A corrupção aqueceu o debate dos extremos. Catarina Martins acusada de ser "boa atriz" e Ventura comparado a um "disco riscado"

2 jan, 23:39

Discutiu-se corrupção, apoios e racismo. Catarina apelou um "Bloco de Esquerda reforçado" nas urnas e Ventura assegurou que tudo fará "para tirar António Costa do poder"

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Era o debate dos extremos, prometia ser quente e assim foi. Catarina Martins e André Ventura trocaram acusações sobre o combate à corrupção e à fraude económica. Se a coordenadora do Bloco de Esquerda foi acusada de "mentir", o presidente do Chega foi comparado a um "disco riscado".

Catarina Martins disse que é preciso "coragem" para combater a corrupção e que não é conhecida uma "única proposta concreta" do Chega nesta matéria. André Ventura foi interrompendo, entre risos, para dizer "ainda agora começou e já está a mentir". 

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"A extrema-direita nunca fez nada pelo enriquecimento ilícito", disse a bloquista. 

Ventura começou logo por rematar: "A diferença é que a Catarina Martins era atriz e eu era agente tributário. Eu combati a fraude fiscal". Numa posição defensiva, o líder do Chega começou a listar as propostas que o partido apresentou contra a corrupção e das quais o Bloco de Esquerda votou contra. 

"O Chega apresentou uma proposta que nunca ninguém tinha apresentado. Duplicar as penas para a corrupção passiva. Passando de oito para 16 anos e o Bloco de Esquerda votou contra (...) propusemos uma comissão de inquérito para investigar o financiamento dos partidos e o Bloco votou contra". 

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Passando de um tom defensivo para um mais irónico, Ventura disse ainda que se a coordenadora do Bloco quiser discutir corrupção "é só marcar o dia e a hora". Na resposta, Catarina limitou-se a dizer duas coisas: "o candidato da extrema-direita é mais previsível que um disco riscado" e "defende os Vistos Gold". 

Vídeo: Catarina Martins citou o Papa e André Ventura "ficou nervoso pelos portugueses" . O debate em três minutos

A luta pelo terceiro lugar e as soluções de apoio

Tanto o Bloco de Esquerda como o Chega são, de acordo com as sondagens, os dois partidos na disputa pelo terceiro lugar nestas legislativas. Num cenário em que o PS não tem maioria e é obrigado a negociar, Catarina Martins questionada sobre qual a posição que tomaria: exigir ir para o Governo ou haver um acordo escrito. Mas a coordenadora fugiu à pergunta e apelou a um reforço nas urnas.

"O Bloco de Esquerda tem sido a terceira força e provou sempre que era a força de soluções (...) e que o Bloco se reforce enquanto terceira força política nestas eleições é forma de garantir que não há uma maioria absoluta do PS, que não há governo de direita e também que a extrema-direita é posta no seu devido lugar". 

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À mesma pergunta Ventura disse que o Chega não trabalha "por lugares" e que o importante "não é se o Bloco vai ser a terceira força política", mas sim "tirar o Costa do poder". Ainda assim, não fugiu à questão.

"Já deixámos muito claro que só haverá governo de direita se o Chega puder fazer transformações em ministério concretos". No entanto, o presidente do PSD já disse que não aceitaria essas condições, mas isso não preocupa Ventura. "Se Rui Rio prefere o PS ao Chega, que nos deixou no estado em que estamos, é uma opção que Rui Rio terá que tomar. Da nossa parte é muito certo, ou há esta transformação ou não aceitaremos"

Em contrapartida, não quis falar sobre "soluções de apoio" porque os portugueses ainda não votaram, por isso, resumiu, é "precoce".

O rapto do Pai Natal e os apoios "a quem aparece no Mediterrâneo com um telemóvel"

Os apoios que são dados aos refugiados e aos migrantes que chegam a Portugal foram mais um dos temas quentes neste frente a frente. Ventura acusa o Bloco de "querer dar 700 euros a quem aparece no Mediterrâneo com um telemóvel na mão" quando existem bombeiros e polícias a ganhar pensões de 200 e 300 euros. 

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"Em vez de aumentar pensões, quer dar dinheiro a refugiados e migrantes", atirou.

“Só estou à espera que o candidato da extrema-direita me acuse de raptar o Pai Natal”, respondeu Catarina Martins, insistindo na necessidade de reforçar os apoios sociais, contrariando os crimes de evasão fiscal. 

"Um refugiado que foge da guerra e da fome tem de ser acolhido" e não "recebido com arame farpado" defendeu a bloquista, dizendo que Portugal "tem condições para o fazer".

Já na reta final, Catarina trouxe para cima da mesa a necessidade de reforçar as forças de segurança. Ventura mostrou-se chocado com a "nova" preocupação do Bloco de Esquerda e recordou, com recurso a uma folha de papel, um episódio com Mamadou Ba, antigo assessor do Bloco, que, perante um episódio de violência policial, escreveu "a bosta da bófia" nas redes sociais.

A coordenadora do Bloco rematou que o líder do Chega foi condenado por um crime de racismo, devido aos insultos dirigidos a uma família do bairro da Jamaica, mas este fez questão que corrigir a adversária: "um bocadinho de estudo de Direito não lhe fazia mal. Eu não fui condenado por racismo, eu fui condenado por ofensas a uma família. Nunca fui condenado em nenhum processo-crime e isso deixa-me um orgulho enorme em poder continuar a lutar pelos portugueses de bem". 

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