Ninguém gera mais receita do que o Benfica em Portugal (e do que o Manchester City no mundo)

20 jan, 09:50
Money League

O relatório anual da Deloitte permite um olhar mais clínico sobre as finanças dos clubes mais ricos do futebol europeu, um grupo em que, de Portugal, apenas a SAD encarnada consegue entrar. De resto, o City mostra que não sabe só gastar dinheiro, também o sabe fazer, e o Barcelona prova que está numa crise profunda e com perspetivas difíceis de melhorar.

O Manchester City deixou de ser apenas uma gastador incorrigível para se tornar também uma fonte de receitas imbatível: por isso, e pela segunda vez na história, sentou-se no trono dos clubes que geram mais dinheiro no mundo.

Esta é uma das conclusões que surge no relatório anual da Deloitte – o Football Money League –, que revela outras curiosidades das finanças dos mais ricos.

O Benfica, por exemplo, é o clube português que gera mais receitas. Ou antes, é o clube fora das big-5 que gera mais receitas. O que é revelador da capacidade dos encarnados em fazer dinheiro (ou pelo menos foi na época passada).

Só o Ajax ameaça a SAD benfiquista, tendo na última época registado apenas menos 9,5 milhões de euros em receitas.

O Benfica e o Ajax são, aliás, os únicos clubes na lista de trinta maiores geradores de receita que não vêm de uma das cinco grandes ligas do futebol europeu. Segundo a Deloitte, tal justifica-se devido a um «desempenho consistente na Europa, com presença nos quartos de final e nos oitavos de final da Liga dos Campeões, respetivamente».

Liga Inglesa domina por completo o futebol europeu

A Liga Inglesa, de resto, domina completamente a lista dos 30 clubes mais ricos: coloca 16 clubes no lote desses 30, o que significa mais de metade.

Oitenta por cento dos vinte clubes da Liga Inglesa têm entrada direta no lote de 30 mais ricos do mundo, aliás, o que é sintomático. O mais curioso é que até os clubes ingleses que não estão nas competições europeias conseguem gerar mais receita do que alguns clubes importantes de outras grandes ligas que estão na Europa.

É o caso de clubes como o Brighton, o Newcastle, o Aston Villa, o Leicester e sobretudo o Leeds (que na última época lutou para não descer à II Liga Inglesa): todos eles geram mais receita do que o Benfica, por exemplo, mesmo sem os milhões da Liga dos Campeões (ou de qualquer outra competição europeia).

Refira-se que para além dos 16 clubes ingleses, de um clube português e de um clube neerlandês, o resto do top 30 inclui cinco clubes da Liga Espanhola, três da Serie A italiana e da Bundesliga, e um clube da Liga Italiana.

Os italianos, de resto, tiveram um ano difícil, sendo de destacar que clubes como o Nápoles, a Roma, a Atalanta e a Lazio saíram do top-30 em relação à época passada, o que a Deloitte explica com as receitas baixas com o matchday em comparação com outros campeonatos, provocado pelo fecho parcial das bancadas em Itália, ainda em consequência da covid-19.

Barcelona é o clube com mais dificuldades em recuperar da covid-19

Ora por falar em covid-19, interessa sublinhar que a pandemia continua ainda a fazer-se notar por exemplo nas receitas dos clubes espanhóis: o Barcelona e Real Madrid ainda não recuperaram as receitas para níveis pré-pandemia, apresentando este anos ganhos 203 milhões e 43 milhões de euros, respetivamente, abaixo do que fizeram em 2018/19.

Ora por isso o Barcelona desceu de quarto para sétimo lugar no ranking da Money Football League, o que se explica por uma diminuição de 13 por cento nas receitas de televisivas, provocada em muito pela queda para a Liga Europa, e por um aumento residual das receitas comerciais.

Para contrariar esta queda, o Barcelona assinou já esta temporada, recorde-se, um contrato de patrocínio com a Spotify, que abrange as camisolas de jogo, de treino e o naming do Camp Nou, mas que só terá reflexo no próximo ano.

Prevê-se, aliás, que o próximo exercício seja mais favorável para os clubes espanhóis, mas também para os clubes ingleses, em virtude de no início da época atual terem entrado em vigor novos contratos de direitos televisivos na Liga Inglesa e na Liga Espanhola, sendo que no caso inglês o novo acordo vale um aumento de 26 por cento só em transmissões para o estrangeiro, em relação ao que existia.

Perante isto, é possível que o próximo anuário da Deloitte até tenha mais clubes ingleses do que os atuais 16, sendo também bastante claro que o futebol inglês é o que melhor tem sabido reagir ao rombo que significou a covid-19.

O Manchester City, vale a pena referir, teve um aumento na receita comercial de 65 milhões para 373 milhões de euros esta época (o que é até um recorde em Inglaterra), enquanto o Liverpool registou mais de 100 milhões de euros em receitas de matchday, o que aconteceu pela primeira vez na história do clube (e em breve estará concluído o aumento da capacidade de Anfield Road).

Feitas as contas, e em jeito de conclusão, a Deloitte revela que o futebol europeu aumentou as receitas na época passada em cerca de 13 por cento em relação ao ano anteior, mas ainda continua com ganhos ligeiramente inferiores aos que apresentou em 2018/19: o último ano antes da pandemia.

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