Air France-KLM admite ficar com posição minoritária na TAP, mas quer controlar estratégia comercial

ECO - Parceiro CNN Portugal , André Veríssimo
28 jul, 13:06
KLM e Air France

O grupo Air-France-KLM já contratou assessores jurídicos e financeiros para avançar para a privatização da TAP

A Air France-KLM já contratou assessores jurídicos e financeiros para a corrida à privatização da TAP. O grupo admite ficar com uma posição minoritária no capital, desde que tenha o controlo da estratégia comercial. Preservação da marca, do hub no aeroporto de Lisboa, das rotas e das competências de gestão são condições que acolhe.

“Já contratámos consultores jurídicos e financeiros. Estamos a andar nessas duas frentes como se quiséssemos participar e fazer uma oferta, para não estarmos a começar do zero quando o processo arrancar”, afirmou Ben Smith, CEO da Air France-KLM na conferência de imprensa de apresentação de resultados.

As condições da operação ainda não são conhecidas, já que o decreto da reprivatização só deverá ser aprovado em setembro, mas o responsável admite que o grupo fique com uma posição minoritária no capital. “Quando entrarmos nesta transação queremos ter a certeza que estrategicamente se encaixa no que queremos fazer. Se são 20%, 40%, 60%, 80%, depende dos direitos que teríamos”, afirma. Há, no entanto, uma condição: “A direção comercial é chave para nós.”

Se são 20%, 40%, 60%, 80%, depende dos direitos que queremos ter. A direção comercial é chave para nós", Ben Smith, CEO da Air France- KLM.

“O que é mais importante é que assumimos o compromisso com a comunidade financeira de que vamos atingir uma margem de 7% a 8% no médio prazo. Em qualquer transação teríamos de ter o conforto de que essa meta se mantém intacta”, sublinhou também o CEO do grupo.

O interesse na companhia portuguesa é inquestionável. “Do ponto de vista estratégico gostamos da TAP. Gostamos das rotas adicionais que a TAP teria para o grupo. Estamos a ver como o processo se desenrola e, quando abrir, dependendo das condições, decidiremos se entramos no processo formal”, afirmou Ben Smith. Para já, não há contactos com o Governo ou entidades portuguesas além do processo que é público.

Manter marca, hub e rotas da TAP

O ministro das Finanças, Fernando Medina, afirmou na sua audição na comissão parlamentar de inquérito à TAP que o diploma da reprivatização vai definir critérios de “natureza estratégica para o país” e que “privilegiem o papel da TAP enquanto motor importante do crescimento económico”. O que passa pela “manutenção da hub em Lisboa, pela manutenção de uma companhia com autonomia própria e um projeto de desenvolvimento da companhia e da sua expansão”.

Condições que podem encaixar com o perfil da operadora aérea franco-neerlandesa. “A Air France-KLM foi o primeiro grande grupo a ser criado na Europa e os principais elementos que foram importantes para as duas companhias e a maioria dos stakeholders foi assegurar que as marcas globais fossem mantidas, que havia compromissos de investimento, que mantínhamos grande parte das operações em Paris e Amesterdão e que havia investimento nas rotas. Acredito que conseguiríamos fazer o mesmo se fossemos adiante com a TAP”, referiu Ben Smith.

Acho que estaríamos bem posicionados para sermos considerados na mesma posição ou numa melhor posição do que os outros oferentes", Ben Smith, CEO da Air France- KLM.

“Celebrar 80 anos com a marca TAP, uma marca icónica, a rede de destinos é muito única, as competências em Portugal são sólidas. Quaisquer condições à volta destes três aspetos, estamos habituados a isso“, acrescentou o CEO.

“Com a experiencia que temos de balancear a força de uma companhia aérea com os benefícios de pertencer a grande grupo, acho que somos os mais credíveis na capacidade de assumir compromissos nessa frente”, considerou Ben Smith. “Acho que estaríamos bem posicionados para sermos considerados na mesma posição ou numa melhor posição do que os outros oferentes.”

Os dois outros principais interessados na operadora aérea portuguesa são o grupo IAG, dono da BritishAirways e da Iberia, e a Lufthansa. O grupo IAG também já contratou assessores jurídicos e de comunicação para a corrida à TAP e o CEO, Luis Gallego, esteve em Lisboa a 19 de junho numa operação de charme em que reuniu com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa e o presidente da Confederação do Turismo de Portugal, como noticiou o ECO.

Neste momento está a decorrer o processo de avaliação da TAP, que a Parpública adjudicou à consultora EY e ao Banco Finantia. Só depois de terminada é que o Governo avançará com a aprovação do decreto de privatização, que o ministro das Finanças aponta para setembro.

Lucros recorde de 604 milhões no segundo trimestre

A Air France-KLM divulgou esta sexta-feira um lucro recorde de 604 milhões de euros no segundo trimestre, depois de os primeiros três meses do ano terem terminado com um prejuízo de 344 milhões. No conjunto do semestre, o resultado foi positivo em 260 milhões.

O grupo teve receitas de 7.624 milhões no segundo trimestre, um aumento de 13,7% face ao período homólogo, impulsionadas pelo aumento da capacidade (92% dos níveis de 2019) e da taxa de ocupação (88%). O número de passageiros cresceu 8,2% para 24,66 milhões.

Os resultados operacionais aumentaram em 347 milhões para 733 milhões no trimestre. “Um preço mais baixo do jet fuel e uma maior taxa de rentabilidade que compensou a inflação permitiram uma aceleração do crescimento dos resultados operacionais e uma margem operacional de 9,6% [também recorde]”, assinala a Air France-KLM no comunicado com os resultados.

A dívida líquida baixou de 6.337 milhões no final de dezembro de 2022 para 4.900 milhões em junho, o equivalente a 1,2 vezes o EBITDA dos últimos 12 meses.

Além do regresso aos lucros, o grupo está a dar outros passos para robustecer o capital, debilitado pelo período da pandemia. Chegou a acordo com a Apollo Global Management para levantar 500 milhões de euros para uma unidade de Engenharia e Manutenção, através de dívida perpétua com uma taxa de juro de 6,9% nos primeiros três anos. Está ainda em negociações com o fundo americano para a entrada de mais 1,5 mil milhões de euros numa empresa afiliada detentora da marca e dos contratos comerciais com parceiros, incluindo o programa de fidelização, também através de obrigações híbridas.

 

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