FC Porto "vive agarrado, por gratidão, a uma gestão sem rumo". Villas-Boas apresenta candidatura com críticas a Pinto da Costa

António Guimarães , com Lusa
17 jan 2024, 21:17

Antigo treinador ainda elogiou o atual presidente, mas reclama um "tempo de mudança"

"Sou candidato à presidência do FC Porto". Foi desta forma que André Villas-Boas, outrora treinador dos dragões, anunciou a candidatura à presidência do clube do coração, confirmando a perspetiva de uma corrida contra Jorge Nuno Pinto da Costa, ainda que o atual presidente dos azuis e brancos não tenha confirmado uma recandidatura.

André Villas-Boas, ex-treinador da equipa principal de futebol, lançou, assim, a candidatura à presidência do FC Porto, juntando-se ao empresário Nuno Lobo nas eleições para os órgãos sociais do clube, que deverão decorrer em abril.

A partir da Alfândega do Porto, onde juntou nomes importantes como a viúva de José Maria Pedroto ou os antigos jogadores Jorge Costa, Maniche, Helton ou Nuno Valente, André Villas-Boas afirmou que este passo tem um "único propósito, o de servir o FC Porto".

"Sou candidato porque quero um Porto mais forte, porque quero um Porto mais competitivo, porque quero um Porto mais vencedor, porque quero um Porto dos sócios e para os sócios", reiterou, na apresentação da candidatura que tem o mote "Só há um Porto".

André Villas-Boas atirou-se rapidamente àquilo que entende ser a atual má gestão financeira. O antigo treinador lembrou a faturação da SAD, mas também o passivo de 500 milhões de euros e a dívida de 310 milhões de euros. "Temos a nossa capacidade competitiva ameaçada, as nossas contas entraram em total descontrolo", afirmou, dizendo que o clube "não foi capaz de acautelar as condições financeiras para a sua sustentabilidade".

"Vive agarrado, por gratidão, a uma gestão sem rumo e sem nexo", vincou, ainda que garantindo que os portistas devem estar sempre gratos a Jorge Nuno Pinto da Costa, mas disse que "é tempo de mudança".

André Villas-Boas, de 46 anos, passou pelo comando técnico do FC Porto em 2010/11 e arrebatou quatro competições, entre as quais a I Liga portuguesa e a Liga Europa, que representa a última das sete conquistas internacionais da história dos ‘azuis e brancos’.

Iniciada na Académica (2009/10), a carreira de treinador principal passou também pelos ingleses do Chelsea (2011/12) - numa época em que os ‘blues’ venceram a primeira Liga dos Campeões do seu historial e uma Taça de Inglaterra - e do Tottenham (2012-2013).

Seguiram-se experiências com o Zenit São Petersburgo (2014-2016), no qual venceu um campeonato, uma Taça da Rússia e uma Supertaça, com os chineses do Shangai SIPG (2016-2017) e com os franceses do Marselha (2019-2021), último clube por si orientado.

Antes desse percurso nos bancos, André Villas-Boas assumiu funções de observador no FC Porto, integrando as equipas técnicas do já falecido inglês Bobby Robson e de José Mourinho - com quem trabalhou igualmente no Chelsea e nos italianos do Inter Milão - e teve uma breve passagem como diretor técnico da seleção das Ilhas Virgens britânicas.

Técnico mais jovem de sempre a arrebatar uma prova europeia, o detentor do Dragão de Ouro de treinador do ano em 2011 junta-se agora a Nuno Lobo, candidato derrotado em junho de 2020, nas eleições do FC Porto rumo ao quadriénio 2024-2028, cuja data ainda será marcada pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral (AG), José Lourenço Pinto.

Pinto da Costa, de 86 anos, ainda não revelou se concorrerá a um 16.º mandato seguido, numa fase em que é o dirigente com mais títulos e longevidade do futebol mundial, tendo sido eleito pela primeira vez como 33.º presidente da história do clube em abril de 1982.

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