Armando Pereira detido após buscas na Altice

Henrique Machado , notícia atualizada às 13:31
14 jul 2023, 10:56

Altice Portugal foi alvo de buscas por suspeitas de crimes como falsificação, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada

Armando Pereira, responsável da Altice Europa, ficou detido e deveria ser presente esta sexta-feira ao juiz Carlos Alexandre no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, apurou a CNN Portugal. 

No entanto, a greve de funcionários judiciais, que deixou o Tribunal de Instrução Criminal inoperacional esta sexta-feira, deverá levar ao adiamento do interrogatório de Armando Pereira para sábado. Prevê-se, assim, que o responsável da Altice Europa passe mais uma noite detido no Estabelecimento Prisional anexo à PJ, antes de ser presente ao juiz Carlos Alexandre.

A CNN Portugal sabe que o empresário Hernâni Vaz Antunes, que tem ligações ao caso, está a ser procurado pelas autoridades, até porque não foi localizado durante as buscas da Autoridade Tributária. O empresário arrisca mesmo a ser detido, sendo suspeito da coautoria de crimes com Armando Pereira. Apesar de estar ausente de casa, o empresário está no país, de acordo com as informações recolhidas pelo Ministério Público.

A Autoridade Tributária e o procurador Rosário Teixeira, do DCIAP, realizaram uma grande operação na quinta-feira que tinha como alvos alguns dos mais altos responsáveis da Altice em Portugal. Em causa, suspeitas de crimes como falsificação, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada. 

Um dos negócios que se encontra sob suspeita está alegadamente ligado à venda de quatro prédios em Lisboa por cerca de 15 milhões de euros. Os compradores dos edifícios têm ligações a um circuito empresarial que foi montado em Braga, na Zona Franca da Madeira e no Dubai, com um esquema para circulação de capitais e devolução dos mesmos aos vendedores, resultando em prejuízos para a Altice Internacional e para o Estado.

De acordo com uma nota divulgada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) do Ministério Público (MP), além das buscas na sede da empresa, em Lisboa, foram "realizadas várias dezenas de buscas domiciliárias e não domiciliárias em diversas zonas do país”, numa ação que contou também com o apoio da PSP.

Entretanto, fonte oficial da empresa tinha confirmado à Lusa que a Altice Portugal “foi uma das empresas objeto de buscas pelas autoridades em cumprimento de mandado do Ministério Público no âmbito de processo de investigação em curso”.

Segundo a mesma fonte, a dona da Meo garantiu estar “a prestar toda a colaboração que lhe é solicitada”, reiterando que “estará sempre disponível para quaisquer esclarecimentos”.

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