“A dor pode permanecer o resto da vida”: apenas quem nunca teve varicela está ‘a salvo’ da zona

5 nov, 12:00
Zona

É uma doença transmissível de origem vírica. “O grande fator de risco é a idade”

O que é a Zona?

“É uma infeção causada pelo vírus da varicela, o vírus varicela zoster, do grupo Herpesvirus”, começa por explicar António Vilar, reumatologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia.

É contagiosa?

Sim, mas não por via respiratória, como acontece com o SARS-CoV-2, por exemplo. Tal como explica o site do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o contágio dá-se por “contacto direto, através do líquido das vesículas” e por “contacto indireto, por objetos contaminados, durante uma semana após o aparecimento de lesões”. O período de contágio é de duas semanas, sendo que o de incubação é de dois a quatro dias após se estar em contacto com uma pessoa infetada.

Quais os sintomas?

Apesar de as vesículas com líquido contagioso serem o sinal mais claro de zona, a doença pode começar a manifestar-se antes, tal como acontece com a varicela. “A imagem é muito típica, a pessoa sente um desconforto, como formigueiro, antes de ter as lesões”, diz o médico. A dor na parte do corpo onde as borbulhas aparecem é também um sinal de alerta, assim como a sensação de calor, a comichão, a hipo ou hipersensibilidade cutânea, a febre e os calafrios, a dor de cabeça e o desconforto abdominal.

Que partes do corpo são mais afetadas?

A zona pode aparecer em qualquer parte do corpo, mas são as zonas nervosas as mais comuns. “Há o envolvimento dos gânglios que dão sintomas por inflamação intensa das terminações nervosas, uma dor muito típica, uma sensação de queimadura e que acompanha o trajeto do nervo”, esclarece António Vilar. “Quando aparece na cara, no nervo oftálmico, [a zona] vai da testa ao final do olho, nas pernas segue o trajeto do ciático, que é muito típico”, exemplifica. 

Quem tem herpes simplex corre um maior risco de ter zona?

Apesar de o vírus varicela zoster ser do grupo herpesvirus, o médico explica que não há relação. O herpes simplex (causador do herpes labial e do herpes genital) “é um vírus diferente do vírus da zona - embora tenham aspetos semelhantes são diferentes em toda a sua configuração”.

Quais os grupos de risco?

“O grande fator de risco é a idade”, adianta António Vilar, que diz que a zona “começa a ser mais frequente acima dos 50 anos e mais ainda acima dos 75 anos”. Mas, continua, “existem doenças, sobretudo as que afetam a imunidade, e existem medicamentos que afetam a resposta imunológica, como doses altas de corticosteroides, medicamentos imunossupressores ou medicamentos imunomoduladores, usados no tratamento da artrite, e alguns fármacos no tratamento do cancro ou de certo tipo de leucemia e linfomas”, que também contribuem para a aumentar a suscetibilidade de a pessoa ter zona.

Quão comum é?

“O quão comum depende de onde se faz a amostragem. Mas hoje estima-se que o vírus da varicela zoster poderá atingir até 30% da população alguma vez na vida”, afirma António Vilar.

Pode aparecer mais do que uma vez?

“Raramente é recorrente”, assegura o médico, mas é o sistema imunitário que dita a barreira criada. “Se a pessoa tiver uma imunodeficiência, a lesão pode voltar.”

Quem nunca teve varicela pode ter zona?

Não. “Como a exposição da população ao vírus da varicela é muito grande, são esses depois que quando voltam a ser contaminados podem desenvolver zona, mas a frequência do herpes zoster é muito inferior à da varicela, também porque só ocorre nos que tiveram varicela”, esclarece o médico.

Que complicações podem surgir depois da zona?

A complicação mais frequente “é a persistência da dor, é um desconforto muito grande, a pessoa pode sentir picada ou queimadura durante meses ou anos”. “É aquilo que chamamos 'nevralgia pós-herpética', uma dor de origem nervosa que aparece após o herpes. Aparece mais nas pessoas de mais idade”, afirma António Vilar, que adianta ainda que “pode haver complicações neurológicas mais raras, com meningite e encefalite, está descrito”. “Em 20% dos casos, a dor pode permanecer o resto da vida - aquela sensação de queimadura, picadas, pontas de fogo”. “Em pessoas imunocompetentes, as crostas duram sete a dez dias e depois ocorre a cicatrização, mas podem ficar uma lesão pigmentada, de baixa coloração ou hiperpigmentada”, mas “nos indivíduos imunocomprometidos há uma superinfeção da pele - onde está o vírus abre-se a porta a uma bactéria”, o que pode dificultar e atrasar a recuperação.

Como é feito o tratamento?

“O tratamento é feito com antivirais da família aciclovir e valaciclovir”, diz o médico, que adianta que devem ser ainda tidos os mesmos cuidados que se tem com a varicela, isto é, não tocar nas borbulhas e estar em repouso.

É possível prevenir?

“Existe uma prevenção primária, que é com a vacina”, sublinha o médico. O distanciamento de pessoas infetadas e as medidas de higiene são também formas de prevenir.

Saúde

Mais Saúde

Patrocinados