PSD: os militantes escolheram a música deste Congresso. Sintonia ou cacofonia?

18 dez 2021, 20:47
Rui Rio e José Silvano (Lusa/Estela Silva)
Rui Rio e José Silvano (Lusa/Estela Silva)

Já escrevia Rui Veloso que “não se ama alguém que não ouve a mesma canção”. Mas neste 39º Congresso, estarão os militantes na mesma sintonia? O desafio foi lançado a nomes dos dois lados da (já longa) divisão interna no partido: se esta reunião fosse uma música, qual seria? Para bom entendedor, uma canção basta

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“Fazer o que ainda não foi feito”, de Pedro Abrunhosa. A escolha é de Luís Montenegro, encarado como um dos principais opositores de Rui Rio. Em 2020, chegaram mesmo a disputar a liderança do partido. Neste congresso, Montenegro entrou a dizer que o seu período de recato “acabou”. Nesta escolha musical, parece desafiar Rio a pôr mãos à obra, rumo a uma vitória nas eleições legislativas de janeiro, ao conciliar perfis diferentes. “Sei que me vês/Quando os teus olhos me ignoram”, ouve-se no início da canção.

“I’m still standing”, de Elton John. Foi ao som desta canção que Rui Rio celebrou, no final de novembro, a vitória contra Paulo Rangel nas diretas do partido. A mensagem era clara: por mais que o procurassem deitar abaixo, o presidente do PSD sente-se de pedra e cal no cargo. É uma canção, agora, difícil de desassociar do líder. Daí que André Coelho Lima, vice-presidente do PSD, e Alexandre Poço, à frente da juventude do partido, a destaquem neste desafio.

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“Canção de Embalar”, de José Afonso. Hugo Soares, uma das vozes mais críticas da liderança de Rio, até aceita virar à esquerda neste desafio, escolhendo uma canção de José Afonso. O título não deixa margem para grandes interpretações: o embalo, a calma, serão o retrato de um congresso, até ao momento, sem grandes pontos altos. “Perde a Estrela D'alva o seu fulgor”, ouve-se na canção. Terá a reunião magna do partido perdido a energia de outrora?

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“Boléro”, de Ravel. Outro dos nomes que tem contestado a estratégia de Rio, inclusive com uma disputa interna em 2020, alinha pelos clássicos. Miguel Pinto Luz gostava de ver este congresso em Santa Maria da Feira a replicar o ritmo da própria música. “Começa calminho, meio morno, mas espero que acabe em auge, com debate de ideias, plural, não de uma nota só”, justifica.

"Happy", de Pharrell Williams. Fernando Negrão, antigo líder parlamentar social-democrata, alinha por uma sonoridade mais contemporânea para resumir esta reunião do partido. Um energético hino à felicidade, recordando a superação dos obstáculos. “É sempre possível acreditar, mesmo nos maus momentos, é sempre possível acreditar que podemos ir mais além”, destaca.

“Una Vita da Mediano”, de Ligabue. Miguel Poiares Maduro traz a língua italiana a esta banda sonora do congresso. Para a escolha muito terá contributo o discurso no primeiro dia de Rui Rio, que voltou a posicionar o PSD ao centro, na corrida para as próximas eleições. E se dúvidas existissem, a explicação ajuda a compor: “a canção é uma metáfora sobre a ‘classe média’ mas também sobre aqueles que ‘jogam no centro’”.

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“Winds of Change”, de Scorpions. A escolha de Paulo Mota Pinto, presidente da Mesa do Congresso, tem também no horizonte o sufrágio de janeiro, na expectativa de que seja possível alterar a cor à governação. É com essa expectativa de mudança que o PSD parte para a corrida. “Take me to the magic of the moment / On a glory night”. Será a noite de 30 de janeiro uma noite de glória? Por agora, no congresso do partido, Rio sente-se reforçado para esse objetivo.

“A Primavera”, de Vivaldi. Se os últimos tempos podem ter sido algo turbulentos para a liderança de Rui Rio, neste congresso há militantes a desejar a acalmia. “O partido renasce mais forte após as eleições internas, como sempre disse. Tal como a natureza se renova na primavera”, justifica o deputado Duarte Marques. Resta saber se a campanha, que aqui arranca, será um mar de rosas para o partido.

“What a Wonderful World”, de Louis Armstrong. Talvez a vida interna ainda não seja, na íntegra, o mundo ideal eternizado pelo artista norte-americano. Mas dos Açores, uma região que passou a ser governada pelo PSD após décadas de socialismo, é esse o retrato que se procura imprimir nesta reunião magna do partido. José Manuel Bolieiro, presidente do governo regional açoriano, quer ver “friends shaking hands” [amigos a apertar as mãos].

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“Won’t Get Fooled Again”, de The Who. “We’ll be fighting in the streets”, assim começa a canção da reputada banda britânica. A partir deste congresso começa, realmente, a batalha nas ruas pela confiança dos eleitores. Também nesta canção, escolhida por Hugo Carvalho, um dos nomes mais jovens do partido, se evoca um desejo de mudança. No país, subentende-se, já que o deputado tem sido um dos nomes de confiança de Rio nos últimos tempos.

“Imagine”, de John Lenon. Esta canção tem-se apresentado, ao longo dos últimos anos, como um hino a um mundo melhor. Para tal, é necessário colocar as diferenças de lado e focar nos pontos em comum. É a escolha de Ricardo Mexia, médico especialista em saúde pública, para descrever este fim de semana da vida social-democrata. “You may say I’m a dreamer / But I’m not the only one” surge como uma das partes mais citadas em todo o mundo. Será a vitória a 30 de janeiro o grande sonho do partido?

“O Melhor de Mim”, de Mariza. Duarte Pacheco, um dos nomes fortes do PSD na Assembleia da República, vai direto ao refrão: “é preciso perder para depois se ganhar”. No fundo, uma mensagem de incentivo a Rui Rio para o confronto eleitoral que se avizinha. A música tem sido usada, por diferentes figuras públicas (numa lista onde se inclui Jorge Jesus) para falar da superação das dificuldades. O fado de Rio, esse, será decidido nas urnas pelos portugueses.

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Ouça aqui as escolhas dos militantes:

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