opinião
Professor universitário, investigador e autor

O Protocolo do "Tu" e "Você" na Assembleia da República

18 abr, 18:44

Congratulo Aguiar-Branco, presidente do Parlamento, por apelar – em jeito de sugestão, a uma reformulação da forma de tratamento entre os deputados até então, de forma a que nos próximos debates dos plenários da AR, os ditos deputados se tratem por “senhor(a) deputado(a)” ou “senhor(a)” “presidente”, abolindo assim o desde sempre e tão aclamado “tu” ou “você”. Finalmente, já não era sem tempo!

No caso da classe política respeitante aos deputados, o tratamento define a relação socialmente política e politicamente social estabelecida entre si a pessoa com quem fala e de quem fala. As formas de tratamento fixam o tipo de relação hierárquica que existe, podendo esta ser de inferioridade, de igualdade ou de superioridade, face a quem é dirigida a comunicação.

Historicamente, torna-se interessante e, simultaneamente, curioso perceber que dois mundos tão opostos – cidade e o campo, muito devido à educação e condição social, mas que em ambos o “você” muito fazia parte da forma como as pessoas lidavam umas com as outras no quotidiano, sendo o “você” uma expressão aplicada sempre no campo e na cidade. Era também comum o uso da abreviatura "Vocelência", resultante da junção da expressão “Vossa Excelência” nalgumas formas de tratamento.

Você ou Tu? Você: quase nunca! Tu: talvez

Ora bem, são duas formas de tratamento em nada iguais ou sequer comparáveis e muito menos compatíveis quando se aborda alguém! Diz-se que só se deve tratar uma pessoa por você quando ela mesma é mais nova ou de idade idêntica à sua. O dito você, usado massivamente por muitos, não consta nos pronomes pessoais. Quando não sabe o nome da pessoa e pretende dirigir-se a ela para iniciar ou retomar uma conversa habitue-se a tratá-la no seguinte registo:

  • Em vez de dizer <-você pretende...>, diga antes <- pretende...>, a título de exemplo, evitando assim o você que não é forma de tratar quem quer que seja.

Na forma como se dirige aos outros e os trata quando os recebe e acompanha, impõe-se uma forma de os tratar. É completamente impensável tratar alguém que desconhece por “tu”, circunstância alguma o justifica, para além de descredibilizar a sua própria imagem. É de uma falta imensa de civismo e extrema falta de educação e incorreção. Com certeza que ninguém gostará de passar por semelhante situação.

O “tu” é o grau de tratamento que deve ser proibido, salvo 2 exceções:

  • Se a pessoa for alguém que mantenha consigo uma proximidade (familiar, pessoal, profissional) enorme, ou;
  • Se lhe pedirem expressamente que substitua o “você” por “tu”.

Neste aspeto a língua inglesa simplifica este tratamento, pois o “you” é a forma de tratamento simultaneamente formal e informal, trata-se um rei ou rainha por “you”, que tanto designa senhor como senhora, não dá margem para o tratamento ser incorreto.

O “senhor” ou “senhora” é o primeiro (de)grau de tratamento convencionado! Por tal, é o que prevalece em toda e quaisquer circunstâncias. Portanto, trata-se sempre quem não conhece por senhor ou senhora. Para além do mais, implica, antes de mais, o total respeito pela outra pessoa, independentemente do meio de que é proveniente, da idade e de ser ou não pertencente a um meio e condição inferiores, comparáveis ou superiores às suas.

Assim, é-se correto quando trata a outra pessoa por senhor(a) sempre seguido do seu cargo ou categoria a nível político!

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