TAP com prejuízos de 202 milhões de euros no primeiro semestre

Agência Lusa , BC - atualizada às 12:15
23 ago, 07:30
Avião da TAP no aeroporto de Lisboa (Horacio Villalobos/Corbis via Getty Images)

TAP comunicou resultados esta terça-feira e, apesar dos prejuízos, companhia assinala que "continua a recuperação nos últimos trimestres"

Os prejuízos da TAP S.A. diminuíram no primeiro semestre deste ano para 202,1 milhões de euros, face ao valor negativo de 493,1 milhões de euros obtido em igual período do ano passado, indicou hoje a transportadora, em comunicado.

Na nota, publicada na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a TAP referiu que "o Resultado Líquido é claramente negativo, mas continua a recuperação nos últimos trimestres”.

No segundo trimestre, a companhia aérea registou uma redução de 37,2% nos prejuízos, para um resultado negativo de 80,4 milhões de euros, face aos 128,1 milhões obtidos em igual período do ano anterior.

A presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener, salientou, na nota, que “o segundo trimestre registou uma procura muito saudável e receitas por passageiro mais elevadas”, o que permitiu compensar o aumento nos custos.

"Cautelosamente otimistas"

Já em conferência de imprensa na sede da TAP, Christine Ourmières-Widener considerou que os resultados da companhia no primeiro semestre são melhores do que o previsto no plano de reestruturação.

"Estamos melhor do que o plano, com a recuperação do tráfego e com a 'yeald' [rendimentos] a mostrar uma boa 'performance'", afirmou a gestora. "Isto é algo que nos deixa contentes, mas somos conscientes, a indústria foi surpreendida com a recuperação, com grande procura, [...] Estamos cautelosamente otimistas", salientou Christine Ourmières-Widener.

A presidente executiva da transportadora apontou que uma gestão "só pode ser julgada pelos resultados que apresenta". "Eu penso que estamos a apresentar bons resultados, [...] espero que hoje não haja dúvidas que a gestão da TAP está a fazer um bom trabalho", frisou.

Questionada sobre as 18 faixas horárias no aeroporto de Lisboa que teve de entregar à easyJet, a presidente da Comissão Executiva disse que o contrato com a companhia aérea de baixo custo foi assinado no início de agosto e que a época de inverno foi desenhada com esta questão em consideração.

Restantes 990 milhões de ajuda no final do ano

A TAP espera receber a última tranche de 990 milhões de euros de ajuda estatal no final do ano e está a preparar uma ida aos mercados para refinanciar dívida privada em 2023, informou também a administração da companhia.

Em conferência de imprensa sobre os resultados do primeiro semestre, o administrador financeiro da TAP, Gonçalo Pires, explicou que não é necessário ir ao mercado refinanciar dívida este ano, uma operação que estava prevista para final de 2021 ou início deste ano, devido ao aumento de capital realizado no final do ano passado.

“Durante o ano de 2023 faremos provavelmente uma operação de mercado de financiamento em linha com os compromissos inscritos no plano”, avançou Gonçalo Pires, referindo que este refinanciamento vai ser preparado no último trimestre do ano, podendo acontecer na primeira metade de 2023.

Em causa está o refinanciamento de dívida privada da companhia que vence em 2023 e 2024, no total de 700 milhões de euros.

Para este ano, está prevista a chegada da última tranche da ajuda pública à TAP, no valor de 990 milhões de euros, sob a forma de um aumento de capital, tal como aconteceu em 2021.

Segundo o ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, o plano de reestruturação da TAP prevê um prejuízo de 54 milhões de euros este ano e atingir lucro em 2025.

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