opinião

Paulo Portas: "Taiwan, o lugar mais perigoso, pode abrir um conflito entre os EUA e a China"

29 mai, 22:11

Comentador analisou, no Jornal das 8, como a viagem de Joe Biden à Ásia teve como objetido recuperar o tempo perdido por Donald Trump e sustentou a importância estratégica de Taiwan

No seu habitual comentário aos domingos à noite, Paulo Portas analisou a viagem de Joe Biden à Ásia, sobre a qual sublinhou que o presidente norte-americano estava a “recuperar o tempo perdido”, depois de a administração Trump ter cortado os laços transpacíficos nos seus primeiros dias de mandato. 

Esta viagem, garantiu o comentador da TVI, foi “muito importante” por uma frase que deixou perplexas muitas pessoas sobre Taiwan, que foi a que os norte-americanos vão em defesa militar ajudar Taiwan se estiver em causa uma invasão chinesa. Para Portas é necessário observar esta declaração num contexto em que, aquando do início da guerra na Ucrânia, ele sublinhou que “não haverá soldados americanos envolvidos diretamente na guerra”.

“O que é novo foi dizê-lo num momento em que há uma guerra na Ucrânia, no ano passado repetiu-o duas vezes, sublinhando que, tal como têm um compromisso sagrado com o artigo 5.º da Nato, o mesmo acontece com Japão, Taiwan, Coreia do Sul, os aliados essenciais dos americanos na Ásia”, afirmou.

Assim, explica Paulo Portas, o “lugar mais perigoso no mundo, no sentido de ser o lugar que pode abrir um conflito entre a China e os Estados Unidos é Taiwan”. “O que os americanos têm feito é cumprir com a sua estratégia oficial de ambiguidade”, já que Taiwan “é uma das economias mais desenvolvidas do mundo” e concentra em si “entre 40 a 50% da produção de chips em todo o mundo, tendo ttambém uma localização absolutamente estratégica”. 

“A China poderá querer tomar Taiwan preferencialmente pela paz, mas se necessário pela força”, acrescenta o comentador, que explica também como a partir de 1979, a aproximação dos EUA à China foi feita com a intenção de reduzir a influência da União Soviética. Assim, “os EUA aprovam a política de reconhecer a soberania da China, mas nunca sobre Taiwan”. A lei assinada nessa altura pelo presidente Carter prevê, diz Portas, “que os EUA venham providenciar os meios de defesa suficientes a Taiwan, nunca dizendo em detalhe quais eram esses meios”.

Já de regresso ao tema da viagem do presidente norte-americano à Ásia, Portas sustenta que Biden “foi recuperar o tempo perdido”. “O grande erro dos EUA foi o abandono dos aliados americanos na Ásia. Tinham construído o transpacífico para colocar os parceiros numa posição favorável ao mercado americano e, por causa das pressões e demagogias protecionistas, no primeiro dia do seu mandato, Trump abandonou-o. O resultado? Em globalização não há lugares vazios, quem sai do lugar, perde o lugar e a China assumiu o lugar dos americanos”.

“Quando se é líder do mundo, não se pode ser isolacionista de um momento para o outro”.

Portas reitera, portanto, que “o que Biden foi fazer à Ásia foi oferecer o acordo económico do indopacífico, uma criatura por enquanto sem figuras específicas”, mas que se sabe incluir 13 países e espera-se que leve 18 meses de negociações.

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