PSD: Mota Pinto descarta demissão formal de Rio que está em "plenitude de funções" até à eleição do sucessor

Agência Lusa , CE
15 mar, 07:37
Paulo Mota Pinto no 39.º Congresso Nacional do Partido Social Democrata (Estela Silva/Lusa)

As eleições diretas do PSD estão marcadas para 28 de maio - com eventual segunda volta 4 de junho - e o Congresso entre 1 e 3 de julho, no Coliseu do Porto

O presidente do Conselho Nacional do PSD defendeu esta terça-feira que Rui Rio está na “plenitude de funções” até à eleição do sucessor, a 28 de maio, considerando que não é necessária uma demissão formal do atual líder.

No final de um Conselho Nacional que durou menos de três horas e que decorreu sem a presença de Rui Rio - que testou na segunda-feira positivo à covid-19 -, Paulo Mota Pinto foi questionado pelos jornalistas se o atual presidente estaria em condições de indicar os nomes do partido para o Conselho de Estado ou para a direção da bancada.

“Estatutariamente não tenho a menor dúvida, politicamente a minha posição, já não como presidente da mesa, é que sim, está em plenitude de funções até à eleição do sucessor. Quem é que haveria de ser senão ele?”, afirmou Paulo Mota Pinto.

O tema, disse, não foi levantado no Conselho Nacional, embora tenha sido colocado pelo líder da distrital de Coimbra, Paulo Leitão, na semana passada num requerimento em que pedia uma adenda à ordem de trabalhos da reunião para debater a estratégia do partido neste período até às diretas, mas que foi indeferido por Paulo Mota Pinto.

Sobre a necessidade formal de uma demissão do atual presidente para que as eleições diretas pudessem ser antecipadas, o presidente do Conselho Nacional reiterou o entendimento - que já tinha manifestado na anterior reunião deste órgão, em Barcelos - de que se pode considerar que a demissão “está implícita”.

“Não há nenhuma demissão formal, não existiu. Foi apresentada e aprovada uma proposta da Comissão Política Nacional de antecipação das eleições”, afirmou, admitindo que a questão foi levantada na reunião por alguns conselheiros, mas recusando que tenha havido uma “discussão estatutária profunda”.

“Segundo os estatutos do PSD, o presidente está na plenitude de funções até à eleição do próximo presidente”, defendeu.

O Conselho Nacional aprovou na segunda-feira à noite, sem votos contra, o calendário proposto pela direção: eleições diretas em 28 de maio (com eventual segunda volta em 04 de junho) e Congresso entre 01 e 03 de julho, no Coliseu do Porto.

Na reunião, foi introduzida nos regulamentos uma alteração à proposta inicial da direção, alargando o prazo de pagamento de quotas inicialmente previsto, de 29 de abril para 10 de maio.

O Conselho Nacional do PSD aprovou ainda “por unanimidade e aclamação”, segundo Paulo Mota Pinto, uma moção de “veemente condenação e repúdio” da invasão da Ucrânia pela Rússia e de solidariedade para com o povo ucraniano.

A reunião de Ovar acabou por ser relativamente curta e sem grandes polémicas e terminou ainda sem candidatos assumidos à liderança.

O presidente da Câmara de Aveiro, Ribau Esteves, disse estar nos “últimos dias” da sua ponderação e atacou o mais que provável candidato Luís Montenegro como “pertencendo ao passado”.

Já o antigo líder da JSD Pedro Rodrigues afirmou que, se entender ser o militante em melhores condições de liderar o partido, não hesitará “um segundo” em avançar, e, perante os conselheiros, avisou que a escolha do próximo presidente não pode ser “encarada como uma fila do talho em que se conhece de antemão quem será o próximo”.

Na reunião, e na ausência de Rui Rio, coube ao vice-presidente André Coelho Lima voltar a uma análise dos resultados eleitorais das legislativas, avisando que “quem procura apoucar excessivamente o resultado eleitoral presta um mau serviço ao PSD”, de acordo com relatos feitos à Lusa.

O dirigente defendeu que o PSD nada tem a aprender com a Iniciativa Liberal ou o Chega, que tiveram 5% e 7% nas urnas, respetivamente, enquanto os sociais-democratas representam quase um terço dos votantes, com cerca de 29% dos votos.

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