Cursos de Educação Básica têm mais 38 vagas do que em 2023. Sindicatos alertam: "Estes números representam um nada"

14 abr, 00:03
Escola (Pexels)

Sindicatos e professores dizem que é revelador da falta de empenho do Governo para resolver a falta de professores nas escolas.

Os cursos de Educação Básica vão ter mais 38 vagas no Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior deste ano. Ao todo, abriram 993 vagas nos cursos de formação de professores do Ensino Básico, de acordo com os números divulgados este domingo pela Direção-Geral do Ensino Superior. No ano passado, tinham sido abertas 955 vagas, mais 100 do que no ano de 2022.

Os sindicatos dizem que os números são curtos e refletem a falta de esforço para ir ao encontro das necessidades de professores que existem nas escolas públicas. “Estes números representam um nada”, resume Francisco Gonçalves, secretário-geral adjunto da FENPROF.

“Vamos ter 4 a 5 mil professores a reformarem-se por ano. Não são todos da educação básica, é certo, e estes números de novas vagas dizem respeito só à educação básica. Mas é revelador de que nem sequer na abertura de vagas há um esforço para ir ao encontro das necessidades”, diz o sindicalista.
“E estamos a partir do princípio de que as vagas vão ser todas preenchidas. Porque são poucos os jovens que, chegando ao fim do ensino secundário, vão para cursos de ensino. É preciso reforçar a atratividade da profissão”, sublinha Francisco Gonçalves, alertando ainda que “só daqui a cinco anos é que estes alunos vão estar no sistema como professores e, até lá, já se reformaram mais de 20 mil professores”.

A mesma linha de raciocínio é seguida por Pedro Barreiros, secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE): “É motivo de alarme a fixação do número de vagas para os cursos de "Educação Básica" em cerca de 1.000 vagas, o que se traduz num ligeiro crescimento relativamente ao ano de 2023. Um crescimento que não chega sequer a meia centena e que terá como consequência o agravamento da falta de professores”.

“Urge implementar medidas que contribuam para a valorização e para o prestígio da profissão docente, de modo a aumentar a sua atratividade e reforçar a adesão e a retenção de novos profissionais. Entre elas, a melhoria das condições de trabalho, a criação de espaços de trabalho individual e coletivo nas escolas, a revisão dos índices remuneratórios em início de carreira, a melhoria das condições de progressão, a aproximação à área de residência e o apoio para deslocações e alojamento”, reforça.

O movimento cívico de professores Missão Escola Pública olha para estes números "com estranheza". "Dado o panorama atual, necessitamos das Universidades a trabalhar de forma articulada com os restantes ciclos de ensino na formação de professores, com qualidade técnica e pedagógica", diz Cristina Mota, porta-voz do movimento. 

A professora alerta ainda para um problema que se pode agravar no 1º ciclo, para onde vão os professores que saem dos cursos de Educação Básica, onde se regista, como em todos os ciclos de ensino, falta de docentes. "Vários professores de 2º ciclo estão há vários anos a lecionar 1ciclo, por não terem vaga no 2º ciclo. Agora, com escassez de professores, devem regressar ao ciclo de origem, deixando por preencher horários no 1º ciclo. Desta forma, previa-se uma maior preocupação por parte da tutela  em prevenir esta situação, o que, a as escassas, 38 vagas a mais,  não indicam", reforça.

Esta quinta-feira, no debate do programa do Governo, o novo ministro da Educação, Fernando Alexandre, disse que, "à data de 15 de março, 32.977 alunos tinham pelo menos uma disciplina sem professor". "Desses alunos, 1.172 tinham pelo menos uma disciplina sem professor desde setembro, portanto, desde o início do ano letivo”, acrescentou.

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