Líder de partido reformista "pronto para ser primeiro-ministro" da Tailândia

Agência Lusa , AG
15 mai 2023, 08:10
Pita Limjaroenrat (Wason Wanichakorn/AP)

Seguem-se negociações para suceder ao atual governo, que é apoiado pelos militares

O líder do partido reformista Move Forward, Pita Limjaroenrat, garantiu esta segunda-feira estar "pronto para ser o próximo primeiro-ministro", após ter sido o mais votado nas eleições gerais da Tailândia no domingo.

O empresário reivindicou vitória e disse pretender formar uma coligação com o outro grande partido da oposição pró-democracia, o Pheu Thai, para suceder ao atual governo apoiado pelos militares.

"Sou Pita Limjaroenrat, o próximo primeiro-ministro da Tailândia", disse o candidato de 42 anos, numa conferência de imprensa realizada na capital, Banguecoque.

"Estamos prontos para formar um governo", insistiu o reformista, que prometeu ser "um primeiro-ministro para todos".

Limjaroenrat disse já ter iniciado conversações com o Pheu Thai, de Paetongtarn Shinawatra, filha do ex-primeiro-ministro exilado Thaksin Shinawatra, para formar uma coligação de seis partidos que reuniria "309" das 500 cadeiras na câmara baixa do parlamento.

O Move Forward, que se autoproclamou como porta-voz das gerações mais jovens, conquistou mais de 14 milhões de votos, à frente do Pheu Thai (10,8 milhões), infligindo uma severa derrota ao partido apoiado pelos militares, o United Thai Nation.

O Pheu Thai reconheceu que o vencedor da eleição tem o direito de liderar o governo, abrindo caminho para Limjaorenrat se tornar o próximo chefe de governo do país.

"As vozes do povo são as mais importantes e nós respeitamos as decisões do povo. O partido que vencer terá o direito de propor o candidato a primeiro-ministro", disse Paetongtarn Shinawatra.

Atual governo respeita resultados

Durante a madrugada, o antigo general e atual primeiro-ministro Prayut Chan-O-Cha, cujo partido recebeu 4,5 milhões de votos, declarou que iria respeitar a democracia e o resultado da votação.

A eleição foi marcada por uma afluência recorde, superior a 75%, num contexto de fraco crescimento económico e declínio das liberdades fundamentais desde que Prayut Chan-O-Cha chegou ao poder, após um golpe de Estado em 2014, e depois legitimado em 2019 por eleições controversas.

Estas eleições são as primeiras desde os grandes protestos de 2020 em que se exigia uma reforma da monarquia e que expuseram as clivagens existentes no reino, entre as gerações mais jovens que querem mudanças e as elites ligadas ao rei e aos militares.

A eleição para primeiro-ministro envolve os 500 deputados da câmara baixa eleitos nas urnas e 250 senadores escolhidos pela antiga junta militar (2014-2019), o que complica a formação de um governo.

O país já sofreu mais de uma dezena de golpes de Estado desde que se tornou numa monarquia constitucional, em 1932, o último dos quais em 2014, sob o comando de Prayuth Chan-ocha.

Ásia

Mais Ásia

Mais Lidas

Patrocinados