Amorim: «Se o quarto lugar fosse no primeiro ano, não estaria aqui»

15 abr, 14:03

Treinador do Sporting fez um balanço da sua evolução desde que chegou ao Sporting

Ruben Amorim está a poucas semanas de poder conquistar o segundo título de campeão à frente do Sporting e, na véspera de um jogo crucial, em Famalicão, o treinador falou abertamente sobre esta caminhada e da forma com conquistou os adeptos. É muito raro no futebol português um treinador dos grandes ser tão acarinhado pelos adeptos num período tão prolongado.

A verdade é que Ruben Amorim raramente foi contestado, mesmo na época passada, em que os leões não foram além de um modesto quarto lugar na Liga. O treinador tem uma explicação para essa empatia.

«O primeiro fator é porque a expetativa no início era bastante baixa, isso ajuda sempre um treinador.  Quando entramos todos com uma expetativa muito baixa e depois fomos todos campeões na primeira época, isso deu uma margem muito grande. Depois mantivemos o nível, não baixámos logo e lutámos até ao fim pelo segundo campeonato e aí sim, tivemos uma quebra muito grande», começou por enunciar o treinador em conferência de imprensa.

Para o treinador, a ordem desta sequência foi determinante. «Diria que se a ordem fosse ao contrário, se o quarto lugar fosse no primeiro ano, eu não estaria aqui. Tenho plena noção disso. A sorte, e eu tenho muita sorte, foi termos sido campeões no primeiro ano, conseguirmos manter o nível no segundo ano. No terceiro, o único ano em que não ganhámos um título, tínhamos esta margem toda. Depois também acho que no quarto lugar, o facto da nossa identidade estar bem vincada, apesar dos resultados, também ajuda», prosseguiu.

Além dos resultados, o treinador insistiu também no fator identidade. «Os adeptos não sentiram que a equipa estivesse perdida, simplesmente não conseguiu ganhar jogos decisivos, falhou em alguns momentos, mas a identidade esteve lá. Isso também ajuda. Diria que foi grande parte sorte porque se a ordem fosse invertida não haveria nada de mágico. A ordem foi perfeita e ajudou-me muito. Depois também acho que é a identidade, nunca perdemos a identidade e isso agrada, não só os resultados, mas perceber-se que há uma direção», explicou.

Há quatro anos, Amorim repetiu muitas vezes que não tinha experiência, mas a verdade é que tem vindo a ganhá-la nos últimos quatro anos. «As críticas no início não eram críticas, eram factos. A verdade é que tinha pouca experiência como treinador e pouco tempo como treinador. Isso era um facto. Depois caí num cenário em que ter o [Hugo] Viana como diretor desportivo, ter um presidente que confiava em mim, por isso é que pagou o que pagou numa fase muito difícil. Tudo o que vivi aqui tenho a certeza que não vou viver em mais clube nenhum e isso ajuda um treinador, principalmente nos maus momentos», destacou.

Quatro anos depois, Amorim é um treinador mais crescido. «Obviamente que há um crescimento em tudo, não só do treinador, mas na nossa estrutura, na nossa ligação com o scouting. Tudo isso foi aprimorado até ao ponto de hoje. Vejo o jogo de uma forma completamente diferente do que via há quatro anos por isso é que os treinadores vão evoluindo com a idade. Esta evolução e esta capacidade não é só do treinador, foi de toda a gente e isto foi perfeito para alguém que tinha pouca experiência. Pude falhar várias vezes e por aí também tive sorte», referiu ainda.

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