Agricultor pagou medicamentos a pessoas carenciadas durante 10 anos (e só uma mulher sabia disso)

TVI , MCP
3 mar, 11:59
Hody Childress com a filha (foto: Tania Nix)

O idoso pediu à farmacêutica para manter segredo e disse-lhe: "Se alguém perguntar, diz que é uma benção de Deus".

Hody Childress, um agricultor de Geraldine, uma pequena cidade do Alabama, nos Estados Unidos, dirigiu-se mensalmente à farmácia da localidade para deixar 100 dólares - cerca de 95 euros - para ajudar os conterrâneos que não tivessem capacidade financeira para comprar os seus medicamentos. O gesto prolongou-se durante dez anos e foi mantido em segredo até ao seu falecimento, no dia 1 de janeiro, aos 80 anos. Agora, em homenagem, os habitantes reproduzem o gesto.

Foi em 2012 que Hody Childress, agricultor e veterano da Força Aérea, descobriu numa das suas idas à farmácia de Geraldine, que vários habitantes desta cidade nem sempre tinham possibilidades de comprar os medicamentos de que necessitavam. 

Segundo Brooke Walker, a farmacêutica que o ajudou a manter o segredo, Hody ficou comovido com esta informação e deu-lhe dinheiro, para ser usado sempre que alguém não conseguisse pagar as suas receitas. “Disse-me: `Não digas a uma única alma de onde vem o dinheiro e, se alguém te perguntar, responde que é uma benção de Deus´”, conta a farmacêutica.

A atitude não se ficou por ali e Hody continuou a aparecer a cada início do mês para dar seu contributo, assegurando-se sempre de que ninguém saberia de onde vinha a ajuda.

Durante esses anos, pelo menos duas pessoas a cada mês, dos cerca de 900 habitantes desta pequena cidade, foram ajudadas graças a esta “benção”. 

No final de 2022, Hody, que lidava com uma doença pulmonar, sentiu-se demasiado doente e incapaz de se deslocar até à farmácia para manter o fundo. O octogenário precisava de alguém que fosse até à farmácia por si e, por isso, acabou por confiar o segredo à sua filha, Tania Nix. 

Tania cumpriu o pedido do pai mas, apesar de saber que “ele era dotado de muita generosidade”, ficou surpreendida: “Fiquei chocada, não fazia a mínima ideia de que ele ajudava as pessoas que iam à farmácia”, contou em declarações ao jornal local WVTM, citadas pelo The Guardian.

Ao Washington Post, Tania contou que o pai não teve uma vida fácil, o que a leva admirá-lo mais. Perdeu um filho e o seu pai durante um tornado, em 1973, e a sua primeira mulher, que sofria de esclerose múltipla, em 1999. “Foi muito difícil para ele, mas nunca se queixou e nunca perdeu o seu otimismo”, diz a filha.

“Ele não gastava muito dinheiro, mas dava sempre o que podia”, continua Tania, acrescentando: "Se vos levasse a comer, vocês tinham de ser mesmo rápidos a pegar na conta, ou ele fazia questão de pagar."

Tania comenta que não sabe o que motivou o pai a ajudar a comunidade, mas conta que, na altura em que a sua mãe adoeceu, a medicação era muito cara e “isso poderá tê-lo inspirado”.

Hody morreu no dia 1 de janeiro e por cá deixou a sua segunda mulher, dois filhos, dois enteados e 15 netos. Foi num momento do funeral que a filha contou a toda a gente aquilo que o seu pai fez nos últimos anos.

Quando a história se espalhou pela cidade, Tania recebeu agradecimentos de quem o seu pai ajudou. A filha de Hody Childress partilhou ainda que recebeu uma carta de uma mãe, que não tinha 600 dólares (cerca de 565 euros) para comprar um medicamento para reações alérgica do filho. Na carta salientou que a ajuda que recebeu significou “um enorme alívio enquanto mãe” e que “não saberia agradecer ao seu pai o suficiente”.

Toda a cidade ficou comovida. De tal forma que os habitantes de Geraldine decidiram criar um fundo na mesma farmácia para ajudar pessoas com dificuldades.

A farmacêutica, Brooke Walker, acredita que “não poderia existir uma melhor homenagem do que esta a Hody”. “Há tantas pessoas em Geraldine que puderam viver mais por causa do Hody... ele era, realmente, uma pessoa humilde e pronta a servir, que será sempre amada”, aponta.

E.U.A.

Mais E.U.A.

Patrocinados