Taiwan escolhe hoje novo Presidente e parlamento com vizinha China em alerta militar

Agência Lusa , DCT
13 jan, 08:06
Taiwan (fonte Getty)

Pequim diz ser a favor de uma reunificação “pacífica” com a ilha, onde os cerca de 23 milhões de habitantes são governados por um sistema democrático, mas nunca renunciou ao uso da força militar.

Taiwan escolhe hoje o sucessor da Presidente Tsai Ing-wen, do Partido Democrático Progressista (DPP), com a vizinha China em estado de alerta militar e Estados Unidos e países vizinhos atentos aos resultados.

Na véspera da ida às urnas, que também inclui escolha do parlamento, o Ministério da Defesa chinês anunciou que as forças armadas estão em elevado estado de alerta, prontas a tomar todas as medidas necessárias para impedir quaisquer planos para a "independência de Taiwan".

Taiwan age já como uma entidade política soberana, com Exército e diplomacia própria, apesar de não ser formalmente independente.

A China considera Taiwan uma das suas províncias, que ainda não conseguiu reunificar com o resto do seu território desde o fim da guerra civil chinesa, em 1949.

Pequim diz ser a favor de uma reunificação “pacífica” com a ilha, onde os cerca de 23 milhões de habitantes são governados por um sistema democrático, mas nunca renunciou ao uso da força militar.

A China é contra o aumento dos contactos entre líderes políticos norte-americanos e taiwaneses, que considera ser uma violação do compromisso dos Estados Unidos de não manter relações oficiais com a ilha.

Há dois dias, a China tinha apelado aos Estados Unidos para não “se intrometerem” nas eleições e disse opor-se “firmemente” a qualquer "forma de intercâmbio oficial" entre Taipé e Washington, que entretanto divulgou o envio de uma delegação à ilha após a votação.

As eleições são consideradas por vários especialistas como críticas, até porque um conflito armado entre Pequim e Taipé poderia colocar os Estados Unidos em confronto direto com a China e abalar a economia mundial.

A China comunista receia que uma vitória de William Lai, candidato do DPP, seja um passo em direção à independência e sugeriu aos eleitores taiwaneses estar em causa a escolha entre a paz e a guerra.

As sondagens têm colocado o DPP na frente, seguido do Kuomintang (KMT) e no terceiro posto o Partido do Povo de Taiwan (TPP), com indicações de que nenhum dos partidos deverá conseguir uma maioria no parlamento da ilha de 23 milhões de habitantes e líder mundial na produção de semicondutores.

Em entrevista à agência Lusa, o representante de Taiwan em Portugal, Chang Tsu-che, notou como o território tem “mantido a democracia, apesar da ameaça da China” e como “toda a gente sabe da importância da democracia nesta eleição”.

Favorito apela ao voto para mostrar vitalidade da democracia

O candidato presidencial William Lai Ching-te, o favorito de acordo com as sondagens, apelou hoje aos cidadãos que votem nas eleições presidenciais e legislativas de Taiwan para demonstrar a vitalidade da democracia da ilha.

O atual vice-presidente taiwanês votou na cidade de Tainan, no sul do país, onde foi presidente da câmara entre 2010 e 2017, e sublinhou que “cada voto é importante”, de acordo com a agência estatal de notícias CNA.

“Esperamos que toda a população do país possa votar com entusiasmo para mostrar a vitalidade da democracia taiwanesa e permitir que Taiwan continue a avançar”, disse Lai, do Partido Democrático Progressista (DPP, na sigla em inglês), em declarações à comunicação social.

A atual presidente, Tsai Ing-wen, que atingiu o limite constitucional de dois mandatos, votou no distrito de Yonghe, em Nova Taipé, e afirmou que votar é um “direito” e um “dever” de todos os cidadãos, de acordo com o jornal United Daily News.

Sondagens publicadas até 02 de janeiro davam William Lai como o favorito, com cerca de 35% de apoio, seguido pelos candidatos da oposição do Kuomintang, Hou Yu-ih, com 28%, e de Ko Wen-je, do Partido Popular de Taiwan, com 24%.

Hou Yu-ih apelou à preservação da unidade de Taiwan quando terminarem as eleições, cujos resultados serão fundamentais para o futuro das relações entre a China e a ilha.

“O processo eleitoral tem sido caótico, mas depois das eleições devemos estar unidos para enfrentar os desafios de Taiwan”, disse Hou aos meios de comunicação, depois de votar numa assembleia de voto em Nova Taipé, de acordo com a CNA.

Imagens divulgadas pela imprensa taiwanesa mostram longas filas nos locais de votação, que abriram às 08:00 (meia-noite em Lisboa) e fecharão às 16:00 (08:00 em Lisboa), assim como eleitores a regressar à ilha, que não permite o voto no estrangeiro.

O chefe da diplomacia dos EUA sublinhou sexta-feira a um alto funcionário chinês a importância de “manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan”.

Antony Blinken “reiterou a importância de manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan e no mar da Sul da China”, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano.

De acordo com um comunicado, as declarações surgiram durante um encontro, em Washington, entre o secretário de Estado norte-americano e o chefe da divisão internacional do Comité Central do Partido Comunista Chinês, Liu Jianchao.

As Forças Armadas da China estão em elevado estado de alerta e prontas a tomar todas as medidas necessárias para impedir quaisquer planos para a "independência de Taiwan", afirmou na sexta-feira o ministério da Defesa chinês.

O porta-voz do ministério, Zhang Xiaogang, sublinhou o empenho do Exército de Libertação Popular em salvaguardar resolutamente a soberania e a integridade territorial da China.

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