Líder do Partido Popular espanhol diz partilhar "muitos pontos" da política do Governo português

Agência Lusa
25 out, 17:33
Alberto Núñez Feijóo (Getty Images)

"Penso que o Governo português é um governo social-democrata, aquele que não é social-democrata é o Governo espanhol", afirmou

O presidente do Partido Popular espanhol (PP, conservador), Alberto Núñez Feijóo, disse esta terça-feira que partilha "muitos pontos" com a política social-democrata que segue o governo português, liderado pelo socialista António Costa.

Núñez Feijóo destacou que "em Portugal não há imposto de sucessão, de doações ou sobre o património", que foi anunciada recentemente uma redução dos impostos sobre os rendimentos singulares (IRS) e que "há uma política de captação de investimento e de pessoas que queriam viver em Portugal".

"Penso que é uma política social-democrata com que partilhamos muitos pontos", afirmou o líder do maior partido da oposição espanhola, durante um encontro com jornalistas da imprensa estrangeira acreditada em Espanha, entre os quais, a agência Lusa.

Feijóo referiu por diversas vezes o Governo do português - a par de outros, como o alemão - para criticar o executivo espanhol, do socialista Pedro Sánchez.

Uma dessas referências foi o acordo sobre salários alcançado este mês em Portugal entre o Governo e parceiros sociais, que Feijóo disse não conhecer "em detalhe", mas lhe parecer "uma receita muito mais adequada do que a falta de planeamento e a improvisação do primeiro-ministro espanhol", que "governa semana a semana".

"Penso que o Governo português é um governo social-democrata, aquele que não é social-democrata é o Governo espanhol", afirmou.

Para Feijóo, o Governo espanhol "não faz o que fazem os governos sociais-democratas, que é chegar a acordos com a oposição", "respeitar as instituições" ou "manter a unidade da nação e do Estado", preferindo governar com o apoio parlamentar de partidos independentistas bascos e catalães, "que não querem a nação e o estado", e adotar "políticas económicas que não dão segurança jurídica, fiscal e para atração de investimento".

"Não é a política social-democrata que vejo noutros países da Europa" e do partido socialista espanhol (PSOE) anterior ao de Pedro Sánchez, sobretudo, o de Felipe González, afirmou Feijóo.

O líder do PP tem sido acusado em Espanha, pela esquerda, de ter uma proposta para a economia espanhola que passa por descidas de impostos semelhantes às da ex-primeira-ministra britânica Liz Truss, que acabou por recuar face a uma reação negativa dos mercados financeiros.

Feijóo rejeitou a acusação e disse que a sua proposta em relação aos impostos é de descidas "seletivas, temporárias e para rendimentos médios e baixos", financiadas por cortes na despesa pública relacionada com os gastos do funcionamento da máquina do Estado e com o aumento de receita fiscal por causa da inflação.

"A nossa redução de impostos já foi feita noutros países, como a Alemanha, que reduziu o IVA a zero em determinados produtos alimentares durante a covid-19", afirmou, acrescentando que a proposta do PP é, "realmente", um pacto para os salários em que seja distribuído "o sacrifício" exigido pela crise, "em que se concretize quanto vão subir os salários nos próximos quatro ou cinco anos" e como se vai "aliviar a carga fiscal dos rendimentos médios e baixos durante o período da crise inflacionista e energética" e que garanta a sustentabilidade das pensões.

Núñez Feijóo lidera o PP há cerca de cinco meses e pretende candidatar-se a líder do Governo espanhol nas eleições previstas para dentro de um ano.

Segundo afirmou, tem um projeto de centro-direita e defende "a moderação", tendo como objetivo eleger um número de deputados suficiente para o PP governar sozinho, sem porém ter rejeitado a possibilidade de alianças com outros partidos quando foi questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de vir a formar uma coligação com a extrema-direita do Vox.

O PP e o VOX aliaram-se este ano pela primeira vez num governo em Espanha, no executivo regional de Castela e Leão.

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