"Cada família vai passar um cheque de 1200 euros do seu bolso para salvar a TAP"

27 jan, 09:18
João Cotrim de Figueiredo

Não é fácil perceber as contas do líder da IL para concluir que “cada uma das famílias portuguesas [vai] gastar 1.200 euros do seu bolso para salvar a TAP”.

O Estado já injetou perto de dois mil milhões de euros na companhia, em 2020 e 2021, prevendo-se mais 1,2 mil milhões durante o plano de reestruturação, num total de 3,2 mil milhões.

Segundo as estatísticas do IRS do Ministério das Finanças relativas aos rendimentos de 2020 (as últimas disponíveis), declararam rendimentos ao Fisco 5.408.288 (5,4 milhões) de agregados familiares. Desses, cerca de metade declarou rendimentos brutos inferiores a 10 mil euros, valor insuficiente para pagar IRS. Houve pois três milhões de agregados que pagaram IRS.

Hipóteses:

- Se “cada uma das [5,4 milhões de] famílias portuguesas” pagou para salvar a TAP, a conta dá €590 por cada uma, logo Cotrim errou a conta.

- Se a expressão é uma simplificação e refere-se apenas às três milhões de famílias que paga IRS, então “cada uma das famílias portuguesas [que liquida IRS]” paga €1064, logo Cotrim errou a conta.

- Se Cotrim contabilizou não 3,2 mas 3,7 mil milhões para a TAP (valor inicialmente previsto pelo governo mas chumbado por Bruxelas) e dividiu apenas pelos três milhões de famílias que pagam IRS, então sim, a conta dá 1200 euros (mais precisamente, €1.231), mas Cotrim partiu de um valor errado.

Ou então o líder da IL incluiu outros impostos indiretos (como o IVA), mas estes não são pagos apenas por “famílias portuguesas”, são-no também por exemplo por turistas.

Além disso, é preciso ver que parte deste dinheiro poderá vir a ser recuperado, por exemplo numa privatização parcial da TAP. Mas isso já não entra nestas contas.

Conclusão: errado.

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