Ajudar toda a gente "é demasiado caro", avisa líder do Banco Mundial

CNN Portugal , JGR
26 out, 13:18
Banco Mundial (SOPA Images/ Getty)

O norte-americano alerta que os apoios dos governos à crise energética podem catapultar os níveis de dívida para valores astronómicos

O diretor do Banco Mundial, David Malpass, considera que os governos não vão conseguir ajudar toda a gente com os elevados custos da energia, considerando que os atuais planos de resgate vão empurrar a dívida mundial para níveis recorde, atingindo as pessoas mais vulneráveis da sociedade.

“Os governos estão a dizer que vão tomar conta de toda a gente, mas isso é demasiado caro”, afirmou David Malpass, diretor do Banco Mundial, em declarações à televisão britânica BBC.

Apesar de admitir que a existência de uma rede de apoio social é algo consensual para a vasta maioria dos governos, o líder do Banco Mundial criticou os planos de apoio à crise da covid-19 por não terem sido suficientemente focados nas pessoas mais vulneráveis.

Segundo Malpass, as medidas que permitiram o lay-off simplificado e os pagamentos de subsídios levaram governos um pouco por todo o mundo a contrair níveis astronómicos de dívida, que vão acabar por demorar várias décadas a ser pagos.

“As pessoas vão demorar anos e talvez décadas a pagar essa dívida”, acrescentou.

Segundo o Instituto Internacional de Finanças, o nível de dívida global ultrapassou 305 biliões de dólares, no início de 2022, com perspetivas de aumentos futuros. Com a guerra na Ucrânia e o consequente aumento dos preços da energia, vários governos introduziram subsídios para aliviar a pressão sobre o custo de vida dos seus cidadãos, levando a que vários executivos aumentem os níveis de dívida.

Essas ajudas, admite Malpass, podem ainda ter um efeito secundário não desejado, empurrando os valores da inflação ainda mais para cima, numa altura em que continuam a atingir valores recorde, com a zona Euro a atingir os 10% em setembro. Em Portugal, segundo o Banco de Portugal, a taxa de inflação no mês de setembro foi de 9,8%.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) espera que a inflação mundial atinga o pico, este ano, de 9,5% e que só deverá começar a baixar a partir de 2024. A situação pode levar países já pressionados com elevado nível de endividamento a procurar aumentar ainda mais os seus níveis de dívida.

Portugal é um dos países da zona euro mais sobrecarregados pelo peso da dívida em relação ao PIB, com uma dívida que corresponde a 114,7% do PIB. O país é o terceiro mais envidado do grupo, mas deverá ser ultrapassado pela França e por Espanha, no final de 2023, segundo o FMI. Atualmente, à frente de Portugal estão apenas a Grécia e Itália.

O Governo português criou um pacote para aliviar os custos da energia nas empresas no valor de três mil milhões de euros, que, segundo o executivo, irá permitir às empresas uma poupança de 30 a 31% nos custos da eletricidade e 23 a 42% nos custos com gás natural.

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, apelidou a medida de a “maior intervenção no mercado energético em Portugal”, com dois mil milhões destinados à eletricidade e mil milhões focados no preço do gás natural.

Porém, este pacote foi recebido com críticas por da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), que considera que a proposta é “muito pobre” no que toca ao fornecimento de dados que permitam a análise e avaliação dos impactos orçamentais desta ajuda.

Já no cenário europeu, as compras conjuntas de gás – que permitirá aos 27 comprarem maiores quantidades a preços mais reduzidos – estão a ser vistas com bons olhos por parte dos vários países.

“Está claro que combinar a nossa força no mercado global é uma vantagem. Se o modelo de dois passos proposto for aprovado no Conselho de novembro, estaremos prontos para avançar com compras conjuntas depois desta época em que aumentam as necessidades de aquecimento”, declarou Kadri Simson, comissária europeia da Energia, esta terça-feira.

Além disso, a União Europeia está a estudar a possibilidade de estender o mecanismo ibérico, que limita os preços da eletricidade, ao resto da Europa, embora esta medida conte com a oposição de alguns estados-membros. Em Portugal, segundo o primeiro-ministro, caso o valor da energia duplicasse, este mecanismo permitiria ao país limitar estes aumentos dos preços da energia a 39% na eletricidade e a 13% no gás.

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