A história do miúdo que conquista o futebol francês e sonha jogar no Benfica

20 jan, 09:22

David da Costa nasceu em Almada e vive desde os nove anos em França. Esta época está a brilhar no Lens, clube onde fez toda a formação, e espera pela chamada de Rui Jorge à seleção Sub 21. Enquanto ela não chega, vai mantando saudades em jantares com Renato Sanches e José Fonte.

Chama-se da David da Costa e já não é propriamente um desconhecido para quem segue o futebol. Depois de na última época ter aparecido em oito jogos do Lens, o miúdo de 21 anos está agora a afirmar-se como opção segura na equipa mais surpreendente da Liga Francesa.

Mas quem é afinal David da Costa?

Antes de mais é preciso dizer que é um miúdo que já emigrou para França há doze anos, mas que se sente totalmente português. Por dentro e por fora.

«Nasci em Portugal, em Almada, e vim para França com nove anos. Tenho muito de Portugal dentro de mim e não esqueci nada do que aprendi em Almada», começa por dizer.

«Foi em Portugal que tudo começou, nas ruas do Laranjeiro. A minha família toda é apaixonada por futebol e os meus irmãos chegaram a jogar no Cova da Piedade.»

David da Costa já é internacional português nas categorias de sub-19 e sub-20, afirmando que não teve muitas dúvidas quando foi obrigado a escolher entre Portugal ou França.

«Foi uma decisão fácil. Eu escolhi jogar pelo meu país, pelo país onde eu nasci. Falei com a minha família e todos estávamos de acordo que a decisão correta era jogar por Portugal. Somos todos portugueses e a melhor decisão era esta. Foi uma boa escolha.»

Num português quase perfeito para quem já soma a maior parte da vida em França, David da Costa conta ao Maisfutebol que guarda muitas memórias do tempo vivido em Almada.

«Estava sempre a jogar à bola. Via os meus irmãos mais velhos a jogar na rua e gostava de ficar a olhar para eles. Depois queria jogar também, mas eles nem sempre me deixavam.»

O jovem recorda até que os dois irmãos mais, ambos mais velhos, costumavam fugir dele para ir jogar futebol num campo que ficava num ponto mais alto. Para não terem o miúdo sempre a chatear, escapavam para outro lado da estrada e deixavam o pequeno David a chorar. Era a irmã Lisandra, apoio desde sempre, que o ajudava: David olhava para ela, na janela de casa, à espera de autorização para passar a estrada, quando essa autorização chegava começava a correr e só parava lá em cima, no campo os estavam os irmãos a jogar.

«Ainda outro dia a minha irmã estava a comentar comigo que uma vez até me filmou a dormir agarrado à bola», sorri.

Aos oito anos, o pai emigrou para França para trabalhar na construção civil, o resto da família ficou em Almada e o pequeno David conta que foi um ano difícil pelas saudades.

«Estava sempre a chorar, dizia à minha mãe que queria ir para ‘a França do pai’. Passado um ano fomos todos ter com ele, no norte de França, uma cidade perto de Lille.»

Foi aí que começou a jogar, depois de em Portugal o ter feito apenas na escola ou na rua.

«Comecei a jogar no Houplines aos nove anos, que era o clube de onde morávamos. Os meus irmãos jogavam lá, eu queria jogar e fui atrás dele. Depois fomos morar para Lestrem e eu fui jogar para o clube dessa cidade. Estava lá há um ano quando participámos num torneio de futebol de salão, um olheiro do Lens viu-me e convidou-me para ir para a academia do clube.»

David tinha na altura onze anos.

«Nos primeiros dois anos fiquei ainda a viver com os meus pais, apesar de jogar pelo clube, a partir dos 13 anos fui mesmo viver para a Academia», conta.

«Quando cheguei aos Lens ganhámos a Diamond Nations Cup, um torneio de sub-12, em França, e fomos representar o país a Londres. A partir daí as coisas correram sempre bem e fiz toda a formação no clube. É verdade que mais tarde, quando me separei dos meus pais e dos meus irmãos para ir viver na Academia, o início foi difícil, sentia a falta deles. Mas foi só no início. Sou uma pessoa que gosta de brincar, rapidamente fiz amigos e a partir daí senti-me bem a viver na Academia.»

Os irmãos acabaram por deixar o futebol, ele teve mais sorte e é hoje o orgulho da família: de uma família profundamente adepta do futebol. Influência do pai, um benfiquista de gema.

«Aqui os homens são todos do Benfica e as mulheres são do Sporting. As minhas irmãs são do Sporting, eu, os meus dois irmãos e o meu pai somos do Benfica. Estamos sempre a seguir o Benfica e a torcer para que ganhe. Desde pequeno que adoro o Benfica», conta.

«Não sei se algum dia jogarei no Benfica, mas o meu sonho desde pequeno era jogar num grande clube e esse clube é o Benfica. Sempre sonhei jogar lá.»

Com 21 anos acabados de cumprir, o médio ofensivo já conta esta temporada com dezoito jogos, sete dos quais como titular, um golo e duas assistências. Entre o final do último ano e o início deste, aliás, foi titular em quatro jogos seguidos para o campeonato.

Por isso, está lançado para conquistar o futebol francês. Numa equipa, recorde-se, que é sensação no campeonato, ocupando o quinto lugar em igualdade com o Mónaco.

«Não estou surpreendido com o que tenho feito. Conheço o meu valor e sabia que quando o mister apostasse em mim, eu ia fazer tudo para corresponder à oportunidade», assume.

«Se em Portugal estão atentos ao que eu estou a fazer? Sei que no Laranjeiro estão todos a seguir atentamente a minha carreira. Ainda há pouco tempo fui lá de férias e toda a gente me dizia que está a acompanhar o que tenho feito e falava-me dos meus jogos.»

A ligação a Portugal é, aliás, constante.

David da Costa refere que até costuma estar algumas vezes com Renato Sanches e José Fonte, que vivem a cerca de meia hora de distância, aproveitando para jantar com eles num restaurante português que há na cidade de Lille.

«Vejo tudo, tudo, tudo que se passa no futebol português. Portugal tem muito talento, como se pode ver na Seleção. Que jogadores mais gosto de ver? Gosto de ver o Ronaldo, o Renato Sanches, o Bernardo Silva... Acho que podia dizer o onze inteiro da Seleção.»

No entanto, e quando se fala de ídolos, David da Costa tem outro nome no topo da sua lista. Ele que é um médio ofensivo, que também pode jogar como avançado, baixinho, com 1,68 metros, levezinho, com 60 quilos, mas muito tecnicista e extremamente rápido.

«O Messi sempre foi a minha inspiração», sublinha.

«Desde sempre que vejo os jogos dele e tento aprender com ele. Gosto da forma como ele joga, é talento puro, não há explicação. Sobretudo quando era mais novo gostava de ir ao Youtube ver os vídeos dele e tentar fazer as coisas que ele faz.»

Voltando atrás, porém, é necessário voltar a falar da seleção. David da Costa já é internacional sub-19 e sub-21, mas ainda não foi chamado aos sub-21. Com idade para isso, o médio ofensivo está sempre de olho nas convocatórias de Rui Jorge à espera da sua vez.

«É sempre um orgulho representar Portugal. Vou continuar a trabalhar no duro, fazer o melhor no meu clube e esperar voltar a ser chamado.»

Para acabar esta conversa, faltava apenas saber onde chegam os sonhos de David da Costa.

A Seleção Nacional voltou a ser tema.

«O sonho de todos os jogadores é chegar à seleção principal», refere. «O meu sonho também é esse: quero jogar pela Seleção e conquistar títulos.»

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