Maduro oficializa recandidatura à presidência da Venezuela com acusações à oposição

Agência Lusa , MJC
25 mar, 22:13
Nicolas Maduro anuncia recandidatura presidencial (AP)

Eleições realizam-se a 28 de julho. Nicolás Maduro aproveitou para acusar a oposição de pretender entregar a Venezuela aos norte-americanos

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do regime) formalizou esta segunda-feira a candidatura de Nicolás Maduro às eleições presidenciais de 28 de julho, nas quais concorre a um terceiro mandato de seis anos.

A candidatura foi apresentada ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) pelo vice-presidente do PSUV, Diosdado Cabello, um ato transmitido em direto pela televisão estatal venezuelana, com milhares de simpatizantes de várias partes do país presentes no local, na capital Caracas. “Hoje vim não só escrever o meu nome, mas escrever um sonho de pátria, vim convidar-vos a continuar a sonhar e a transformar a nossa realidade, a avançar para o futuro. Esta não é uma eleição para uma cor, um nome ou um homem, o que vamos eleger no dia 28 de julho é o direito ao futuro, à existência, à vida, à independência, a ter uma pátria”, disse Nicolás Maduro, uma vez apresentada a candidatura.

Maduro aproveitou para acusar a oposição de pretender entregar a Venezuela aos norte-americanos. Os opositores, “submissos ao imperialismo, todos eles lacaios da direita, são o anti-projeto, são uma escaramuça”, disse. “Nunca tiveram um projeto para o país, mas ambições pessoais, interesses económicos, que querem satisfazer a qualquer preço, para entregar o nosso país ao império norte-americano”, adiantou.

Segundo a imprensa local, Nicolás Maduro, foi o décimo político venezuelano a formalizar a sua candidatura às presidenciais de 28 de julho, poucas horas antes de terminar o prazo para a apresentação de candidaturas.

Hoje, a professora venezuelana Corina Yoris acusou o Conselho Nacional da Venezuela de impedir a sua candidatura às eleições presidenciais e instou as autoridades locais a respeitar os seus direitos e dos venezuelanos. Escolhida pela oposição para substituir Maria Corina Machado, que em outubro de 2023 ter ganhou as eleições primárias mas foi desqualificada pelas autoridades locais para exercer cargos públicos, Corina Yoris insistiu, durante uma conferência de imprensa em Caracas, que é a candidata da Plataforma Unitária Democrática (PUD, oposição) e de “uma grande parte da população” venezuelana que quer uma mudança política no país.

A opositora explicou que esgotou todos os meios ao seu alcance para tentar resolver esta situação e que tem tentado apresentar as suas reclamações na sede do CNE, mas acusou aquele organismo de estar “tomado por militares que não permitem o acesso”. Corina Yoris acusou também Nicolás Maduro de desrespeitar a Constituição da Venezuela.

Entretanto, a Igreja Católica venezuelana pediu hoje igualdade de direitos e de condições para todos aqueles que pretendam concorrer às eleições presidenciais de julho, lamentando que estejam a ser cometidos muitos erros no período que antecede o escrutínio. “Estão a ser cometidos muitos erros que não nos ajudam a ter um clima de paz (…), que haja regras claras e que sejam aplicadas a todos por igual”, afirmou o arcebispo de Caracas, Monsenhor Baltazar Porras.

Os Governos da Argentina, Costa Rica, Equador, Guatemala, Paraguai, Peru e Uruguai expressaram hoje “grave preocupação” com os “persistentes impedimentos” na inscrição no Conselho Nacional Eleitoral dos candidatos presidenciais da Venezuela. Num comunicado conjunto, os sete países da América Latina declararam que tal situação e as anteriores desqualificações de candidatos da oposição venezuelana aumentam as dúvidas “sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral”.

“Até agora, os maiores partidos da oposição venezuelana – Mesa da Unidade Democrática (MUD) e Um Novo Tempo (UNT) - não puderam inscrever a sua candidata, Corina Yoris, para os representar nas próximas eleições presidenciais. Esta situação, juntamente com as anteriores desqualificações que foram do domínio público, levanta questões sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral no seu conjunto", sublinham no texto.

Segundo os Estados signatários do documento, tais restrições “impedem o avanço para eleições que permitam concretizar um processo de democratização” na Venezuela. Exortam, assim, a que a situação “seja reconsiderada”, para que, no final do período de candidaturas, “as cidadãs e os cidadãos que cumprem os requisitos consagrados na Constituição venezuelana consigam ser devidamente inscritos, a fim de que o povo irmão venezuelano possa eleger livremente o seu próximo Governo”.

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