Champions: FC Porto-At. Madrid, 2-1 (crónica)

Sérgio Pires , Estádio do Dragão, Porto
1 nov, 19:52

«Cholismo» tomba ao som de olés na arena do Dragão

Há tardes capazes de rivalizar com as melhores noites europeias. Hoje, o dragão voltou a ser imperial e o FC Porto conquistou o primeiro lugar no grupo, atirando o Atlético de Madrid para fora da Europa.

Depois na época passada os «colchoneros» terem eliminado o FC Porto da Champions neste mesmo estádio. Depois de uma cruel derrota depois da hora no Metropolitano na estreia nesta edição da Liga dos Campeões, Conceição teve direito finalmente à sua doce vingança e viu o «Cholismo» tombar a seus pés.

O FC Porto venceu por 2-1, beneficiou do nulo no Leverkusen-Club Brugge, disputado à mesma hora, para ultrapassar os belgas e alcançar o 1.º lugar do grupo, e pelo caminhou embolsou mais 2,7 milhões de euros.

Esse é o final de uma história que começou com o FC Porto a exibir superioridade a tempo inteiro, tal como a espaços mostrou na amarga e tardia derrota em Madrid.

Pressão sem bola e com ela um banquete de futebol apoiado, ao primeiro toque, verticalidade e qualidade no último terço.

Se a equipa de Conceição entrou embalada, mais ficou quando logo abriu o marcador ao fim de cinco minutos de jogo: Pepê lança Evanilson, que cruza na área para Taremi bater Oblak.

Simples assim. Os colchoneros ainda pareciam atordoados pela forma como o dragão fumegava e ele já cuspia fogo.

Para combater o sistema de Conceição, um 4-4-2 por vezes 4-3-3 com Taremi a deambular até pelo meio-campo e pelos flancos (quando não recuava ainda mais), «Cholo» Simeone apresentou um 4-4-2 a defender que variava para um 3-4-3 em momentos de construção. Não resultou. Longe disso. O Atlético foi atropelado na primeira parte.

«Cholismo»: uma arte de desperdiçar talentos

O FC Porto é uma equipa, de facto. O Atlético um conjunto de grandes jogadores que perdeu o espírito guerreiro que caracterizou durante anos as equipas de Simeone.

Já lá vamos ao «Cholismo». Porque a meio da primeira parte irrompe o segundo golo portista, agora pelo lado contrário. Galeno ganhou em velocidade na esquerda e cruzou para Eustáquio aparecer no coração da área para fazer história: 2-0, o golo 1000 do Estádio do Dragão.  

Podia ter-se avolumado a vantagem: se Galeno (este de forma clamorosa), aos 13m, e Otávio, aos 37m, não desperdiçassem o golo na cara de Oblak.

Mais do que a vantagem no marcador, na posse de bola ou nas oportunidades de golo, o FC Porto apresentava um futebol fluído, de dois toques, colocando o Alético em sentido sempre que saía da pressão.

A esmagadora maioria dos 47.546 espectadores ajudava. Um Dragão em ebulição acompanhou a equipa e, sempre que podia, desconcentrava também João Félix, hoje titular, com os assobios a subirem de volume quando o português foi substituído a meia-hora do final, saindo diretamente para o banco sem cumprimentar os companheiros.

Com uma conjugação de resultados que deixava a equipa fora da Europa, Simeone fez a única coisa que podia e arriscou, lançando Carrasco e Matheus Cunha.

Griezmann até chegou a introduzir a bola na baliza portista, mas o lance foi anulado por falta de De Paul. Quanto ao resto, havia Diogo Costa, uma muralha.

Faltou eficácia ao FC Porto para acabar desde logo com quaisquer dúvidas que restassem: Evanilson, Galeno, Taremi e até Wendell tiveram oportunidades para elevarem os números para uma goleada histórica, mas do outro lado havia outro muro: Oblak.

E o Atlético acabou o jogo a ouvir Olés, como se estivesse na Arena de Las Ventas. Apesar do autogolo de Marcano que nos descontos haveria de fazer um golo de honra pouco merecido.

O «Cholismo» é cada vez menos garra e espírito de combate, está cada vez mais longe da identidade e da imagem de insubmissão colchonera. O «Cholismo» é sobretudo hoje uma arte de desperdiçar talentos.

Há, porém, muito mérito do FC Porto em banalizar um plantel que vale mais do dobro.

O FC Porto renasceu depois da goleada sofrida frente ao Brugge à 2.ª jornada. Venceu nas restantes quatro, devolveu a goleada aos belgas e agora, no último suspiro, ultrapassou-os agarrando merecidamente o primeiro lugar do grupo.

(IMAGENS ELEVEN SPORTS)

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