Mulher curada do VIH com tratamento inovador

15 fev, 22:54
Testes de VIH

É a primeira vez que uma mulher foi considerada curada do vírus, numa descoberta que pode tornar mais fácil um acesso a uma cura

É um dos grandes mistérios da medicina. O Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), que causa a SIDA, tem sido combatido desde 1981, ano em que a doença foi observada pela primeira vez, nos Estados Unidos. Desde então, muitos investigadores têm andado atrás de uma resposta, a esmagadora maioria das vezes sem sucesso. Mas uma nova experiência, revelada esta terça-feira, parece ter encontrado novas esperanças para conseguir uma cura.

Através de um novo método de transplante, que utiliza sangue do cordão umbilical, investigadores conseguiram, aparentemente, curar uma mulher, que se torna assim na terceira pessoa na história curada do vírus. Este é um processo que abre portas à possibilidade de se virem a curar mais pessoas, nomeadamente de diferentes origens raciais, uma vez que a experiência agora divulgada foi realizada numa mulher mestiça.

O sangue proveniente do cordão umbilical existe em maior abundância que as células estaminais, utilizadas para transplantes de medula óssea que resultaram na cura dos outros dois casos. Além disso, e ao contrário das células estaminais, o sangue do cordão umbilical torna-se mais fácil para encontrar correspondência entre dadores.

A mulher em causa, que também tem leucemia, recebeu sangue do cordão umbilical de um dador parcial para tratar o cancro, em vez da prática mais comum, que passam por encontrar um dador de medula óssea de etnia semelhante. Além disso, recebeu ainda sangue de um familiar para aumentar a resposta imunitária enquanto decorria o período de transplante.

Os investigadores apresentaram alguns detalhes do caso na Conferência de Retrovírus e Infeções Oportunistas, em Denver, Estados Unidos. O sexo e o passado racial deste novo caso marcam um passo significativo no desenvolvimento de uma cura contra o VIH, dizem os cientistas.

“O facto de a doente ser de raça mestiça, e de ser uma mulher, é muito importante cientificamente e é realmente importante em termos do impacto na comunidade”, afirma Steven Deeks, perito em SIDA que leciona na Universidade da Califórnia, e que falou ao The New York Times.

De acordo com os mais recentes estudos, a infeção por VIH evolui de forma diferente em homens e mulheres. Ainda assim, se mais de metade dos casos registados no mundo são no sexo feminino, apenas 11% dos participantes em ensaios clínicos são mulheres.

Em todo o mundo, e de acordo com os últimos dados, perto de 38 milhões de pessoas vivem com VIH, e cerca de 73% estão a receber tratamento.

Esta foi a primeira vez que uma mulher foi considerada como curada do vírus, sendo que os outros dois casos de cura foram registados em homens. Timothy Ray Brown, conhecido como "O Paciente de Berlim", viveu 12 anos curado do vírus, antes de morrer de cancro, em 2020. Já em 2019, Adam Castillejo foi considerado como curado do VIH.

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