Óscares: «Oppenheimer» foi o grande vencedor com sete estatuetas

11 mar, 09:57

Filme de Christopher Nolan marcou a 96.ª edição dos prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, mas Donald Trump também

«Oppenheimer», de Christopher Nolan, conquistou o Óscar de Melhor Filme e, com um um total de sete estatuetas, foi o grande vencedor da 96.ª edição dos prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos que decorreu, na última madrugada, mais uma vez no Dolbu Theatre, em Los Angeles.

O filme de Christopher Nolan, que também ganhou o Óscar de Melhor Realização, competia, para Melhor Filme, com «American Fiction», «Anatomia de uma queda», «Barbie», «Os excluídos», «Assassinos da lua das flores», «Maestro», «Vidas passadas», «Pobres criaturas» e «Zona de interesse».

O filme que retrata a vida do pai da bomba atómica estava nomeado para treze prémios e acabou por arrecadar sete: Melhor Ator (Cillian Murphy), Melhor Ator Secundário (Robert Downey Jr.), Melhor Banda Sonora Original, Melhor Fotografia e Melhor Montagem, além dos óscares de Melhor Filme e Melhor Realização.

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«Pobres criaturas», do realizador grego Yorgos Lanthimos, que somava onze nomeações, conseguiu quatro: Melhor Atriz (Emma Stone), Melhor Caracterização, Melhor Guarda-Roupa e Melhor Design de Produção.

O filme de Martin Scorsese, «Assassinos da lua das flores», que partiu com dez nomeações, entre as quais as de Melhor Filme e Melhor Realização, não obteve qualquer Óscar, à semelhança de «Maestro», de Bradley Cooper, uma biografia do compositor e regente Leonard Bernstein, que foi candidato a Melhor Filme.

«Barbie», de Greta Gerwig, obteve apenas uma estatueta das oito nomeações, para a canção de Billie Eilish [segundo Óscar aos 22 anos] e Finneas O'Connell «What was I made for?».

Este foi o segundo Óscar conquistado pela dupla de irmãos, depois de há dois anos terem vencido na mesma categoria com a canção tema do filme «007: Sem tempo para morrer» (No time to die).

O cineasta Wes Anderson, ausente da cerimónia, que soma cerca de uma dezena de nomeações para os Óscares, de Melhor Filme a Melhor Argumento e Melhor Realização, com filmes «Os Tenenbaums» e «Moonrise Kingdom», obteve o primeiro óscar da sua carreira com a curta-metragem «A incrível história de Henry Sugar».

O Óscar de Melhor Longa-Metragem de Animação foi para «O rapaz e a garça», de Hayao Miyazaki, também ausente da cerimónia, no dia em que anunciou uma pausa no seu percurso de realizador.

Entre os nomeados nesta categoria estava o português Joaquim dos Santos, que correalizou «Homem-Aranha: Através do Aranhaverso», com Kemp Powers e Justin K. Thompson, distinguido nos prémios Annie.

Numa cerimónia da academia norte-americana de cinema, o Óscar de Melhor Argumento Original foi para a produção francesa «Anatomia de uma queda», dirigido e coescrito por Justine Triet, enquanto o Óscar de Melhor Som foi para a produção independente britânica «A zona de interesse», de Jonathan Glazer, que também conquistou o Óscar de Melhor Filme Internacional.

Este filme tem no som o seu elemento mais dramático, ao tornar evidente os crimes cometidos no campo de extermínio nazi, por oposição à banalidade da vida quotidiana da família de Rudolf Höss, o comandante de Auschwitz durante a II Guerra Mundial, que domina a imagem.

Ao receber o Óscar, Jonathan Glazer alertou para os riscos da desumanização, num discurso em que lembrou as vítimas do ataque do Hamas, ocorrido em território israelita a 7 de outubro passado, e também as vítimas da retaliação de Israel sobre a Faixa de Gaza e a situação extrema em que se encontra a população palestiniana, sem hipótese de saída desse enclave.

O realizador dedicou o Óscar a Alexandria, uma mulher de 90 anos que fez parte da resistência polaca à ocupação nazi, e que conhecera durante as filmagens, lembrando a sua coragem.

O Óscar de Melhor Documentário atribuído a «20 days in Mariupol», do jornalista e realizador Mstyslav Chernov, é o primeiro dado a um cineasta da Ucrânia, e também a uma agência de notícias, no caso a Associated Press, que soma 178 anos de história. O filme documenta o cerco da cidade ucraniana de Mariupol pelas forças russas, em 2022, fixando-se na capacidade de resistência da população e dos soldados ucranianos.

Chernov disse que seria certamente o único realizador a preferir não receber o Óscar, tendo em conta o filme que dirigiu, assim como preferia que a Rússia nunca tivesse invadido a Ucrânia e ocupado as suas cidades, nem feito reféns civis e militares. «Não posso alterar a História nem o passado», afirmou Chernov. «Todos juntos, porém, podemos fazer com que a História tome o rumo devido e que a verdade perdure».

O segmento In Memoriam dos prémios da Academia, que evocou personalidades como os atores Alan Arkin, Glenda Jackson e Richard Roundtree, o realizador William Friedkin, a cantora Tina Turner e o compositor Ryuichi Sakamoto, abriu com uma sequência do documentário «Navalny», vencedor do Óscar no ano passado.

O líder da oposição russa, que morreu em fevereiro numa prisão de Vladimir Putin, surgiu assim em grande plano no ecrã para dizer: «A única coisa necessária para o triunfo do mal é que as pessoas de bem não façam nada».

«Não está na hora de ir para a prisão?», pergunta Jimmy Kimmel a Trump

A atualidade política voltou a estar presente na cerimónia. O apresentador dos Óscares, Jimmy Kimmel, disse que tinha recebido uma crítica negativa na rede Truth Social, vinda de «um ex-Presidente», a quem agradeceu que tivesse visto o espetáculo, mas perguntando se não devia estar na prisão.

Kimmel leu a crítica à sua atuação em voz alta: «Alguma vez houve um apresentador pior do que Jimmy Kimmel nos Óscares? A sua atuação foi a de uma pessoa abaixo da média que se esforça por ser algo que não é e nunca poderá ser. Livrem-se do Kimmel e substituam-no talvez por outro talento da [televisão] ABC, George Slopanopoulos, que já está gasto, mas é barato», diz a mensagem na Truth Social, publicada por Donald Trump às 21:39, hora de Nova Iorque (1:39 em Lisboa), referindo-se ao comentador George Stephanopoulos que fez parte da equipa do ex-Presidente Bill Clinton.

«Agora, vejam se conseguem adivinhar que ex-Presidente acabou de publicar isso no Truth Social», desafiou Kimmel ao público dos Óscares, imediatamente antes do anúncio do vencedor de Melhor Filme, quando acabou de ler a mensagem, que acaba com um «blah blah blah... Make America great again».

Kimmel então acrescentou: «Bem, obrigado, Presidente Trump. Obrigado por assistir. Mas estou admirado... Já não passou da hora de ir para a prisão?».

O público na sala riu e aplaudiu, em reação ao comentário de Kimmel, numa referência aos quatro processos criminais em que Trump está acusado nos Estados Unidos.

A lista dos vencedores da 96.ª edição dos Óscares

Melhor Filme

"Oppenheimer", Emma Thomas, Charles Roven e Christopher Nolan (produtores)

Melhor Realização

"Oppenheimer", de Christopher Nolan

Melhor Atriz

Emma Stone ("Pobres criaturas")

Melhor Ator

Cillian Murphy ("Oppenheimer")

Melhor Atriz Secundária

Da’Vine Joy Randolph ("Os excluídos")

Melhor Ator Secundário

Robert Downey Jr. ("Oppenheimer")

Melhor Filme Internacional

"A zona de interesse", de Jonathan Glazer (Reino Unido)

Melhor Curta-Metragem

"A incrível história de Henry Sugar", de Wes Anderson

Melhor Longa-Metragem de Animação

"O rapaz e a garça", de Hayao Miyazaki

Melhor Curta-Metragem de Animação

"War is over", de Dave Mullins e Sean Lennon

Melhor Documentário

"20 days in Mariupol", de Mstyslav Chernov

Melhor Curta-Metragem Documental

"The last repair shop", de Kris Bowers e Ben Proudfoot

Melhor Argumento Original

"Anatomia de uma queda", de Justine Triet e Arthur Harari

Melhor Argumento Adaptado

"American fiction", de Cord Jefferson e Percival Everett

Melhor Banda Sonora Original

"Oppenheimer", de Ludwig Göransson

Melhor Canção Original

"What was I made for?", de Billie Eilish e Finneas O'Connell, para "Barbie"

Melhor Design de Produção

"Pobres criaturas", James Price, Shona Heath e Zsuzsa Mihalek

Melhor Montagem

"Oppenheimer", Jennifer Lame

Melhor Fotografia

"Oppenheimer", Hoyte Van Hoytema

Melhores Efeitos Visuais

"Godzilla minus one", Takashi Yamazaki, Kiyoko Shibuya, Masaki Takahashi e Tatsuji Nojima

Melhor Som

"A zona de interesse", Tarn Willers e Johnnie Burn

Melhor Caracterização

"Pobres criaturas", Nadia Stacey, Mark Coulier e Josh Weston

Melhor Guarda-Roupa

"Pobres criaturas", Holly Waddington

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