O debate destruidor entre a “direita mariquinhas” e o “quarto pastorinho de Fátima que não tem noção”: André Ventura contra Francisco Rodrigues dos Santos

12 jan, 19:57

Propostas ouviram-se poucas mas as acusações de carácter entre Francisco Rodrigues dos Santos e André Ventura multiplicaram-se no confronto na CNN Portugal. Foi o debate mais ruidoso da pré-campanha - com o CDS-PP a vincar um adversário capaz de tudo e o Chega a traçar um rival sem coragem para nada

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Valeu de tudo para vincar as diferenças: ligações clubísticas, ensinamentos religiosos, escolhas partidárias e adjetivos insultuosos. Ventura foi o primeiro a ditar o registo do confronto mas Francisco Rodrigues dos Santos subiria o tom, metralhando acusações num registo semelhante ao que popularizou o rival.

E por onde é que tudo começou? Pelo apoios sociais, em especial o Rendimento Social de Inserção (RSI), uma das armas preferidas do líder do Chega para debater o "parasitismo social". “[Falamos] daqueles que há anos vivem à conta dos nossos impostos. É isso que o CDS deixou de dizer há muito tempo.” Mas o ataque mais violento ao adversário só chegaria após uma breve incursão pela experiência de Ventura como candidato pelo PSD à Câmara de Loures: o CDS, então liderado por Assunção Cristas, rompeu a coligação com os sociais-democratas prevista para aquela autarquia. Agora, o líder do Chega diz que isso aconteceu por causa das acusações que fez à comunidade cigana. Para concluir: “Não queremos ser a direita mariquinhas que tem medo de tocar em todos os pontos”. E gostou tanto da própria expressão que haveria de a repetir para falar da “direita mais mariquinhas da Europa”. O termo repetiu-se ainda mais vezes.

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E foi aí que Francisco Rodrigues dos Santos começou a soltar a longa lista de acusações de carácter ao líder do Chega - mostrando que os dois partidos, apesar de estarem à direita, muito têm a separá-los. “André Ventura não é de todo a minha direita. Hoje venho marcar o espaço da integridade de uma direita democrata-cristã. O André Ventura preside a uma interjeição. É um cata-vento do sistema político que lhe permite fazer mais barulho. É a caricatura da direita que interessa à esquerda.”

Sobre os apoios sociais, Chicão - como é conhecido - haveria apenas de apelar ao “escrutínio a sério” contra a ideia “generalizada” de Ventura de que quem recebe o RSI são “bandidos”. E seguiu nas acusações, com o debate a baixar de nível a cada segundo. Interrupções, gritos, bocas enquanto o rival falava ou tratamentos por “tu” foram só alguns dos exemplos.

Mas, perante um adversário que diz ser escolhido por Deus, Francisco Rodrigues dos Santos não perdeu a oportunidade de lembrar os ensinamentos católicos que o Chega parece esquecer com as suas posições - até o Papa foi citado, para realçar a necessidade de acolher bem os refugiados. “Ponha-os em sua casa”, reagiu Ventura. A este ponto do campeonato, Francisco Rodrigues dos Santos já não se conteve: “Você disse que é o quarto pastorinho de Fátima: não tem noção do ridículo”. Para ver o deputado único a ripostar uma vez mais: “Lições de catolicismo você dá lá em casa”.

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Debate, marcado por acusações de parte a parte, foi transmitido pela CNN Portugal (Foto: Armanda Claro / Media Capital)

Corrupção junta Vieira e Varandas à guerra

O confronto entre Francisco Rodrigues dos Santos, “a bengala rejeitada do PSD”, e André Ventura, “o rei da bazófia”, acabaria por ver poucas (ou quase nenhumas) propostas concretas a serem discutidas de parte a parte. Mas houve um tema em que ambos fizeram questão de perder largos minutos: a corrupção.

“O André Ventura é contra a corrupção quando não é com os amigos dele”, começou o centrista. E, de imediato, lembrou os “milhões” que Luís Filipe Vieira – ex-presidente do Benfica, o clube do rival – ficou a dever ao Novo Banco. “Tem de pagar”, respondeu imediatamente Ventura.

Depois, no tempo de resposta, o presidente do Chega havia de recuperar outro líder desportivo. “Não fui eu que estive na direção do Benfica. Você esteve na direção do Sporting. Era político e estava na direção de Frederico Varandas. Se há cambalacho é aí para o vosso lado”, atirou.

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Seguiram-se depois acusações sobre quem menos fez para aprovar medidas contra a corrupção. Ventura procurou colar o CDS-PP ao PS, com quem “votou 1.798 vezes”. “O CDS de Paulo Portas teria vergonha do CDS de Rodrigues dos Santos”, reforçou.

Todavia, mal teve oportunidade, Chicão lembrou os casos de Justiça a que o adversário está ligado. “Eu tenho a ficha limpa, o André Ventura está completamente enlameado em casos de corrupção”. E o outro lado, como habitual, não se ficou: “o André Ventura não é suspeito de caso nenhum, já o CDS tem uma série de autarcas condenados por corrupção”.  

Líder do CDS-PP fez questão de vincar as diferenças (Foto: Armanda Claro / Media Capital)

O “fanático” e o “menino mal preparado” a acenar a Rio

Francisco Rodrigues dos Santos havia ainda descrever o Chega como um partido “de fanáticos, unipessoal, que não dá estabilidade em lado nenhum”. E, para prová-lo, socorreu-se da escolha de Pedro Arroja como mandatário nacional, que “defende coisas misóginas, xenófobas e racistas”. Na questão do racismo, Chicão fez mesmo questão de alterar o lema do Estado Novo apropriado pelo Chega: “São a direita do adeus, pátria, família”- um adeus que significa “vão para as vossas terras”.

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“Sou um fanático pelos portugueses, por combater a corrupção”, voltaria Ventura, perante um rival que classificou como “um menino mal preparado, que nem conseguiu explicar o que é o período de nojo” para os titulares de cargos públicos. “Nojo devia ter você”, respondeu Chicão no momento.

Mas, apesar da troca de galhardetes, a fase final do debate traria um ponto em comum: Rui Rio. O presidente do CDS-PP reforçou que está disposto a acordos se o social-democrata, entre outros, travar a eutanásia e avançar com apoios à natalidade. Já Ventura rejeitou soluções como a dos Açores e prometeu avaliar “caso a caso”. “Só há acordo com presença no Governo”, garantiu uma vez mais.

André Ventura lembrou passado do CDS-PP para mostrar as atuais fragilidades (Foto: Armanda Claro / Media Capital)

 

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