"Os bebés começaram a chorar quando viram as educadoras sem máscara". Conselhos e dicas para lidar com os mais novos nesta altura

22 abr, 19:00

O uso de máscara deixou de ser obrigatório esta sexta-feira. Mas houve quem estranhasse. Pediatra aconselha educadoras a, por exemplo, irem tirando a máscara gradualmente, ou fazendo brincadeiras

Há quatro meses que a rotina de Marta é praticamente a mesma. De manhã, deixa o filho no berçário, em Lisboa, antes de ir trabalhar. À entrada são habitualmente recebidos pela mesma educadora, que fica com Gastão, de apenas sete meses: "Eu entrego-o todos os dias e ele fica alegre da vida. As educadoras são super simpáticas e divertidas".

Mas esta sexta-feira algo mudou. As máscaras deixaram de ser obrigatórias (com algumas exceções) e as educadoras desta creche, que recebe crianças dos três meses aos três anos, abdicaram do equipamento de proteção, o que provocou uma reação entre Gastão e os colegas.

"O Gastão, que nunca chora, começou a chorar ao colo da funcionária que o pegou ao colo", relata Marta Brigham à CNN Portugal, detalhando que os bebés que estavam a ser entregues na mesma altura que o filho estavam igualmente receosos.

"Os bebés começaram a chorar quando viram as educadoras sem máscara", relata a mãe.

"Fiquei com o coração partido porque o Gastão vai para o berçário desde os três meses. É uma criança muito sociável e não estranha uma pessoa com máscara", lamentou a mãe, que acrescentou: "O estranho para ele é ver pessoas sem máscaras".

Em entrevista à CNN Portugal, o pediatra Manuel Ferreira de Magalhães explica que, no caso de crianças pequenas e que estão em idade pré-escolar, "o contacto que tiveram com pessoas fora do seio familiar foi com máscara e, para elas, começou a ser o normal".

"A realidade destas crianças sempre foi aquela, então desenvolveram estratégias" para perceberem melhor as emoções, refere o pediatra.

Mas a falta de pistas sociais e emotivas - como por exemplo o sorriso - a que as crianças se habituaram tornou-se também num fator negativo em termos de desenvolvimento social e emocional, adverte, por sua vez, o pediatra.

"Até eu estranhei": máscara também influencia a perceção dos adultos

Nesta creche não foram só as crianças que ficaram de pé atrás. Também as mães, confessa Marta, encararam as educadoras de forma diferente: "Até eu estranhei. Nunca as tinha visto sem máscara". 

O pediatra Manuel Ferreira de Magalhães indica que a utilização de máscara "é uma situação que altera a perceção de qualquer pessoa - até nos adultos".

"Enquanto socializamos com máscara, não conseguimos perceber bem as expressões", começa por explicar o pediatra, exemplificando que, quando conhecemos alguém pela primeira vez e essa pessoa está de máscara, temos tendência a imaginar como serão as feições dela - e por norma é sempre para melhor.

"A nossa mente idealiza a perfeição sempre. E os bebés não são diferentes", indica Manuel Ferreira de Magalhães, que justifica: "Quando tiraram a máscara, o bebé não reconheceu a pessoa e vai estranhar" e, para tal, é preciso um novo conhecimento. "É preciso voltar a conhecer as expressões da educadora".

Mas como? Segundo aconselha o especialista, primeiro é fundamental saber que vai acontecer. E uma boa estratégia poderá passar por, inicialmente, usar a máscara e depois tirar. "Com brincadeiras, por exemplo". E sucessivamente. "Ser algo gradual e para as crianças se irem habituando e perceberem que está tudo bem", conclui.

Creches: "Há desabafos bons, mas alguma apreensão"

Nesta creche, as mães que vão deixar os filhos têm de calçar um cobre sapatos de plástico e desinfetar as mãos, e até há duas semanas tinham de entregar os bebes à porta. Do lado oposto, as funcionárias comentaram com a mãe que estavam felizes porque há dois anos que trabalhavam de máscara: "Nem sabe a festa que fizemos".

À CNN Portugal, Susana Batista, presidente da Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular (ACPEEP) revela que ainda há alguma "apreensão" e "cautela" por parte das creches neste primeiro dia sem máscaras . "Há desabafos bons, mas alguma apreensão", admite Susana Batista, elencando que "há muitos associados a perguntar sobre medidas", nomeadamente em relação à separação de turmas, regras de isolamento e entrada de pais dentro das instituições.

Para isso, a presidente da ACPEEP apela às creches que revejam o plano de contingência "com cautela", "tendo em conta que a pandemia não passou": "Não podemos descuidar-nos. As medidas não são imposições, mas cabe a cada instituição perceber o que se pode aligeirar e não". "Deixar entrar os pais e aglomerar não é boa ideia", exemplificou.

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