Champions: FC Porto-At. Madrid, 2-1 (destaques)

Sérgio Pires , Estádio do Dragão, Porto
1 nov, 20:15

Taremi deslumbrante, Eustáquio histórico e Félix apagado

FIGURA: TAREMI

Podia ser pelo golo, logo aos 5 minutos. Pelo passe de morte, logo aos 13m, que Galeno acabou por desperdiçar. Podia ser por uma mão cheia de jogadas que o iraniano antecipa antes de qualquer adversário ou até colegas de equipa. Podia ser pela forma como ocupa cada espaço: à frente, pelos flancos, chegando até ao meio-campo defensivo num momento de posse de bola em que a equipa organizava a construção. É por tudo isso e muito mais. Taremi não é um avançado com potência de remate ou particularmente veloz. A sua força é um QI acima da média, a inteligência com que entende o jogo e torna o futebol num jogo simples. Isso só está ao alcance dos craques.

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MOMENTO: EUSTÁQUIO PARA A HISTÓRIA

Galeno arrancou, ganhou a linha e assistiu para o coração da área, Eustáquio fez o resto: um remate seco para o 2-0, aos 23m. Um golo importante o resultado do jogo, um golo histórico para o clube. O golo 1000 do Estádio do Dragão. Um belo momento para o médio internacional canadiano, depois da expulsão no clássico diante do Benfica.

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OUTROS DESTAQUES:

Galeno e Evanilson

Um é veloz, muito veloz. Outro tem um toque de bola desconcertante – um calcanhar atrás do outro. Ambos, fizeram a cabeça em água à defesa do Atlético de Madrid. Duas boas exibições dos autores das duas assistências nos golos do FC Porto. Ainda assim, faltou a ambos acerto na hora de finalizar.

Diogo Costa

A muralha do costume. O guarda-redes portista só foi ultrapassado já em período de descontos, num autogolo de Marcano. De resto, esteve praticamente intransponível. Transformando lances difíceis e de potencial perigo em defesas simples.

Pepê

Pode parecer desperdício de talento colocar o brasileiro como lateral, mas a abnegação de Pepê torna-o capaz de cumprir qualquer missão com distinção – um pouco à semelhança do que aconteceu com Corona. Esta noite, saiu dos seus pés – grande bola! – o lance do primeiro golo, logo aos 5m. O prenúncio de mais uma grande exibição, à atenção de Tite. A seleção do Brasil não precisa de um lateral para o Mundial?

Otávio e Eustáquio

O internacional português fez mais uma exibição à sua imagem: uma espécie de craque operário, cujo talento não lhe retira capacidade de trabalho. O canadiano Eustáquio também foi incansável a recuperar cada bola e na batalha pelo meio-campo. Mereceu uma distinção maior: a de ficar para a história do Dragão ao marcar o golo 1000 do estádio. 

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João Félix

A cada toque na bola, um coro de assobios. A condição de ex-benfiquista não ajudou João Félix a descontrair e a libertar-se para jogar o seu futebol. O português é um talento sem alegria, que carrega às costas o peso de uma transferência de 120 milhões e a desconfiança do treinador. Não ajuda a atitude por vezes mais sobranceira do que abnegada, nem a promoção forçada por um panorama mediático ansioso por encontrar uma compensação para o vazio que Ronaldo vai deixar. Ainda assim, Félix não deixa de ser craque por isso. Merece outro contexto para soltar todo o seu futebol.

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