Apesar da turbulência, BCE volta a aumentar juros em 50 pontos base

ECO - Parceiro CNN Portugal , Alberto Teixeira
16 mar 2023, 13:16
Banco Central Europeu (GettyImages)

Banco central prometeu e cumpriu: juros de referência voltam a dar um salto de 50 pontos base, apesar da turbulência na banca. BCE diz que está atento e pronto a agir para assegurar estabilidade

Tal como tinha prometido, o Banco Central Europeu (BCE) voltou a subir as taxas de juro de referência em 50 pontos base, e isto apesar da turbulência que os mercados financeiros assistiram nos últimos dias com a falência de bancos americanos e com o caos em torno do Credit Suisse, que deixou os investidores a pensar que o banco central poderia ser mais comedido no aperto monetário.

Em comunicado, o conselho de governadores adianta que está a “acompanhar de perto as atuais tensões no mercado” e diz que “está preparado para responder conforme necessário, no sentido de preservar a estabilidade de preços e a estabilidade financeira na área do euro”.

Mais: tenta dar uma palavra de tranquilidade aos investidores e clientes dos bancos, ao garantir que “o setor bancário da área do euro é resiliente, apresentando posições de capital e liquidez fortes”, depois das dúvidas que se geraram em torno do setor com a queda do Silicon Valle Bank e Signature Bank nos EUA, e o caos em torno do Credit Suisse que levou a um autêntico vendaval bolsista na banca europeia esta quarta-feira.

As tensões nas bolsas levaram os investidores a pedir um abrandamento na subida das taxas de juro, mas o BCE ignorou esse pedido. Com este aumento de 0,50 pontos percentuais, a principais taxas ficam assim:

  • a taxa de facilidade permanente de depósito sobe 3,00%;
  • a taxa de facilidade permanente de cedência de liquidez avança para 3,75%;
  • e a taxa das operações principais de refinanciamento aumenta para 3,50%.

Conhecida a decisão do conselho de governadores, os holofotes viram-se agora para o que dirá a presidente Christine Lagarde sobre o rumo futuro das taxas de juro, isto quando se coloca um novo dilema ao banco central: continuar a aumentar as taxas para controlar a inflação — que continua nuns elevados 8,5% — ou aliviar o ritmo de subidas para não levantar mais ondas num mercado financeiro que está a olhar com preocupação para os últimos desenvolvimentos no setor bancário.

Para já, o BCE assume alguma cautela. “O nível elevado de incerteza reforça a importância de uma abordagem dependente dos dados nas decisões do conselho do BCE sobre as taxas diretoras, que serão determinadas pela avaliação do mesmo das perspetivas de inflação, à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados, da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária”.

BCE revê em alta crescimento e inflação para 2023

As novas projeções do staff técnico do banco central apontam para o regresso da inflação ao objetivo em 2025: a taxa de inflação deverá baixar para 5,3% em 2023, e descendo para 2,9% em 2024 e 2,1% em 2025.

Já a inflação excluindo preços dos produtos energéticos e dos produtos alimentares continuou a subir em fevereiro deverá situar-se nos 4,6% em 2023, valor que é mais elevado do que o avançado nas projeções de dezembro, devendo recuar para 2,5% em 2024 e 2,2% em 2025, “com o desvanecimento das pressões em sentido ascendente geradas pelos anteriores choques da oferta e pela reabertura da economia e com a maior restritividade da política monetária a atenuar cada vez mais a procura”.

A dar força à decisão de subir as taxas de juro novamente em 50 pontos base estará a revisão em alta das projeções para o crescimento em 2023, para um média de 1%, “em resultado quer da descida dos preços dos produtos energéticos quer da maior resiliência da economia à conjuntura económica internacional difícil”.

Os anos seguintes também serão de expansão económico, mas abaixo do que era previsto anteriormente, devido ao impacto da “restritividade da política monetária. A Zona Euro deverá com taxas de crescimento de 1,6% tanto em 2024 como em 2025, “apoiado por um mercado de trabalho robusto, pela melhoria da confiança e por uma recuperação dos rendimentos reais”, projetam os especialistas do banco central.

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