Taylor Swift ganharia qualquer concurso de popularidade contra os MAGA

CNN , Análise de Harry Enten
3 mar, 15:00
Taylor Swift (AP)

Trump é bem menos popular do que Swift. Entre os que têm opinião, conta com 45% de favoritismo e 55% de opiniões desfavoráveis, segundo um conjunto de sondagens recentes. Isto coloca-o entre 25 e 30 pontos percentuais abaixo da estrela da pop

É talvez uma das teorias da conspiração mais estranhas de sempre.

Alguns fãs do ex-presidente Donald Trump acreditam que a estrela da pop Taylor Swift foi recrutada para uma espécie de operação secreta do governo norte-americano para fomentar a recandidatura de Joe Biden e têm tentado estigmatizá-la por isso.

Os inquéritos de opinião mostram que isto é uma má ideia. Swift é uma das figuras mais populares da América e estes republicanos estão desfasados de outros ao pensarem que ela está a ser usada pelo governo.

Uma sondagem da Universidade Monmouth divulgada na semana passada mostra bem os factos. Swift surge com 39% de avaliações favoráveis, 13% desfavoráveis e 43% dos inquiridos a dizerem que não têm opinião sobre ela. Entre os que têm uma opinião, 75% têm uma opinião positiva.

Mesmo entre os republicanos, Swift angaria 25% de favoritismo contra 18% de avaliações desfavoráveis. Ou seja, há mais republicanos que gostam dela do que republicanos que não gostam. Entre os que têm uma opinião, 58% veem-na de forma favorável.

Estas avaliações alinham-se com as de uma sondagem do Marist College de dezembro que mostram valores semelhantes quando se exclui os que não têm opinião.

Trump é bem menos popular do que Swift. Entre os que têm opinião, conta com 45% de favoritismo e 55% de opiniões desfavoráveis, segundo um conjunto de sondagens recentes. Isto coloca-o entre 25 e 30 pontos percentuais abaixo de Swift, dependendo do inquérito.

Poderá ser por isso que Trump não tem alimentado a sua base de apoio no que toca às preocupações com Swift.

Na verdade, seria difícil encontrar alguém mais popular do que Swift por estes dias. O seu rácio entre opiniões favoráveis e desfavoráveis é bem mais elevado do que o de qualquer político nacional da atualidade.

De certa forma, Swift poderia ser considerada uma Oprah Winfrey dos tempos modernos. É uma comparação que o apresentador da CNN Michael Smerchonish já fez. Swift, como Winfrey, parece ser notícia independentemente de onde vai.

A comparação é adequada quando nos lembramos do apoio de Winfrey a Barack Obama nas eleições presidenciais de 2008. Na altura, Winfrey atingia regularmente os níveis de popularidade de Swift quando se considerava os inquiridos com opinião formada.

Um estudo sugere que a apresentadora conseguiu cerca de um milhão de votos para Obama durante a batalha das primárias contra Hillary Clinton. Isso poderá ter sido suficiente para o ajudar a conquistar a nomeação democrata em 2008 no que foi uma corrida renhida.

O facto de Winfrey ter provado que era uma conquistadora de votos para Obama pode explicar porque é que tantos democratas esperam que Swift faça o mesmo por Biden. Até agora, Swift, que no passado apoiou os democratas, ainda não apoiou a candidatura de Biden às presidenciais de 2024.

Contudo, Swift foi associada a mais de 30 mil novos registos de eleitores em 2018, quando pediu às pessoas que se inscrevessem para votar. (A maioria dos norte-americanos – 68% – aprova que Swift encoraje as pessoas a votar nas presidenciais de 2024, apurou a sondagem do Monmouth.)

O anterior apoio de Swift a causas liberais também poderá explicar em parte a razão pela qual os apoiantes de Trump estão a ir atrás dela. (O seu namorado, o jogador de futebol americano Travis Kelce, apareceu em anúncios sobre a vacinação contra a Covid-19, algo a que muitos republicanos também se opõem.)

Mas é necessário um salto lógico gigante para passar de Swift apoiar os democratas para Swift estar a ser secretamente usada pelo governo. Não é um salto que a maioria dos norte-americanos dê.

Cerca de 1 em cada 6 norte-americanos (18%) dizem achar que uma teoria da conspiração como esta é verdade. Por um lado, parece ser um número elevado. Por outro, a vasta maioria dos norte-americanos (73%) considera que é falsa.

Na verdade, é possível encontrar 18% de americanos que acreditam em quase tudo, especialmente se houver uma deixa partidária associada. Entre 17% e 27% dos americanos dizia que Obama provavelmente ou definitivamente nasceu fora dos Estados Unidos, de acordo com uma sondagem da CNN. Obama, claro está, nasceu no Hawaii.

E tal como com a teoria da conspiração sobre a cidadania de Obama, aqueles que acreditam na teoria sobre Swift vêm sobretudo da direita. Quase um terço dos republicanos (32%) diz que existe um esquema secreto do governo para elevar Swift. Apenas 6% dos democratas pensam o mesmo, o que corresponde a menos do que a percentagem de americanos que acreditam que a Terra é plana ou que o governo fingiu a aterragem na Lua.

A conclusão é que a maioria dos americanos que têm uma opinião sobre Swift gostam dela. Não houve qualquer retaliação generalizada contra ela ou os que lhe estão associados de qualquer forma mensurável.

Ultimamente, Swift só ajudou a contribuir para a popularidade de outros. O podcast do seu namorado subiu a pique quando se tornaram um casal. E a NFL, a liga de futebol americano, registou audiências recorde no mais recente Super Bowl, em grande parte apoiada pelo grande crescimento entre as mulheres com entre 18 e 24 anos (grupo demográfico central de Swift.)

Qualquer republicano que queira ir contra Swift estará a cometer um grande erro.

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