de qualquer coisa, dissessem que alimentos tinham em excesso e passava por lá uma carrinha ou uma mota para os recolher.

Depois levava-os para uma cozinha central e ai havia uma equipa a trabalhar sobre esses mesmos ingredientes e garantir a confeção, através de pratos em que se aplicaria técnicas de cozinha como a pasteurização, a cozinha lenta, a manipulação por congelação. E serviria para alimentar creches, ATLs, vários organismos do Estado que precisam de injeção de capital para se produzir comida. Por isso, basicamente passava por aproveitar os desperdícios alimentares, e nem falo dos supermercados, mas principalmente das famílias, para que se consiga produzir comida e voltar a inserir comida no sistema.

Por exemplo, temos a Refood, que recolhe os restos dos restaurantes e depois distribui, mas não manipula, não há manipulação dos alimentos. Esta ideia parte de que haja uma cozinha central onde se faça manipulação de excessos de famílias, ou de excessos de produção, por exemplo, alguém que produziu mais batata do que era suposto e não consegue conservá-la. Envia para esta cozinha, esta cozinha vai criar um ‘chutney’ [condimento geralmente agridoce] de batata com açúcar, gengibre e lima, vai colocá-los em frasquinhos e vai distribuí-los para continuar a circular comida. Ou seja, a ideia é minimizar ao máximo o número de alimentos colocados no lixo.

 

*Depoimento recolhido pela jornalista Beatriz Céu

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