Banco Europeu de Investimento tem 30 milhões para ajudar avião-solar a “descolar” em 2025

ECO - Parceiro CNN Portugal , Jéssica Sousa
18 nov 2023, 18:00
A Skydweller Aero pretende produzir o primeiro “pseudossatélite” comercialmente viável do mundo - um avião movido a energia solar capaz de permanecer no céu durante meses a fio. Nesta foto vemos a aeronave da Skydweller a aterrar após o seu primeiro voo, em dezembro de 2020. Os homens que vemos nas motoretas estão ali para estabilizar o aparelho, segurando uns varões que se projetam das asas, um passo necessário devido à sua enorme envergadura

A Skydweller Aero desenvolveu uma tecnologia que permite uma aeronave alimentada a energia solar manter-se ativa durante 90 dias. Solução começa a ser produzida em 2025.

O Banco Europeu de Investimento (BEI), através do InvestEU, assinou um contrato de financiamento de 30 milhões de euros com a Skydweller Aero, uma tecnológica norte-americana que desenvolveu aeronaves autopilotadas e alimentadas por energia solar. A solução, prevista para começar a ser produzida em 2025, foi inicialmente pensada para dar apoio à Marinha daquele país, mas a ideia será escalar a tecnologia para outras áreas e regiões. Na Europa, o objetivo é que estas aeronaves possam ajudar em setores como a captura de carbono, o combate aos incêndios florestais, desflorestação e na gestão de zonas marítimas exclusivas para fiscalizar a pesca ilegal.

“Este tipo de aviões podem ser muito importantes para acelerar a transição “verde” na União Europeia”, explicou o vice-presidente do Banco Europeu de Investimento, Ricardo Mourinho Félix, em conferência de imprensa, esta quarta-feira, na Web Summit, dando conta que o BEI assume como prioridade investir em tecnologias limpas.

A tecnologia desenvolvida pela Skydweller Aero consiste na integração de painéis fotovoltaicos, ao longo dos 72 metros de largura do avião, com uma capacidade de gerar dois quilowatts (kW) de energia solar — o suficiente para que o avião consiga manter-se operacional durante 90 dias consecutivos. Além disso, com a ausência de transporte de tripulação, o Skydweller assegura o transporte de quase 400 quilos em equipamentos de monitorização e vigilância, e outro tipo de carga, nomeadamente, antenas de 4G e 5G que melhorem a comunicação em terra.

“Estamos muito satisfeitos com a assinatura deste acordo porque vai-nos permitir acelerar o desenvolvimento da inovação, inteligência artificial e outras tecnologias limpas e a forma como podem ser incorporá-las na aviação”, começou por referir o CEO, Robert Miller, anunciando aos jornalistas que o objetivo é produzir estas aeronaves comercialmente para os Estados Unidos e a Europa no primeiro trimestre de 2025, no sul de Itália. No início deste ano, a Skywedler realizou o seu primeiro voo totalmente autónomo a partir da base aérea de Albacete, em Espanha.

A tecnológica prevê que no próximo ano seja possível fazer algumas alterações para melhorar o desempenho da aeronave de produção, estas incluem alterações de materiais para reduzir o peso e novas células solares para aumentar a potência e a resistência.

“O compromisso da Comissão Europeia em investir em tecnologias limpas, e soluções inovadoras nunca foi tão forte“, afirmou a Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal, Sofia Moreira de Sousa, fazendo referência ao programa de investimento da União Europeia. Por via deste mecanismo, o executivo comunitário investiu em 135 projetos de clean teach traduzindo-se num investimento total de 15,3 mil milhões de euros.

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