BCE espera uma “segunda ronda” de inflação à boleia dos aumentos salariais, mas prevê “queda considerável” pela primavera

6 dez 2022, 16:14
Philip Lane (Photo By Gustavo Valiente/Europa Press via Getty Images)

Philip Lane considera que a atual crise energética irá levar a um empobrecimento geral da Europa e a perda de competitividade de algumas empresas, mas sustenta que isto irá acelerar a transição energética para uma economia mais sustentável

Philip Lane, economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), está “razoavelmente confiante” de que a Europa se encontra perto do pico da inflação, mas não descarta uma nova aceleração no início de 2023. No entanto, o economista-chefe do BCE antecipa uma “queda considerável” da inflação por volta da primavera ou do verão.

Em entrevista para o jornal italiano Milano Finanza, Philip Lane admite esperar uma “segunda ronda” de inflação, sendo que o motivo para tal se prende com os aumentos salariais. O economista-chefe destaca que muitos trabalhadores estão a sofrer com o aumento do custo de vida e embora o BCE espere aumentos salariais entre 2023 e 2025, estes mesmos aumentos irão alimentar o consumo e o aumento dos preços.

Neste sentido, apesar do BCE estimar que no médio prazo a inflação atinga o patamar dos 2,3% em 2024, à boleia da sua política monetária, a entidade também prevê que irá levar algum tempo até a inflação voltar à meta de 2%. O economista-chefe prevê ainda que uma recessão branda poderá durar cerca de seis meses, e alerta que o impacto do aumento das taxas de juro irá afetar, sobretudo, os créditos com taxa variável.

Para Philip Lane, o pior cenário possível é aquele onde a inflação permanece elevada durante um longo período, embora não se comprometa com uma meta para o regresso à normalidade. O responsável do BCE alerta, neste sentido, para a necessidade de um equilíbrio e de não apertar excessivamente o aumento das taxas de juro. Caso contrário, a consequência pode ser a ultrapassagem da meta de 2% para a inflação.

Efeitos da crise energética para a Europa

Uma das primeiras consequências para e economia europeia, resultante da atual crise energética, é o empobrecimento geral. “A Europa ficará coletivamente mais pobre porque somos um grande importador de energia. Os rendimentos mais baixos, devido a este custo extra com a energia, irão reduzir a procura na economia”, esclarece o economista-chefe, destacando este como o primeiro efeito da atual crise.

Na ótica do responsável do BCE, a segunda consequência da crise energética é a perda da competitividade, a nível mundial, das empresas com grandes necessidades energéticas. “Portanto, seria de esperar que algumas indústrias se mudassem para regiões onde a energia é mais barata”, acrescenta.

No entanto, Philip Lane sustenta que existe um aspeto positivo, nomeadamente a aceleração da resposta à referida crise, que irá estimular a “transição verde” bem como o investimento em energias renováveis.

O economista-chefe não esconde que a transição irá “levar algum tempo”, mas garante que o abastecimento energético será tanto mais seguro como mais barato no final deste processo. “Acho que há um período muito difícil por vir, mas também uma transição mais rápida para uma economia mais sustentável”.

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