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"Lutar pelo clima não é crime". Manifestação no Campus de Justiça em apoio a ativistas em julgamento

Agência Lusa , CF
29 nov 2022, 18:21
Ativistas protestam no Campus da Justiça, no âmbito da detenção de um grupo de quatro ativistas no protesto do passado dia 11 de novembro, em Lisboa, 29 de novembro de 2022. Miguel A. Lopes/Lusa

"Organizámos uma campanha de solidariedade para demonstrar que não devíamos ser nós, os estudantes que estão a lutar por um futuro, a estar no banco dos réus", explica uma das porta-vozes dos cerca de 30 manifestantes

Cerca de 30 pessoas estão concentradas no Campus de Justiça, em Lisboa, em apoio a quatro estudantes que estão a ser julgados depois de terem ocupado a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa num protesto contra os combustíveis fósseis.

Ao som de assobios e gritos de ordem como “lutar pelo clima não é crime”, “prendam o ministro, não as ativistas” ou “não estão sozinhas”, os estudantes entraram para a sessão de julgamento cerca das 14:30.

Na rua em frente ao edifício F do Campus de Justiça, onde funciona o Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, cerca de 30 pessoas manifestam solidariedade às ativistas, empunhando cartazes, entoando gritos de ordem e segurando uma faixa branca com letras vermelhas onde está escrito "não estão sozinhas".

Em declarações à agência Lusa, uma das porta-vozes dos manifestantes explicou que se trata de uma forma de mostrar solidariedade com as quatro pessoas que foram detidas porque, apesar de só aquelas quatro estarem a ser julgadas, o movimento em defesa do clima congrega centenas de pessoas.

“Elas estão a ser julgadas e nós estamos aqui e organizámos uma campanha de solidariedade para demonstrar que não devíamos ser nós, os estudantes que estão a lutar por um futuro, a estar no banco dos réus”, apontou Matilde Alvim, defendendo que há uma tentativa de criminalizar a luta contra os combustíveis fósseis.

Leonor Chicó, outra manifestante, explicou que a sua solidariedade prende-se com o facto de todos estes estudantes ativistas estarem a lutar por um futuro.

“Estou aqui hoje porque não tenho outra opção senão apoiar pessoas que injustamente estão a ser acusadas de desobediência quando a legitimidade está do nosso lado, está do lado de toda uma geração e todo um grupo de pessoas que está lutar não só pelo nosso futuro, mas pelo nosso presente e que está ativamente a travar o colapso climático”, apontou.

Cerca de dez agentes da PSP estão no local, junto ao gradeamento que separa os manifestantes da entrada do tribunal.

Os quatro ativistas climáticos, detidos na Faculdade de Letras na noite de 11 de novembro, estão a ser julgados por desobediência civil.

Os quatro estudantes pertencem ao núcleo da Faculdade de Letras do movimento “Fim ao Fóssil - Ocupa!”, que ocupou duas escolas secundárias e quatro faculdades, exigindo o fim aos combustíveis fósseis até 2030 e a demissão de António Costa Silva, ministro da Economia e do Mar.

Os quatro jovens foram detidos pela polícia durante várias horas e libertados na madrugada do dia 12, tendo posteriormente, ao serem inquiridos pelo Ministério Público, recusado a suspensão provisória do processo em troca de se absterem de realizar novas ações de ocupação.

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