"Perdeu-se a confiança": mais sete demissões no governo de Boris Johnson

Rafaela Laja , atualizado às 14:49
6 jul, 09:01
Residência oficial do primeiro-ministro britânico (EPA/Andy Rain)

Começaram por ser duas demissões ainda durante a manhã, mas já ao início da tarde mais cinco ministros apresentaram um pedido demissão conjunto

A mais recente polémica com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, continua a fazer baixas no governo britânico. 

O ministro britânico para as Crianças e Famílias, Will Quince, demitiu-se esta quarta-feira, depois de receber um briefing "impreciso" sobre a nomeação do primeiro-ministro Boris Johnson de um político que foi objeto de acusações de conduta sexual imprópria.

"Obrigado por se ter encontrado comigo ontem à noite e pelas suas sinceras desculpas sobre os briefings que recebi do 'número 10' antes do comunicado na segunda-feira, que agora sabemos ser impreciso", afirmou Will Quince, na sua carta de demissão enviada a Boris Johnson, e que foi esta publicada esta quarta-feira no Twitter.

Já ao início da tarde, cinco ministros decidiram renunciar ao cargo de uma só vez, assinando um pedido de demissão conjunta onde dizem que “fica cada vez mais claro que o governo não pode funcionar diante das questões que vieram à tona”. Em causa está a ministra das Igualdade, Kemi Badenoch, o ministro da Mobilidade Social, Neil O'Brien, o ministro das Habilidades, Alex Burghart, o ministro dos Negócios, Lee Rowley e a ministra dos Media, Dados e Infraestrutura Digital, Julia Lopez. 

Também às primeiras horas desta quarta-feira, Laura Trott, uma deputada britânica do Partido Conservador, anunciou que deixou o cargo de secretária particular parlamentar no Departamento de Transportes, como forma de protesto contra a permanência de Boris Johnson no poder.
 
"A confiança na política é - e deve ser sempre - da maior importância, mas infelizmente nos últimos meses perdeu-se", afirmou Laura Trott,  numa publicação no Facebook.

"Quero informar a todos que renunciei ao meu cargo de Secretária Parlamentar para o Departamento dos Transportes. A confiança na política é - e deve ser sempre - da maior importância, mas infelizmente nos últimos meses perdeu-se. Obrigado a todos vocês que me escreveram a expressar as vossas opiniões. Eu li os comentários cuidadosamente e levei-os em consideração na minha decisão. Coloquei e sempre colocarei os habitantes de Sevenoaks e Swanley na frente e no centro do meu trabalho em Westminster", pode ler-se no comunicado.

Crise no governo britânico: quem já se demitiu

Estes dois anúncios surgem depois dos ministros das Finanças e da Saúde do Reino Unido se terem demitido durante a tarde de terça-feira, naquilo que parece ser uma resposta à mais recente polémica com Boris Johnson.

As posições dos ministros surgiram após Boris Johnson desculpar-se pelo que diz ter sido um erro, ao não perceber que Chris Pincher não era o homem indicado para um cargo no governo, por recaírem sobre ele acusações de conduta sexual imprópria desde 2019.

Sajid Javid, com a pasta da Saúde, foi o primeiro a anunciar a demissão, justificando que "não poderia continuar" por questões de "consciência". "Foi um enorme privilégio servir neste cargo", lembrou Javid.

Eis todas as demissões que ocorreram durante a noite de terça-feira:

  • Rishi Sunak, ministro das Finanças
  • Sajid Javid, ministro da Saúde
  • Bim Afolami, vice-presidente do Partido Conservador
  • Alex Chalk, Procurador-Geral da Inglaterra e País de Gales
  • Jonathan Gullis, deputado
  • Saqib Bhatti, deputado
  • Nicola Richards, deputada
  • Virginia Crosbie, deputada
  • Andrew Murrison, enviado comercial
  • Theo Clarke, enviada comercial

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