Zelensky diz que Rússia sofreu "perdas sem precedentes". Moscovo espera que guerra termine com "garantias de segurança" - o resumo desta madrugada

20 mar, 07:15

A madrugada deste domingo foi marcada pelas intervenções políticas. Se a Ucrânia continua a acusar a Rússia de "terror", Moscovo insiste na neutralização de Kiev. Assim entra a guerra no 25º dia

O presidente ucraniano afirmou esta madrugada que as forças russas sofreram “perdas sem precedentes” e que algumas unidades russas foram "destruídas entre 80 a 90%". "Os ucranianos provaram que podem lutar mais profissionalmente do que um exército que faz guerras há décadas em várias regiões e condições. Respondemos com sabedoria e coragem ao grande número de equipamentos e soldados enviados para a Ucrânia", referiu Volodymyr Zelenksy na mensagem diária publicada no Facebook, mudando, de seguida de ucraniano para russo para dizer que as áreas onde ocorreram combates pesados estão "cheias de cadáveres de soldados russos".

Também na mensagem, Zelensky considerou que o cerco russo a Mariupol "ficará na história por crimes de guerra”, mas que “é necessário” continuar as negociações com Moscovo: "Fazer o que os invasores fizeram com uma cidade pacífica é um terror que será lembrado nos próximos séculos" e "quanto mais a Rússia usar o terror contra a Ucrânia, piores serão as consequências", afirmou o governante, adiantando que mais de 4.000 moradores de Mariupol conseguiram partir para Zaporizhzhya no sábado.

De acordo com líder ucraniano, oito corredores humanitários operaram no sábado e um total de 6.623 pessoas foram resgatadas de Mariupol. O líder ucraniano disse, no entanto, que não foi possível retirar os habitantes de Borodyanka, na região de Kiev, devido aos bombardeamentos russos."Infelizmente, não foi possível entregar ajuda humanitária às cidades da região de Kherson", acrescentou.

"As negociações com a Rússia não são nem simples nem agradáveis, mas são necessárias”, afirmou Zelensky.

Ainda sobre Mariupol, ao início da manhã de domingo o autarca da cidade garantiu que uma escola de artes onde se tinham refugiado cerca de 400 pessoas foi bombardeada pelas tropas russas. A informação não foi ainda confirmada pelas agências de notícias no terreno, mas segundo a autarquia haverá pessoas debaixo dos escombros. 

No lado oposto, a Rússia espera que a sua operação militar na Ucrânia termine com um "acordo abrangente" sobre questões de segurança e com a Ucrânia a concordar com a posição neutral, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, este sábado. Em conferência de imprensa, Lavrov disse que Moscovo está "pronta" para tentar "garantias de segurança" e "coordená-las para a Ucrânia, para os europeus e, claro, para nós mesmos além da expansão do tratado do Atlântico Norte".

Lavrov acredita também que a cooperação da Rússia com a China “ficará mais forte” diante das sanções ocidentais porque “no momento em que o Ocidente está descaradamente a minar todas as bases sobre as quais o sistema internacional se baseia, nós – como duas grandes potências – precisamos pensar em como continuar neste mundo.

Eis que precisa saber no início deste 25º dia de guerra:

  • O autarca de Mariupol revelou que uma escola de artes que abrigava cerca de 400 pessoas da guerra foi bombardeada na noite de sábado pelas forças russas. Até ao momento, a informação não foi confirmada pelas agências internacionais e não há informação sobre eventuais vítimas.
  • A Polónia propôs que a Europa implemente uma proibição total do comércio com a Rússia, declarou o primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki.
  • A Rússia, através do porta-voz do Ministério da Defesa, Igor Konashenkov, admitiu pela primeira vez o uso de mísseis hipersónicos em contexto de guerra. De acordo com Konashenkov, os mísseis foram usados para destruir um depósito de mísseis e munições perto de Ivano-Frankivsk, no oeste da Ucrânia.
  • Os residentes em Mariupol estarão a ser levados para território russo contra a sua vontade pelas forças invasoras, segundo um comunicado da autarquia. “Na última semana, vários milhares de moradores em Mariupol têm sido levados para território russo. Os ocupantes pegaram ilegalmente em pessoas do bairro de Livoberezhny e do abrigo no edifício do clube desportivo, onde mais de um milhar de pessoas (sobretudo mulheres e crianças) estavam a esconder-se de bombardeamentos constantes”, explica o comunicado. Segundo a autarquia, estes residentes foram levados para campos onde as forças russas verificam os seus telefones e documentos, sendo depois reencaminhados para cidades remotas da Rússia.
  • Boris Johnson foi fortemente criticado por comparar a luta difícil dos ucranianos com o referendo dos britânicos para o Brexit.
  • As autoridades da cidade de Kiev informaram que já morreram 228 pessoas na capital ucraniana desde o início da invasão russa. No balanço incluem-se quatro crianças. Outras 912 pessoas terão ficado feridas, informaram em comunicado.
  • O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky desafiou a Suíça a aplicar duras medidas a oligarcas russos, que alega estarem a ajudar à guerra no seu país, escreve a agência Reuters. Zelensky argumentou que está em causa a segurança “das belas cidades suíças”. Numa declaração dirigida a milhares de manifestantes num protesto anti-guerra em Berna, agradeceu à Suíça o apoio.
  • A cidade de Zaporizhzhia, onde se encontra a maior central nuclear da Europa, entrou num período de recolher obrigatório de 38 horas, a partir das 16:00 locais (14:00 na hora de Lisboa).

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