"Porque é que todos os ladrões se chamam Modi?": Gandhi, líder da oposição na Índia, condenado a prisão por ter dito isto

23 mar, 13:17
Rahul Gandhi (Channi Anand/AP)

Condenação surge numa altura em que o governo tem sido acusado de utilizar a lei para visar e silenciar críticos

“Porque é que todos os ladrões se chamam Modi? Nirav Modi, Lalit Modi, Narendra Modi”: esta pergunta, feita em 2019, valeu a Rahul Gandhi, líder da oposição indiana, uma condenação a dois anos de prisão por difamação.

Rahul Gandhi pagou uma fiança de 30 dias e vai apresentar um recurso, pelo que não começará, pelo menos para já, a cumprir a pena, que foi conhecida a um ano das eleições nas quais o deputado do Congresso era visto como um dos grandes oponentes ao atual líder do governo.

O deputado comparou, na altura, o primeiro-ministro indiano a um magnata da indústria dos diamantes que fugiu (Nirav Modi) e ao antigo diretor da principal divisão de críquete da Índia (Lalit Modi), que fugiu à justiça após alegações de ilegalidades.

Rahul Gandhi garantiu que fez o comentário para chamar a atenção para a corrupção na Índia, rejeitando acusações direcionadas a uma comunidade em particular (Narendra Modi vem da casta Modh, originária de algumas regiões da Índia).

Esta condenação que surge numa altura em que o governo de Narendra Modi tem sido acusado de utilizar a lei para visar e silenciar críticos e oposição.

“Se vão insultar todos os Modi, isso é completamente difamatório”, afirmou Ravi Shankar Prasad, deputado do partido que suporta o governo, que garantiu que a defesa teve a oportunidade de se fazer ouvir em tribunal.

O advogado de Rahul Gandhi afirma que o seu cliente não teve quaisquer intenções de insultar a comunidade ou qualquer outra pessoa.

O opositor é descendente de uma família com história na política indiana (é bisneto de Jawaharlal Nehru e neto de Indira Gandhi, respetivamente primeiro primeiro-ministro da Índia e primeira primeira-ministra da Índia), aparecendo como um desafiador do atual poder político, que tem tentado levar o país para um lado mais nacionalista e religioso.

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