EUA anunciam libertação de aliado de Maduro. Venezuela vai libertar 36 prisioneiros em troca

20 dez 2023, 14:15
Alex Saab

Acordo surge apesar da ausência de medidas pedidas pelos Estados Unidos para garantir eleições livres na Venezuela

Os Estados Unidos vão libertar um aliado próximo do presidente da Venezuela, avança a agência Associated Press.

A administração de Joe Biden vai dar ordem para a libertação de Alex Saab, considerado próximo de Nicolás Maduro, e que foi detido nos Estados Unidos em 2020, por suspeitas de lavagem de dinheiro.

Em troca, e de acordo com a mesma agência, a Venezuela vai libertar 36 cidadãos estrangeiros, incluindo 12 norte-americanos que estão detidos no país.

Nos últimos dias tinham sido arquivados registos que estavam sob registo no processo criminal contra Alex Saab, que há muito estava parado no tribunal federal de Miami. Essa era já, segundo os meios de comunicação norte-americanos, uma indicação de que algo estava a ser preparado.

Há muito que os Estados Unidos acusam o homem de ser próximo de Nicolás Maduro. A libertação de Alex Saab nunca aconteceria antes de uma grande concessão do presidente venezuelano, o que agora acontece. Recorde-se que o próprio Nicolás Maduro tem pendente um mandado de captura por crimes relacionados com tráfico de droga nos Estados Unidos, que oferecem uma recompensa de quase 15 milhões de dólares a quem ajude a trazer o chefe de Estado venezuelano à justiça.

Este acordo deve agora enfurecer a oposição venezuelana, que tem criticado a Casa Branca pela ausência de avanços na luta contra o líder do país sul-americano.

Em outubro, por exemplo, a administração Biden aliviou as sanções impostas à indústria petrolífera venezuelana, que representa grande parte das receitas do país. Esse mesmo alívio vinha com uma condição: que Nicolás Maduro abrisse caminho a eleições livres e justas em 2024, sendo que o prazo para isso acontecer já expirou, mas pouco foi feito nesse sentido, até porque a principal opositora do regime, María Corina Machado, continua impedida de concorrer.

Entre os norte-americanos libertados estão dois antigos militares, Luke Denman e Airan Berry, que estiveram envolvidos numa tentativa de destituir Nicolás Maduro em 2019. Também estão detidos Eyvin Hernandez, Jerrel Kenemore e Joseph Cristella, acusados de entrar ilegalmente no país vindos da Colômbia. Mais recentemente, a Venezuela prendeu Savoi Wright, um empresário de 38 anos da Califórnia.

Quanto a Alex Saab, hoje com 51 anos, foi retirado de um jato privado durante uma paragem para abastecimento de combustível em Cabo Verde, a caminho do Irão, para onde foi enviado para negociar acordos petrolíferos em nome do governo de Nicolás Maduro. As acusações são as seguintes: conspiração para cometer lavagem de dinheiro ligada a um esquema de suborno que alegadamente desviou quase 350 milhões de euros através de contratos estatais para a construção de habitações económicas para o governo da Venezuela.

O governo venezuelano tem insistido que Alex Saab estava a viajar para o Irão para comprar alimentos e material médico quando foi detido em Cabo Verde. O homem já havia sido sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por supostamente comandar um esquema que incluía o círculo íntimo de Nicolás Maduro e roubou centenas de milhões de dólares de contratos de importação de alimentos numa época de fome generalizada, principalmente devido à escassez no país sul-americano.

E.U.A.

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