Análise a 230 empresas (9 portuguesas) mostrou que 84% ignoram sustentabilidade nas viagens

Agência Lusa , CE
10 mai, 13:41
Avião

A grande maioria destas empresas não está comprometida com a opção de viagens mais sustentáveis

Uma análise de 230 grandes empresas, nove delas portuguesas, mostrou que a grande maioria, 84%, praticamente ignora a sustentabilidade das suas deslocações e nem se compromete a reduzir viagens de avião.

O estudo foi esta terça-feira divulgado pela Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E), uma organização não governamental de defesa da mobilidade sustentável, e segundo os dados divulgados nove empresas portuguesas analisadas não passaram de uma classificação medíocre, quatro valores de máxima numa escala em que bom seria obter 12,5 valores.

A T&E, cuja análise foi esta terça-feira divulgada em Portugal pela associação ambientalista Zero (que faz parte da federação), avaliou as viagens empresariais de avião dos trabalhadores das 230 empresas mundiais e concluiu que 193 delas não estão comprometidas com a opção de viagens mais sustentáveis.

A organização salienta, no entanto, que algumas empresas estão já a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa relacionadas com viagens. E de oito empresas que se destacam pela positiva sobressaem três: a farmacêutica dinamarquesa “Novo Nordisk”, a companhia de seguros suíça “Swiss Re” e o grupo britânico de serviços financeiros “Legal & General Group”.

A T&E usou nove indicadores para as empresas, sobre planos de redução de emissões, relatórios de sustentabilidade e emissões de viagens aéreas.

Vodafone, Renault e L'Oréal têm objetivos globais de redução de emissões

E com base nesse trabalho refere por exemplo que empresas como Vodafone (operadora de redes móveis), Renault (automóveis) ou L'Oréal (cosméticos) já têm estabelecidos objetivos globais de redução de emissões, mas sem se comprometerem em reduzir as emissões das viagens aéreas empresariais.

O estudo coloca no fundo da tabela, destacando-as pela negativa, empresas como a Google, Volkswagen e Microsoft. Que não divulgam as suas emissões em viagens (ou mesmo emissões totais), são grandes emissores e não têm compromissos ou objetivos específicos de redução das emissões das viagens, refere um comunicado divulgado pela Zero.

A associação portuguesa e a federação consideram no documento que a pandemia de covid-19 mostrou que as empresas europeias e norte-americanas podem ser eficazes fazendo menos viagens de avião e sendo responsáveis por menos emissões de gases.

Na lista da T&E e em relação a Portugal a Jerónimo Martins SGPS (distribuição alimentar) aparece como mais bem classificada (mas muito longe de uma boa pontuação), seguindo-se a Redes Energéticas Nacionais (transporte de energia). Com a pior classificação, não indo além de 0,5 pontos, fica a The Navigator Company (fabrico de papel).

A Zero nota que pela posição de Portugal na Europa as viagens de avião são muitas vezes insubstituíveis e apela à consciência ambiental das empresas.

No comunicado a associação ambientalista nota que em 2019 as viagens de negócios no mundo inteiro representaram entre 15% e 20% de todas viagens aéreas, o que representa cerca de 154 milhões de toneladas de dióxido de carbono (MtCO2), o triplo das emissões totais em Portugal.

Devido à pandemia essas emissões baixaram drasticamente em 2020, sem inviabilizar as empresas, assinala-se no comunicado, que adverte que “a redução das viagens empresariais é a forma mais fácil, rápida e eficaz de reduzir as emissões da aviação no curto prazo”.

Ao reduzir as viagens de negócios em 50%, reduzir-se-iam as emissões em 32,6 MtCO2 até 2030 na Europa, o que equivale a retirar 16 milhões de automóveis poluentes das estradas, diz-se no comunicado.

O trabalho hoje divulgado foi feito no âmbito da iniciativa “Viajar Responsavelmente”, tendo a Zero enviado convites às empresas para que se juntem à iniciativa.

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