Os dez momentos dos Óscares

CNN Portugal , AM com Lusa
11 mar, 08:51

96.ª cerimónia dos Óscares decorreu esta madrugada

"Não está na hora de ir para a prisão?", pergunta Jimmy Kimmel a Trump

O apresentador dos Óscares, Jimmy Kimmel, disse que tinha recebido uma crítica negativa na rede Truth Social, vinda de "um ex-presidente", a quem agradeceu que tivesse visto o espetáculo, mas perguntando se não devia estar na prisão.

"Alguma vez houve um apresentador pior do que Jimmy Kimmel nos Óscares? A sua atuação foi a de uma pessoa abaixo da média que se esforça por ser algo que não é e nunca poderá ser. Livrem-se do Kimmel e substituam-no talvez por outro talento da [televisão] ABC, George Slopanopoulos, que já está gasto, mas é barato", diz a mensagem na Truth Social, publicada por Donald Trump às 21:39 (01:39 em Lisboa), referindo-se ao comentador George Stephanopoulos que fez parte da equipa do ex-presidente Bill Clinton.

"Agora, vejam se conseguem adivinhar que ex-presidente acabou de publicar isso no Truth Social", desafiou Kimmel ao público dos Óscares, imediatamente antes do anúncio do vencedor de Melhor Filme, quando acabou de ler a mensagem, que acaba com um "blah blah blah... Make America great again".

Kimmel então acrescentou: "Bem, obrigado, presidente Trump. Obrigado por assistir. Mas estou admirado... Já não passou da hora de ir para a prisão?".

O público na sala riu e aplaudiu, em reação ao comentário de Kimmel, numa referência aos quatro processos criminais em que Trump está acusado nos Estados Unidos.

Ryan Gosling foi "Just Ken"

Vestido de cor de rosa, Ryan Gosling subiu ao palco do Dolby Theatre para cantar o tema do filme Barbie "I'm Just Ken". O ator, que estava nomeado para o Óscar de Melhor Ator, cantou e dançou com o público numa atuação que teve ainda a participação de Slash, o guitarrista de Guns N' Roses.

Ryan - que começou a atuação sentado no meio da plateia, bem em frente a Billie Eilish - chegou mesmo a dar o microfone à realizadora de "Barbie" Greta Gerwig e às suas colegas de cena Margot Robbie e America Ferrera, que acabaram a cantar com ele. Durante a atuação, houve ainda tempo para o ator fazer uma serenata a Emma Stone, a sua companheira de La La Land.

Emma Stone rasgou vestido

Emma Stone ficou “muito chocada” pela vitória como Melhor Atriz nos Óscares e assim que subiu ao palco, afirmou que tinha rasgado o vestido durante a atuação de “I’m Just Ken”, por Ryan Gosling. 

“Assim que voltei eles coseram-no ali mesmo, o que foi maravilhoso”, gracejou a atriz, que falou aos jornalistas enquanto passava o Óscar que ganhou de uma mão para a outra. “Penso que rebentei o vestido durante ‘I’m Just Ken’”, afirmou. “Fiquei tão impressionada com o Ryan e o que ele estava a fazer, aquela atuação deixou-me louca”.

Sobre ter recebido o prémio, Stone diz que "é uma grande honra". “Acho que me apaguei. Fiquei muito chocada e ainda estou com a cabeça a girar. É uma grande honra e estou muito surpreendida”.

Cillian Murphy “atordoado” por ser primeiro irlandês a vencer Óscar

Cillian Murphy, que venceu o Óscar de Melhor Ator na 96.ª edição dos prémios da Academia, sentiu-se “atordoado, humilde, grato e orgulhoso” por ser o primeiro irlandês a receber a distinção, disse o ator nos bastidores da cerimónia. 

“É muito significativo para mim”, afirmou Cillian Murphy na sala de entrevistas, onde a Lusa esteve presente. “Na Irlanda somos muito bons a apoiar os artistas e penso que devemos continuar a apoiar a próxima geração de atores e realizadores, é vitalmente importante”.

Murphy, que venceu pela sua interpretação de J. Robert Oppenheimer naquele que também foi o Melhor Filme do ano, disse que estava assoberbado pela vitória e nem sequer se lembrava do que disse no discurso de aceitação. 

No discurso de aceitação, Cillian Murphy fez alusão à guerra: "Sou um irlandês muito orgulhoso por estar aqui esta noite. Fizemos um filme sobre o homem que criou a bomba atómica e, para o bem e para o mal, continuamos a viver no mundo de Oppenheimer, por isso gostaria de dedicar este filme aos que trabalham pela paz em todo o mundo."

 

Messi foi à cerimónia

Não, não falamos de Lionel Messi, mas sim de Messi, o cão de Anatomia de Uma Queda. O border collie de 7 anos esteve no Dolby Theatre "vestido" de formalmente, com direito a pisco no pescoço, e sentou-se nos lugares da frente, ao lado de outras estrelas da noite.

O cão foi até alvo de uma mensagem do apresentador Jimmy Kimmel durante o seu monólogo de abertura.

"Não via um ator francês a comer vómito assim desde Gérard Depardieu", afirmou Kimmel entre os aplausos da audiência.

Guerra na Ucrânia também esteve presente

O jornalista e realizador ucraniano Mstyslav Chernov, distinguido com o Óscar de Melhor Documentário pelo filme “20 days in Mariupol”, que testemunha o cerco imposto pela invasão militar russa, desafiou o público a contar a verdade sobre o passado, no seu discurso de aceitação: "Todos juntos podemos fazer com que a História tome o rumo devido e que a verdade perdure".

E concluiu: "O cinema cria memória e a memória faz a História".

O Óscar de Melhor Documentário é o primeiro conquistado por um cineasta ucraniano e é também o primeiro a distinguir o trabalho de uma agência de notícias, no caso a Associated Press, que soma 178 anos de história.

Billie Eilish conquista segundo Óscar

A cantora Billie Eilish fez história ao ser a pessoa mais nova de sempre a vencer dois Óscares, saindo dos Óscares com a estatueta pela canção original “What was I made for”, a única vitória do filme “Barbie” na cerimónia.

“Vocês vão a tempo”, disse Billie Eilish, na sala de entrevistas, questionada pelos jornalistas sobre o significado da sua vitória e o que diria a quem quer seguir uma carreira na indústria. 

“Lembro-me de ter 12 anos e estar a ver um musical e a chorar, porque pensei que era um falhanço e nunca teria uma carreira”, contou a artista. “Estava a ver Matilda na Broadway e era incrível. Chorei porque achava que nunca ia ser ninguém, porque não era a Matilda”. 

Nunca um artista tinha conquistado dois Óscares aos 22 anos. Billie Eilish conseguiu o primeiro pela canção “No time to die”, do filme homónimo de James Bond, e agora com um dos temas mais bem-sucedidos da banda sonora de “Barbie”. 

John Cena nu em palco

John Cena protagonizou um dos momentos da noite quando subiu ao palco sem roupa para entregar o prémio de Melhor Guarda-Roupa, num momento que fez lembrar um incidente da cerimónia de 1974, quando um homem nu correu pelo palco.

Há 50 anos, ator britânico David Niven chamava Elizabeth Taylor para palco, quando um homem chamado Robert Opel correu pelo palco sem roupas.

“Bem, senhoras e senhores, isso estava fadado a acontece. Mas não é fascinante pensar que provavelmente a única risada que um homem vai conseguir na vida é se despir e exibir suas... insuficiências?”, afirmou Niven, fazendo um trocadilho com o tamanho dos genitais do homem.

Este ano, quando Kimmel chamou John Cena a palco, este surgiu atrás do cenário e quando finalmente se dirigiu ao microfone, teve de usar o envelope com o vencedor para tapar as partes íntimas.

"As roupas são muito importantes", afirmou Cena, antes de anunciar Holly Waddington de "Poor Things" como vencedor.

Jennifer Lame é primeira mulher a vencer Óscar de Melhor Montagem numa década

Jennifer Lame foi esta madrugada a primeira mulher a vencer o Óscar de Melhor Montagem numa década, pelo seu trabalho no filme “Oppenheimer”, de Christopher Nolan. 

“Quando o Chris me contratou fiquei em choque”, disse a vencedora na sala de entrevistas, nos bastidores da 96.ª edição dos Óscares. “Fiz coisas que nunca pensei que conseguiria fazer”. 

Usando técnicas que nunca tinha experimentado, Jennifer Lame venceu numa categoria em que também estava nomeada Thelma Schoonmaker por “Assassinos da lua das flores”, que é a mulher que tem mais nomeações aos Óscares nesta categoria: nove. 

“Isto significa muito para mim”, afirmou Lame, que sucedeu a Margaret Sixel, a última mulher a vencer Melhor Montagem por “Mad Max: Fury Road”.

“Tenho tantas mulheres editoras que são minhas heroínas”, continuou, tecendo rasgados elogios às várias mulheres que “assumiram a liderança” em “Oppenheimer”.

Da'Vine Joy Randolph, o primeiro Óscar da noite

O primeiro prémio da noite foi para Da'Vine Joy Randolph, melhor ariz secundária por "Those Who Remain".

O seu retrato comovente de uma mãe que perdeu o filho no Vietname e que passa o Natal na escola onde trabalha como cozinheira levou toda a audiência a aplaudi-la de pé.

Sem conseguir conter as lágrimas, agradeceu à mãe por a ter encorajado a tentar representar, a Deus e ao seu publicista. O discurso emotivo de Randolph levou mesmo às lágrimas o seu colega de "The Holdovers", Paul Giamatti.

“É uma carreira muito difícil para seguir a pensar nos prémios”, considerou a atriz na sala de entrevistas, nos bastidores da 96.ª edição dos Óscares. Randolph conseguiu a consagração aos 37 anos. “O bonito e o difícil de ser uma atriz é que requer resiliência e autoconfiança e acreditar em nós mesmos quando mais ninguém acredita”, afirmou. “Quando estamos constantemente a ouvir 'não' e dizemos 'vou continuar em frente'”.

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