Os alimentos ultraprocessados já não são considerados "hiperpalatáveis"

27 nov 2023, 14:17
Comida processada (Pexels)

Estudo revela que alimentos com maiores níveis de processamento não são os mais apreciados ou desejados. Já os alimentos mais doces ou mais salgados podem ser mais apreciados e desejados

Os alimentos ultraprocessados já não são vistos como mais apelativos do que os menos processados. De acordo com um estudo da Universidade de Bristol, citado pelo The Guardian, o sabor de diferentes tipos de alimentos foi analisado para testar a teoria de que as calorias e o nível de processamento são fatores-chave que influenciam o quanto gostamos e queremos comer aqueles alimentos.

Os resultados analisados por Peter Rogers, autor do estudo, revelaram que os dados "desafiam o pressuposto de que os alimentos ultraprocessados são 'hiperpalatáveis'.

"Parece estranho que isto não tenha sido diretamente testado antes", afirmou Rogers.

O estudo contou com 224 voluntários a quem foram apresentadas imagens a cores de 24 a 32 alimentos entre os quais abacate, uvas, castanhas de caju, camarões, azeitonas, queques de mirtilo, pão, pepperoni e gelados, sendo que todos os alimentos tinham calorias diferentes, assim como níveis de processamento e de hidratos de carbono/gordura.

Os participantes tinha de classificar - enquanto se imaginavam a provar - os alimentos pelo gosto, vontade de comer, se os alimentos eram doces ou salgados.

Os resultados do estudo, publicados na revista Appetite, mostraram que, em média, os alimentos com maiores níveis de processamento não eram os mais apreciados ou desejados. Já os alimentos mais doces ou mais salgados eram os mais apreciados e desejados.

"Embora o ultraprocessamento não tenha previsto de forma fiável o gosto no nosso estudo, o rácio hidratos de carbono/gordura dos alimentos, o teor de fibra alimentar e a intensidade do sabor fizeram-no - na verdade, em conjunto, estas três características representaram mais de metade da variabilidade do gosto dos alimentos que testámos. A nossa sugestão é que os seres humanos estão programados para aprender a gostar de alimentos com quantidades mais iguais de hidratos de carbono e de gordura e com menores quantidades de fibra, porque esses alimentos satisfazem menos por caloria. Por outras palavras, valorizamos mais as calorias do que a saciedade", explicou Rogers.

Estudos recentes associaram comidas processadas como gelados, refrigerantes e refeições prontas a problemas de saúde (risco acrescido de cancro, aumento de peso e doenças cardíacas). No entanto, outros estudos concluíram que algumas dessas comidas, como pão e cereais, são benéficos para a saúde.

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