Chega retira confiança política aos vereadores de Sesimbra e Seixal. Problema: aliaram-se "ao sistema"

CNN Portugal , (atualizado com Lusa às 19:55)
21 fev, 18:28
André Ventura no Congresso do Chega (Lusa / Nuno André Ferreira)

André Ventura considerou que os dois vereadores não apresentaram “nenhuma explicação satisfatória” para a viabilização dos orçamentos da CDU, acusando-os de “complacência pessoal” e de terem cedido a “interesses obscuros”.

O Chega anunciou esta segunda-feira a retirada de confiança política aos vereadores de Sesimbra, Márcio Souza, e do Seixal, Henrique Freire, por terem feito acordos com os “partidos do sistema”.

O anúncio foi feito pelo presidente do Chega, André Ventura, em conferência de imprensa na sede nacional do Chega, que assinala que ambos os vereadores "viabilizaram orçamentos da CDU e em Sesimbra aceitaram um pelouro, o da proteção civil”, e que, por essa razão, "deixam de representar o partido e passam a ser independentes a partir de hoje”.

"E inadmissível que um vereador do Chega aceite um pelouro da CDU", vincou.

O presidente do Chega afirmou que a sua força partidária está sempre aberta para o diálogo com os restantes partidos em casos de “políticas positivas para as populações”, dando o seu exemplo pessoal enquanto deputado único na Assembleia da República, onde votou em certas propostas “ao lado do BE, PCP, PSD e PS”.

No entanto, André Ventura considerou que, nos casos de Sesimbra e do Seixal, os dois vereadores não apresentaram “nenhuma explicação satisfatória” para a viabilização dos orçamentos da CDU - que disserem serem “estruturalmente contra o espírito do partido a nível nacional” - acusando-os de “complacência pessoal” e de terem cedido a “interesses obscuros”.

Não obstante a decisão, os grupos de deputados municipais destes dois concelhos mantêm-se.

Com esta retirada de confiança política, o Chega, que tinha elegido 19 vereadores nas autárquicas, passa agora a ter 16, mas André Ventura afirmou que não crer que este tipo de dissidências também aconteça no grupo parlamentar, composto por 12 deputados.

“Escolhi este grupo parlamentar numa lógica de conhecimento pessoal, que não é possível nas autárquicas – estamos a falar de milhares de candidatos – e de total disponibilidade pessoal para aceitar desafios em nome do partido. Todas estas pessoas o fizeram, em todo eles tenho confiança e mantenho a minha confiança”, disse.

Nas últimas eleições autárquicas, em setembro de 2021, o Chega obteve 4,16%, elegendo 19 vereadores, 173 deputados municipais e 205 representantes nas assembleias de freguesia.

Em novembro, o Chega perdeu a vereação na Câmara Municipal de Moura, no distrito de Beja, após a representante eleita pelo partido, Cidália Figueira, ter passado a independente invocando “divergências políticas”.

O partido voltou a perder vereação em dezembro, desta feita na Câmara Municipal de Sesimbra, no distrito de Setúbal, depois de o representante em questão, Márcio de Souza, ter manifestado “desacordo total com a forma de atuação do partido”, passando também a independente.

Chega quer conquistar 13.º deputado pelo círculo da Europa

André Ventura adiantou ainda que o Chega vai fazer campanha em Espanha, Suíça, Bélgica, França e Reino Unido nas próximas semanas para eleger o 13.º deputado pelo círculo da Europa, uma vez que o Chega ficou em terceiro lugar neste círculo eleitoral.

O presidente do Chega tem prevista uma reunião com o presidente do VOX, Santiago Abascal, esta quarta e quinta-feira em Madrid. Na próxima semana, Ventura ruma a Paris para uma reunião com Marine Le Pen e para um comício conjunto com franceses e emigrantes portugueses.

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