Exclusivo: Militares franceses da ONU detidos na República Centro-Africana

22 fev, 01:44

Detenção dos quatro elementos da equipa de protecção pessoal do chefe de Estado-Maior da MINUSCA prende-se com uma alegada "tentativa de golpe de Estado à chegada do presidente Touadéra ao aeroporto"

Quatro militares franceses da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA) foram detidos, segunda-feira, no aeroporto de Bangui pelas autoridades daquele país. 

Os homens escoltavam o general francês Stéphane Marchenoir, chefe de Estado-Maior daquela força da ONU, ao aeroporto da capital centro-africana.

O general conseguiu apanhar, no entanto, o voo da Air France para Paris. 

Segundo um documento centro-africano a que a CNN Portugal teve acesso, a razão da detenção dos quatro elementos da equipa de protecção pessoal do chefe de Estado-Maior da MINUSCA prende-se com uma alegada "tentativa de golpe de Estado à chegada do presidente Touadéra ao aeroporto fomentada por elementos franceses que foram apreendidos".

Uma fonte diplomática ocidental bem informada considera que se trata de "uma farsa e de um pretexto ridículo" e questiona, por outro lado, se aquilo que está em causa não é sobretudo mais uma tentativa de "humilhar a França".

A representação diplomática francesa em Bangui emitiu um comunicado pouco depois da detenção.

"A Embaixada de França lamenta profundamente este incidente." E "condena", por outro lado, "a sua instrumentalização imediata em determinadas redes sociais mal-intencionadas e a desinformação grosseira a que deu origem".

Ao princípio da noite os quatro militares da MINUSCA continuavam detidos.

Uma fonte de um serviço de informações considera que os mercenários russos do grupo Wagner apreciaram plenamente o incidente apesar de alguns deles terem abandonado no último mês o território centro-africano com destino à Ucrânia.

Esta terça-feira, a MINUSCA reagiu em comunicado, confirmando a detenção dos quatro militares. A missão das Nações Unidas lamenta o incidente, condenando "veementemente a instrumentalização do caso nas redes sociais, numa tentativa de manipular a opinião pública".

“(A MINUSCA) rejeita categoricamente as acusações de minar a segurança do Estado. Como parte do seu diálogo contínuo, a liderança da MINUSCA está em contacto com as mais altas autoridades centro-africanas para encontrar uma solução o mais rapidamente possível”.

(Rui Araújo escreve segundo a antiga ortografia)

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