"Se sobrecarregarmos os hospitais, vai haver vítimas não covid", alerta António Sarmento

21 dez 2021, 13:39

No dia em que o Governo se prepara para revelar que vai antecipar as restrições que estavam previstas para o início do próximo ano, o diretor do serviço de infeciologia do Hospital de São João lembrou que a prudência pode "evitar confinamentos mais drásticos"

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O infeciologista António Sarmento afirma que, neste momento, com o surgimento da Ómicron, os receios não se centram no número de mortes que a covid-19 pode provocar num curto prazo. Portugal está neste momento no inverno, uma altura do ano em que o SNS já se encontra debaixo de uma forte pressão por culpa de outras patologias.

António Sarmento indica que, em caso de sobrecarga, apesar de os sintomas da nova variante serem mais ligeiros, vão registar-se várias "vítimas não covid".

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“Vai haver muita gente prejudicada, não diretamente pela covid-19, mas indiretamente. Temos de ter muito cuidado. (...) Acho que deve haver mais contenção. Nós temos de controlar as coisas. Temos que olhar para o SNS, para a sobrecarga do SNS, para a doença covid-19, para os doentes não covid, etc...", afirma.

Em entrevista à CNN Portugal, António Sarmento referiu que será benéfico tentar prevenir os efeitos pandémicos inerentes à nova variante do SARS-CoV-2 e da época festiva que se avizinha. O especialista refere que entende as alterações políticas repentinas, visto que a covid-19 é "uma doença altamente dinâmica", em que as circunstâncias podem mudar em menos de 15 dias.

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“Se anteciparmos, podemos ter medidas menos drásticas do que se deixarmos correr as coisas e chegarmos a um estado explosivo. (...) Se não acontecer, melhor, mas ao menos as coisas ficaram preparadas”, explica.

Eficácia das vacinas contra a Ómicron

Quanto à eficácia das vacinas contra a nova estirpe do SARS-CoV-2, o médico lembra que desde início nunca foi anunciado que as vacinas teriam uma eficácia total. O médico lembra que “mesmo que 100% da população tivesse vacinada haveria sempre cerca de dois milhões de pessoas vulneráveis" que necessitariam de ser protegidas. 

António Sarmento assinala que, por mais distante do vírus originário que seja a Ómicron, as vacinas continuam a aferir algum grau de proteção, que pode manifestar-se com um aligeirar da sintomatologia.

“Em relação a esta nova variante, o que há a fazer? Vacinar, vacinar, vacinar. Isto é, apesar de tudo, as vacinas protegem, podem não proteger tanto, mas protegem. Aquelas pessoas que não estão vacinadas têm e devem vacinar-se. E quando chegar a altura de fazer o reforço, as pessoas devem fazê-la”, insiste.

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Especialista alerta para os erros do passado

António Sarmento lembra que não se pode voltar a "abrir tudo", todos os setores económicos, de um dia para o outro. Especialmente, os aeroportos e viagens internacionais que permitem a qualquer pessoa "deambular pelo mundo", algo que potencializa o surgimento de novas mutações da covid-19.

O infeciologista insiste que a "única maneira de estarmos seguros" é suspender esta mobilidade global, porque enquanto ela existir e "houver vírus em replicação a probabilidade de mutantes existe sempre".

“Não gostei quando se falou no dia da libertação. Acho que é um disparate. Parece que se passou do tudo ao nada. Era tudo proibido e de repente não há perigo nenhum e pode fazer-se tudo. É um termo bélico, parece uma guerra. Temos de ser mais sólidos nestas coisas”, culmina.

 

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