Nem populistas nem ultraliberais. Montenegro quer um PSD "moderado" e pronto "para dar um novo governo a Portugal"

3 jul, 14:55

Com uma guerra na Ucrânia, a inflação a subir, o caos nas urgências dos hospitais, entre outros problemas no país, o recém-eleito presidente do PSD defendeu que estes tempos "de incerteza e mudança" obrigam a "governos fortes e oposições exigentes"

Apesar dos 52 minutos de discurso de encerramento, no 40.º Congresso Nacional do PSD, Luís Montenegro não quer perder tempo com "discussões estéreis de esquerdas e direitas", nem tão pouco "de linhas verdes ou linhas vermelhas". Aliás, o recém-eleito presidente do PSD foi claro: "Não temos problemas existênciais". O recém-eleito presidente quer reformar o país e apresentar alternativas ao PS. Talvez por isso se tenha afastado do Chega - ainda que nunca lhe tenha dito o nome - e, quiçá, à moção de censura apresentada pelo partido de André Ventura. 

"Não nos confundam, nem confundam os portugueses. Nós não somos, nem seremos, socialistas moderados, ou dito de outro modo, somos e seremos moderados, mas não somos nem seremos socialistas. E é por sermos moderados, que não somos nem populistas nem ultraliberais e muito menos nos associaremos algum dia a qualquer política xenófoba ou racista", afirmou.

Notou-se no discurso uma necessidade de clarificação do que é o PSD. Montenegro não quer um PSD que "abraça extremismos só para sobreviver politicamente", como fez o PS com o Bloco de Esquerda e com o PCP. Prefere "quebrar" em vez de "torcer" e, por isso mesmo, jamais vais abdicar "dos princípios da social-democracia e da essência do nosso programa eleitoral para governar a qualquer custo". 

"Acreditem, se algum dia for confrontado com a violação dos nossos princípios e valores para formar ou suportar um Governo, o partido pode decidir o que quiser, mas não serei eu o líder de um Governo desses", garantiu.

Por isso, além do afastamento ao Chega, Luís Montenegro não quer ligações a partidos, como ele próprio listou, anti-NATO, anti-União Europeia, anti-setor privado, anti-Euro e pró-russos. "Nós nunca fizemos isto", assegurou. 

"Tudo farei e faremos para dar um novo governo a Portugal. Tudo faremos para liderar uma nova maioria em Portugal. Tudo faremos para que esse governo e essa nova maioria tenha condições de governabilidade e estabilidade". Para isso, lembrou, é preciso "apontar caminhos alternativos" e passar bem a mensagem para que os portugueses "entendem o projeto que temos para o país"

Mas entre estes 'chega para lá', houve um partido a quem Montenegro quis dedicar uma mensagem especial: o CDS. Na presença de Nuno Melo, desejou "conquistas e sucessos" ao partido que, durante a liderança de Francisco Rodrigues dos Santos, perdeu nas últimas legislativas a representação parlamentar, não tendo eleito um único deputado. 

"Permitam-me que dirija uma palavra de estima e estímulo à direção do CDS e ao seu presidente Nuno Melo. Partilhamos vários momentos de responsabilidade na direção nacional e conduzimos agora mesmo, em conjunto, um número significativo de autarquias locais. Não é a conjuntura atual do CDS que nos inibe de fazer essa referência especial. Pelo contrário, faço-o com o desejo sincero que a vossa nova liderança preencha o futuro com conquistas e sucessos", finalizou. 

Nuno Melo e Luís Montenegro no 40.º Congresso do PSD (Lusa/Estela Silva)

"Tempos que exigem governos fortes e oposições exigentes"

Com uma guerra na Ucrânia, a inflação a subir, o caos nas urgências dos hospitais, entre outros problemas no país, o recém-eleito presidente do PSD defendeu que estes tempos "de incerteza e mudança" obrigam a "governos fortes e oposições exigentes". 

"Para conseguir enfrentar estes desafios, o Estado tem de se adaptar e a política tem de mudar. Hoje governar não é tentar manter as coisas mais ou menos como estão, mas sim ser o motor da mudança. Hoje governar não pode limitar-se a reagir aos problemas depois das coisas correrem mal. Hoje governar não pode continuar a ser um festival incessante de anúncio de medidas avulsas e precipitadas que foram pensadas muitas vezes para o telejornal desse mesmo dia, mas que são destituídas de efetividade e que morrem logo no dia seguinte", disse.

Montenegro reconhece não tem culpa da guerra, mas não tem carta branca. "É responsável pela maior vulnerabilidade em que estamos e é responsável pela resposta insuficiente".

Deixou uma palavra aos jovens, às famílias, aos trabalhadores e empreendedores, aos funcionários públicos – "que tentam segurar os serviços públicos que o Governo menospreza e procuram que o seu mérito seja reconhecido com carreiras atraentes" -, mas, sobretudo, aos idosos.

"Vamos estar ao lado das pessoas que têm uma idade mais avançada e que precisam que o Estado não lhes fale nos momentos mais decisivos que têm pela frente". 

Luís Montenegro (Lusa/Estela Silva)

O não ao referendo da regionalização

Em mais de 50 minutos, Luís Montenegro deixou um aviso a António Costa: não vai apoiar o referendo à regionalização em 2024. "É uma irresponsabilidade, uma precipitação e um erro". Criticou ainda "o logro" que tem sido o processo de descentralização, cuja "responsabilidade é exclusivamente do Governo". 

"Tenhamos as noções das prioridades", concluiu, recordando que com o início da guerra mudou o mundo e, como tal, "convém ter os pés bem assentes na terra". 

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