Infografia: os receios da Rússia em relação à NATO explicados num mapa

17 fev, 15:59
Posto transfronteiriço de Zhuravlivka, na Ucrânia. Esta passagem para a Rússia está encerrada desde 2020. Foto: Vyacheslav Madiyevskyy/ Ukrinform/Future Publishing via Getty Images

A NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) é um ponto fulcral na discórdia entre a Rússia e a Ucrânia. Criada em em 1949 com 12 países, tem vindo a crescer para leste numa expansão que Moscovo sente como um cerco

1. A NATO e o Pacto de Varsóvia

Criada em 1949 por 12 países fundadores (entre os quais Portugal), a NATO nasceu como uma aliança militar. Os membros comprometeram-se a auxiliar-se mutuamente caso algum deles fosse atacado. Os países fundadores foram os Estados Unidos, o Canadá e um conjunto de países situados sobretudo no oeste e centro da Europa: Bélgica, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal e Reino Unido.

Poucos anos depois, em 1955, a então União Soviética fundou a sua própria aliança militar com o Pacto de Varsóvia, assinado com os países socialistas de leste: a Albânia, a Bulgária, a Checoslováquia, a República Democrática da Alemanha, a Hungria, a Polónia e a Roménia.

Ao longo dos anos, outros países foram-se juntando à NATO: Grécia, Turquia, República Federal da Alemanha e Espanha. O Pacto de Varsóvia, pelo contrário, perdeu influência com o declínio da União Soviética e acabou por se dissolver em 1991.

Este era o mapa das alianças militares na Europa antes do fim da União Soviética, no final de 1991:

Legenda: a azul estão os países pertencentes à NATO em 1991, a vermelho os países que assinaram o Pacto de Varsóvia.

2. Uma promessa quebrada

Com a queda da União Soviética, a NATO continuou a sua expansão para o leste da Europa. 14 países juntaram-se à aliança militar entretanto. Em 1999, três países que tinham feito parte do Pacto de Varsóvia juntam-se à aliança transatlântica: Checoslováquia, Hungria e Polónia. Nos anos seguintes, também se lhes juntaram a Bulgária, a Estónia, a Letónia, a Lituânia, a Roménia, a Eslováquia, a Eslovénia, a Albânia, a Croácia, o Montenegro e a Macedónia do Norte.

Esta expansão é vista por Moscovo como a quebra de uma promessa feita no final da Guerra Fria pelo então secretário de estado norte-americano James Baker ao líder soviético, Mikhail Gorbachev. Putin alega que na altura ficou prometido que a NATO não sei ira expandir para o leste da Europa.

Não há apenas uma versão do que foi falado na altura, mas o que se sabe é que não há nenhum acordo escrito com este princípio. O acordo final assinado entre a Rússia e o ocidente em Setembro de 1990 refere apenas o território da antiga República Democrática Alemã.

Em baixo, mostramos o mapa da Europa em 1999, ano em que o último país que fazia parte do Pacto de Varsóvia, sem contar com a Rússia, se junta à NATO. A azul estão os países pertencentes à NATO, a vermelho aqueles que, embora independentes, continuavam sob influência russa.

3. A questão ucraniana

A alegada quebra de promessa tem sido referida ao longo dos anos pelos líderes soviéticos. Para além de Putin, também Yeltsin, em 1993, invocou esta falta ao então presidente norte-americano Bill Clinton. O ano passado, no entanto, a perspectiva de uma nova expansão da NATO contribuiu para esta escalada de tensão. A aliança transatlântica reconheceu oficialmente três novos aspirantes a membros, assinalados a amarelo no mapa em baixo: Bósnia, Geórgia e Ucrânia.

Pela dimensão do país e também pela sua localização, a Ucrânia é alvo de uma atenção acrescida por parte das autoridades russas. Já em 2014, altura em que a Rússia anexou unilateralmente a província ucraniana da Crimeia, foi uma tentativa de aproximação à União Europeia que espoletou a ação militar. No ano interior, a capital ucraniana, Kiev, encheu-se de manifestações pró-europeias depois do presidente Yanukovych se ter recusado a assinar um acordo de associação com a UE.

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