«Rudi Garcia não ousará fazer nada que atrapalhe Ronaldo, até lhe serve o café se for preciso»

4 jan, 17:40
Juninho Pernambucano (AP)

Juninho Pernambucano trabalhou dois anos com o novo treinador de Cristiano Ronaldo e não guarda boas recordações dele. Em declarações ao Maisfutebol diz que foi uma experiência péssima e que o francês é muito mau carácter. Mas adianta que vai querer ser amigo de um ícone como o português.

Juninho Pernambucano não foi só um tremendo jogador de futebol: durante três temporadas foi também diretor desportivo do Lyon, tendo nessa altura trabalhado com Rudi Garcia.

Durante dois anos conheceu bem o agora treinador de Cristiano Ronaldo e garante que não guarda boas recordações. Homem discreto e que gosta de preservar a intimidade, acabou por dar a opinião sobre o francês, em declarações ao Maisfutebol, apenas por respeito a Ronaldo.

«Realmente pensei muito em falar sobre esse cidadão, pois só ao falar o nome dele já sentimos uma pequena falta de energia. Mas como o jogador é o Cristiano Ronaldo, que admiro e respeito demais, resolvi responder», começou por dizer Juninho Pernambucano.

«A minha experiência com o Rudi Garcia foi péssima. É o maior mau carácter que conheci em toda a carreira no futebol. Não sabe liderar nada. Lidera pelo medo que impõe nos outros. Só respeita pessoas que têm poder ou de quem ele possa tirar algum proveito na relação.»

Ora por isso, Juninho Pernambucano acredita que Cristiano Ronaldo não terá problemas.

«Agora em relação a CR7, ele não ousará fazer nada que atrapalhe, pelo contrário, até servirá o café da manhã para ele se for preciso. Ele vai tentar ser amigo do Cristiano, ser íntimo e fará tudo para isso. Será um sonho para ele ser amigo do Cristiano Ronaldo», garante.

«Para Rudi Garcia não importa o sucesso da equipa, a harmonia do balneário. Importa que ele seja o centro das atenções, mesmo que seja na crise. Mas como todos os seres humanos altamente frios, ele reconhece os maiores que ele e tenta tirar proveito disso. Cristiano Ronaldo é um dos maiores da história do futebol, uma lenda, e Rudi sabe disso.»

Juninho Pernambucano foi o chefe de Rudi Garcia durante dois anos, durante os quais trabalharam juntos como diretor desportivo e treinador do Lyon.

Até que no final da época 2020-21 o francês foi demitido após falhar o apuramento para a Liga dos Campeões: a equipa de Anthony Lopes terminou a Liga Francesa no quarto lugar.

Depois de sair, Rudi Garcia fez algumas críticas a Juninho, dizendo que o diretor desportivo tinha suspendido Aouar quando ele sugerira apenas uma multa, para além de o acusar de dar preferência aos jogadores brasileiros e de fazer coisas pelas costas dele.

Estas declarações revoltaram Juninho e marcaram uma cisão entre ambos.

«Ele é frio, calculista, altamente desconfiado e inseguro. Por isso impõe medo aos funcionários e equipa técnica em geral, pois não confia nele próprio. Mas sabe esconder na maioria das vezes tudo isso, mostrando uma imagem diferente à beira do campo», refere.

«Fez de tudo para atrapalhar o Bruno Guimarães, simplesmente porque eu como diretor desportivo não deixava que fosse ele a escolher os jogadores a contratar, porque eu tinha de pensar no médio e longo prazo. Ele queria os jogadores do empresário dele. Fez de tudo para o Paquetá não ir para o Lyon, porque queria um jogador do empresário dele nessa altura, e eu sabia que não era aquilo que precisávamos. São só alguns exemplos.»

Juninho Pernambucano contratou brasileiros como Thiago Mendes, Bruno Guimarães, Emerson Palmieri, Lucas Paquetá, Jean Lucas, embora os reforços mais caros até tenham sido o francês Reine-Adelaide e o dinamarquês Joachim Andersen.

«O que ele mais gosta é de conferências de imprensa. Se pudesse, ver-se-ia a ele mesmo ao vivo a dar entrevistas. Em dias de conferência parecia uma criança, chegava muito feliz e no fim perguntava-me se tinha visto a conferência. Ele necessita disso, de ser o centro das atenções. Não é evoluído como ser humano, mas sabe que precisa mostrar que é, em algumas situações, conseguindo enganar muita gente», acrescentou.

«No campo é quase tão ruim como em pessoa. Eu via quase todos os treinos. Terminava rapidamente os treinos táticos, praticamente sem repetições dos exercícios para os dois lados, dando pouca importância a qualidade do jogo da equipa. A única coisa boa dele, que serve mais para equipas médias ou pequenas, são as bolas em profundidade. Ele exige muito isso, fazendo a equipa ter bons contra-ataques e sair em velocidade. Mas não sabe da parte técnica, ocupação de espaços, inteligência de jogo, variação entre o curto e o longo, não trabalha a pressão sobre o adversário, só pede que se faça. Também exige uma equipa agressiva e que faça faltas.»

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