Angola: CNE diz que não recebeu reclamação formal da UNITA sobre resultados

27 ago, 18:03
Eleições gerais em Angola

Porta-voz da instituição diz que contagem dos votos nos círculos eleitorais não está fechada e admite alterações nos resultados eleitorais

A Comissão Nacional Eleitoral de Angola referiu este sábado não ter recebido "nenhuma reclamação formal de algum concorrente em relação aos resultados" das eleições de 24 de agosto.

Em conferência de imprensa, o porta-voz da instituição, Lucas Quilundo, admitiu que os resultados eleitorais podem sofrer "alterações". "É sempre possível, em função da magnitude do número de votos reclamados, possam ocorrer algumas alterações na tabela".

A CNE disse ainda que a contagem dos votos no círculo eleitoral nacional não está fechada. "O círculo eleitoral não está fechado porque só fica fechado com os resultados definitivos". O porta-voz não adiantou um prazo para a obtenção dos resultados definitivos, mencionando apenas a lei, que prevê um período máximo de 15 dias, prazo que considera "absolutamente confortável".

"Vamos ter resultados finais quando plenário da CNE estiver em posse de todos os relatórios relativamente aos votos reclamados nas mesas de voto", explicou o porta-voz, que vincou que o processo de apreciação das reclamações é um "dever legal da CNE" que tem de ser cumprido independentemente do partido que contesta.

Quanto à proposta da UNITA, de criação de uma comissão internacional para averiguar os resultados eleitorais, a CNE referiu que, "como órgão do Estado, não pode agir fora das instituições existentes".

O porta-voz da Comissão Eleitoral negou também que a instituição tenha ameaçado alguns dos seus comissários com processos disciplinares, após estes terem denunciado a violação do princípio de colegialidade no que diz respeito ao acesso ao centro de escrutínio, onde são apurados os resultados. "Todos os comissários têm acesso livre e credenciais em igualdade de circunstâncias. Se são membros da CNE e têm uma credencial, onde está o impedimento do acesso? Não há qualquer impedimento".

Esta sexta-feira, o candidato da UNITA, Adalberto Costa Júnior, afirmou que o partido não reconhece os resultados das eleições da última quarta-feira. "Não existe a menor dúvida em afirmar, com toda a segurança, que o MPLA não ganhou as eleições do dia 24 de agosto. A UNITA não reconhece os resultados provisórios divulgados pela CNE".

Costa Júnior garantiu que havia "discrepâncias brutais" do número de mandatos atribuídos pela CNE à UNITA face aos dados que o próprio partido recolheu. O candidato presidencial destacou três províncias, Luanda, Moxico e Cuanza Sul, como exemplos da diferença dos números apresentados pela CNE e os que a UNITA assegura serem os fidedignos.

No caso do círculo eleitoral da capital, as atas síntese na posse da UNITA revelam que o partido obteve 1.417.447 votos, o que corresponde a 70% dos votos. Estes dados contrariam os da CNE, que adiantam que o partido fundado por Jonas Savimbi obteve 1.230.217 votos, cerca de 137 mil votos a menos, o que corresponde a 62,59% do total dos votos no círculo eleitoral de Luanda.

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